sábado, 28 de julho de 2018

482.- Crianças. (CHICO) O Espírito explorador.





Está faltando alguma coisa,
para descobrirmos?


Ou perdemos algo,
no caminho?


As descobertas
só acontecem
quando caminhamos
por lugares
e situações
desconhecidas.


Para as crianças
que estão crescendo
e aprendendo,
tudo é desconhecido.


As crianças
envolvem-se totalmente,
continuamente,
em conquistas,
no mundo,
para nós,
familiar,
e, para elas,
desconhecido.


As crianças
não se preocupam
com o que vão ser,
lá na frente,
daqui a alguns anos.


Estão
ocupadas
com o presente,
respirando esse ar
que está aqui disponível,
agora, curtindo imensamente
cada descoberta, cada passo vivido
dentro da atmosfera do desconhecido.


Convido-te
a experimentar
um tipo de caminhada,
por caminhos desconhecidos.


Recupere a originalidade.


Ainda há
um espírito infantil,
resistindo, residindo,
no seu castelo encantado,
nos cantinhos insatisfeitos
da sua personalidade.


Ainda há,
em cada um de nós,
um sonho de criança,
vontade de brincar,
solta, leve, feliz,
no palco da vida.


Você está acostumado(a)
a caminhar por estradas
já percorridas,
pelos outros
e por você.


E não há mais
surpresas.


Há seriedade,
tédio,
tensões,
ansiedades,
faltâncias.


Não há mais,
encantamento,
nem sustos.


Nem há mais
expectativas,
nem emoções.


Aventurar-se
por caminhos desconhecidos,
leva junto, na cabeça,
dúvidas,
incertezas,
escuridão,
coisas ou situações
que nós, adultos,
gostaríamos de evitar,
mas faz parte
das tralhas da mochila. 


Prosseguir,
tateando no vazio,
aceitar os riscos,
e as surpresas.


Abandonar a lógica,
e a segurança.


Deixar a lucidez
e adotar os critérios
da irracionalidade.


Assume-se errar,
e ter de voltar,
de novo,
ao início.


Iniciar,
sempre de novo
não é de todo,
tão mal assim,
se for sempre,
novos caminhos,
outros meios,
de viajar pela vida,
mantendo a jovialidade,
a curiosidade
explorativa.  


Viajando
para o desconhecido,
que convida, abertamente,
nada prometendo,
nada esperando,
só a surpresa,
que pode ser
gratificante.


Já tentaram,
tantas e tantas vezes
ensinar os mesmos caminhos,
para as crianças.


Já fomos crianças,
seguimos
as orientações
dos sabidões racionais,
e perdemos nossa originalidade.


A criança que existe em mim,
não está contente
com o que aprendeu.


Queria saber mais,
sobre poesia,
cantar alegremente,
sem censuras,
dançar sempre
em qualquer situação.


Ninguém sabe ensinar
o que meu coração quis
e ainda quer aprender.


O que minha mente aprendeu
não me deu respostas sentidas,
não me deu experiências
de profundidade
nem de verticalidade.


O mundo
não é só a dimensão horizontal,
com beiras e bordas,
leis e limites.


Existe ainda,
espaços inexplorados
 na dimensão vertical,
e na dimensão
da profundidade.


Lá para baixo,
na profundidade
estão minhas origens,
raízes eternas
realidade escondida,
invisível,
fonte do sentido,
e nutrientes,
da vida significada.


Lá para cima,
onde não existem fronteiras,
deve estar meu destino,
pois gosto de olhar
para as estrelas,
e viajar, virtualmente,
com a alma e o espírito,
pelos espaços infinitos
que a liberdade,
que mora em mim,
quer explorar.


Anseio por plenitude,
pelas aventuras,
por descobertas,
ainda envolvidas
nas névoas dos mistérios.


O desconhecido
atrai mais
do que tudo
o que já conhecemos.


Para o que já conhecemos,
podemos estar acostumados,
cansados
e fechados,
mas,
para o desconhecido,
para o que ainda não conhecemos,
convém mais, a curiosidade,
a abertura, esperanças
por surpresas agradáveis.


Aqui, na horizontal,
não tenho mais sonhos,
só pesadelos, prisões,
desequilíbrios
provocados pela educação
dos horizontes fechados,
da lógica que a tudo disseca,
tudo explica,
mas não convence.


Teimosamente,
desobediente
e rebelde,
resisto seguir
caminhos já percorridos,
seguidos pela lógica,
fria, calculista,
prometendo respostas
certinhas, porém,
indigestas
para meus anseios
absolutos.


Do que me adianta tudo certinho,
arrumadinho, mas desconfortável,
que não preenchem meus espaços
íntimos e infinitos,


Todos tem medo de falar,
de se arriscar pelas cavernas
desconhecidas.
E dizem: ‘Cuidado’.
“Não andem por lá”.
“Não explorem
 o Desconhecido”.


 Os poetas,
os místicos
arriscam-se,
aventuram-se
a andar no escuro,
no irracional,
e, tateando,
 descobrem
sentido, significado,
em diferentes trilhas,
em outros caminhos,
com outros recursos
do reino novo,
aberto,
disponível,
ao espírito jovem,
inconformado,
explorador.  


Explorando
mundos desconhecidos,
descobre-se, em si mesmo,
capacidades desconhecidas,
intuições,
criatividade,
admiração,
amores,
paixões,
envolvimento.


Aí de nós,
se perdermos
a natureza original,
da criança
exploradora.  


Já tenho pena dos adultos
que se distanciaram
do jeito alegre,
rebelde,
de ser infantil.


Alegre rebeldia.
Cativante criancice
que permanece
na idade adulta.   


A mente lógica
deformou nossa vida,
impedindo a criança,
adentrar,
no mundo dos adultos.


Não se aceita
no mundo dos adultos
 brincadeiras
ou atitudes de crianças.

E os adultos percebem seus erros,
matriculando-se em cursos
de criatividade.


Mais do que de adultos sérios
o mercado procura
adultos,
com espírito de criança,
inventores,
de brinquedos diferentes,
decifradores
de mistérios,
apaixonados pelo desconhecido.


Hoje, nós adultos,
sentimo-nos prejudicados,
racionalistas, críticos e lamurientos,
buscando sempre o sucesso.


Mesmo vencedores,
 fazemos constantes experiências
do fracasso existencial,
da resistência,
dureza de coração,
desconfiança e apatia,
diante dos segredos
só revelados
aos pequeninos.


Damos importância exagerada
ao mundo dos negócios,
da economia
e esquecemos
de viver a vida,
como crianças,
desejosas de explorar
o desconhecido.


O mundo conhecido
e já explorado
deixou de exercer atração,
admiração e encantamento.
Sobra-nos ainda uma única opção:
abrir-nos com esperanças,
com ilimitada confiança. 



Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 28/07/2018


terça-feira, 24 de julho de 2018

481.- Palavras. Encontros. Desejo um encontro, completo, lá longe, sem presenças. Sem palavras.



Usamos constantemente a cabeça

para todas as atividades mentais

que fazemos.

 

Muitas vezes,

porém,

a mente

leva-nos para a secura,

para a crítica,

para a defesa

de um sistema de crenças,

despertando os preconceitos,

esvaziando

e empobrecendo

o momento, as relações

e os encontros.

 

Por isso é necessário

conhecer

como a mente funciona.

 

Não há suavidade na mente.

 

Há normas, crenças,

conceitos e preconceitos,

leis, convenções, tradição,

culpas e penalidades,

castigos e punições,

pressões, exigências,

cobranças,

sucessos e fracassos. 

 

Conhecer

como administrar a mente,

não deixando

que as crenças

e os preconceitos

reduzam os valores dos encontros,

com a natureza

e principalmente,

quando nós,

humanos,

nos encontramos.

 

Estejamos atentos

para não dar chances

para que a mente trapaceie

e estrague os bons momentos

que podemos vivenciar

com mais cargas afetivas.

 

A mente

tende a ser indiferente,

a ser crítica,

analista, avaliando

conforme o sistema de crenças

que formamos

em nossa longa

carreira de humanos.

 

Também somos como os animais,

com os instintos ativos 

           de defesa e ataque.

 

Somente quando evoluímos,

como pessoa conscientes,

agimos

com sentimentos

mais nobres.

 

Se não ativarmos a consciência,

procederemos com indiferença,

diante de alguém

que seja de outra religião,

de outra profissão

ou de outra classe social.

 

Como somos todos diferentes

e temos profissões diferentes,

formação diferente,

religiões diferentes,

opiniões diferentes,

visões e gostos diferentes,

cada vez mais,

corremos o risco,

de nos fecharmos

em nossas próprias convicções,

e vamos ficando cada vez

menos comunicativos,

menos participativos,

menos atraentes,

menos risonhos,

mais fechados,

mais tristes,

mais sós.

 

Toda vida

é comunicativa.

 

Tudo o que existe,

convida

ao relacionamento,

pois todos somos

incompletos,

diferentes,

com mais capacidades

de apreensão,

de compreensão,

com mais cargas afetivas

ou menos capacidades degustativas.

 

Existem pessoas tão diferentes,

que aprenderam mais,

observaram mais,

sintonizaram

com fontes invisíveis de energias,

que conseguem comunicar-se

com as árvores,

com as águas dos riachos,

com os animais,

com os passarinhos,

com a lua,

com o sol,

com as estrelas,

com a natureza toda.

 

Tem gente,

tão diferente,

que aprendeu

que toda a vida,

tudo o que existe,

é comunicação,

é diálogo incompleto,

desejando completar-se.

 

Quando nos enchemos

de conhecimento,

 de ideias,

não cabe mais nada

dentro de nós.

 

Então a mente,

insatisfeita,

ilude-nos,

impondo-nos sacrifícios desnecessários,

para conseguir mais conhecimento,

mais estudos,

mais bens de consumo,

mais status,

mais coisas inúteis,

sem nutrientes permanentes.

 

Parece que a mente

mente para nós,

afastando-nos da vida,

do chão da realidade

 e das emoções.

 

Cada um de nós 

é uma palavra,

um diálogo, 

incompleto.


Os encontros 

podem favorecer 

o completar das frases.

 

A verdade

da qual nós temos certeza

é que temos apenas

a necessidade

de ver, ouvir e falar

para nos comunicar,

e completar,

as frases incompletas.

 

A vida toda,

tudo o que existe,

é comunicação aberta.

 

Se nos deixarmos guiar

pela mente, somente,

corremos o risco

de nos fechar

em nossas crenças,

em nossos conhecimentos,

ainda incompletos,

desprovidos de sentimentos,

de compreensão

e compaixão.

 

Existem aproximações

que não se completam

em encontros.

 

Acontecem encontros,

apertos de mão,

em que

 toques afetivos

não se completam,

não preenchem

o vazio infinito

que existe dentro de nós.  

 

Existem muitas conversas,

 mas poucas aberturas

à intimidade,

que aquece,

e engravida,

as palavras.

 

Há um imenso espaço livre

 para os pensamentos,

em minha mente.

 

Há um infinito aberto

para a palavra,

a comunicação,

entre nós.

 

Convém prestar atenção à mente.

Talvez a ciência não seja racional.


Então, convém pensar com o coração

e expressar-se pelo olhar afetivo

 e carinhoso.

 

Talvez a sua mente

esteja fechada,

aprisionada

em suas crenças proibitivas,

moralizantes,

socialmente não aceitas,

que não te deixam soltar

as palavras,

desejosas de voar,

acima das coisas da terra.

 

 Nas alturas,

 meu coração anseia

que o encontro aconteça,

sem presenças, sem testemunhas,

sem palavras.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 24/07/2018

eneaspb@gmail.com

Publicado no blog Heipo World e no FACE em 24/07/2018