Está
faltando alguma coisa,
para
descobrirmos?
Ou
perdemos algo,
no
caminho?
As
descobertas
só
acontecem
quando
caminhamos
por
lugares
e
situações
desconhecidas.
Para as crianças
que estão crescendo
e aprendendo,
tudo é desconhecido.
As crianças
envolvem-se
totalmente,
continuamente,
em conquistas,
no mundo,
para nós,
familiar,
e, para elas,
desconhecido.
As crianças
não se preocupam
com o que vão ser,
lá na frente,
daqui a alguns anos.
Estão
ocupadas
com o presente,
respirando esse ar
que está aqui
disponível,
agora, curtindo
imensamente
cada descoberta, cada
passo vivido
dentro da atmosfera
do desconhecido.
Convido-te
a experimentar
um tipo de caminhada,
por caminhos
desconhecidos.
Recupere a
originalidade.
Ainda há
um espírito infantil,
resistindo, residindo,
no seu castelo
encantado,
nos cantinhos
insatisfeitos
da sua personalidade.
Ainda há,
em cada um de nós,
um sonho de criança,
vontade de brincar,
solta, leve, feliz,
no palco da vida.
Você está
acostumado(a)
a caminhar por
estradas
já percorridas,
pelos outros
e por você.
E não há mais
surpresas.
Há seriedade,
tédio,
tensões,
ansiedades,
faltâncias.
Não há mais,
encantamento,
nem sustos.
Nem há mais
expectativas,
nem emoções.
Aventurar-se
por caminhos
desconhecidos,
leva junto, na
cabeça,
dúvidas,
incertezas,
escuridão,
coisas ou situações
que nós, adultos,
gostaríamos de evitar,
mas faz parte
das tralhas da
mochila.
Prosseguir,
tateando no vazio,
aceitar os riscos,
e as surpresas.
Abandonar a lógica,
e a segurança.
Deixar a lucidez
e adotar os critérios
da irracionalidade.
Assume-se errar,
e ter de voltar,
de novo,
ao início.
Iniciar,
sempre de novo
não é de todo,
tão mal assim,
se for sempre,
novos caminhos,
outros meios,
de viajar pela vida,
mantendo a
jovialidade,
a curiosidade
explorativa.
Viajando
para o desconhecido,
que convida,
abertamente,
nada prometendo,
nada esperando,
só a surpresa,
que pode ser
gratificante.
Já tentaram,
tantas e tantas vezes
ensinar os mesmos
caminhos,
para as crianças.
Já fomos crianças,
seguimos
as orientações
dos sabidões
racionais,
e perdemos nossa
originalidade.
A criança que existe
em mim,
não está contente
com o que aprendeu.
Queria saber mais,
sobre poesia,
cantar alegremente,
sem censuras,
dançar sempre
em qualquer situação.
Ninguém sabe ensinar
o que meu coração quis
e ainda quer
aprender.
O que minha mente
aprendeu
não me deu respostas
sentidas,
não me deu
experiências
de profundidade
nem de verticalidade.
O mundo
não é só a dimensão
horizontal,
com beiras e bordas,
leis e limites.
Existe ainda,
espaços inexplorados
na dimensão vertical,
e na dimensão
da profundidade.
Lá para baixo,
na profundidade
estão minhas origens,
raízes eternas
realidade escondida,
invisível,
fonte do sentido,
e nutrientes,
da vida significada.
Lá para cima,
onde não existem
fronteiras,
deve estar meu
destino,
pois gosto de olhar
para as estrelas,
e viajar,
virtualmente,
com a alma e o
espírito,
pelos espaços infinitos
que a liberdade,
que mora em mim,
quer explorar.
Anseio por plenitude,
pelas aventuras,
por descobertas,
ainda envolvidas
nas névoas dos
mistérios.
O desconhecido
atrai mais
do que tudo
o que já conhecemos.
Para o que já
conhecemos,
podemos estar acostumados,
cansados
e fechados,
mas,
para o desconhecido,
para o que ainda não
conhecemos,
convém mais, a
curiosidade,
a abertura,
esperanças
por surpresas
agradáveis.
Aqui, na horizontal,
não tenho mais
sonhos,
só pesadelos,
prisões,
desequilíbrios
provocados pela
educação
dos horizontes
fechados,
da lógica que a tudo
disseca,
tudo explica,
mas não convence.
Teimosamente,
desobediente
e rebelde,
resisto seguir
caminhos já
percorridos,
seguidos pela lógica,
fria, calculista,
prometendo respostas
certinhas, porém,
indigestas
para meus anseios
absolutos.
Do que me adianta
tudo certinho,
arrumadinho, mas
desconfortável,
que não preenchem
meus espaços
íntimos e infinitos,
Todos tem medo de
falar,
de se arriscar pelas
cavernas
desconhecidas.
E dizem: ‘Cuidado’.
“Não andem por lá”.
“Não explorem
o Desconhecido”.
Os poetas,
os místicos
arriscam-se,
aventuram-se
a andar no escuro,
no irracional,
e, tateando,
descobrem
sentido, significado,
em diferentes
trilhas,
em outros caminhos,
com outros recursos
do reino novo,
aberto,
disponível,
ao espírito jovem,
inconformado,
explorador.
Explorando
mundos desconhecidos,
descobre-se, em si
mesmo,
capacidades
desconhecidas,
intuições,
criatividade,
admiração,
amores,
paixões,
envolvimento.
Aí de nós,
se perdermos
a natureza original,
da criança
exploradora.
Já tenho pena dos
adultos
que se distanciaram
do jeito alegre,
rebelde,
de ser infantil.
Alegre rebeldia.
Cativante criancice
que permanece
na idade adulta.
A mente lógica
deformou nossa vida,
impedindo a criança,
adentrar,
no mundo dos adultos.
Não se aceita
no mundo dos adultos
brincadeiras
ou atitudes de
crianças.
E os adultos percebem
seus erros,
matriculando-se em
cursos
de criatividade.
Mais do que de
adultos sérios
o mercado procura
adultos,
com espírito de
criança,
inventores,
de brinquedos
diferentes,
decifradores
de mistérios,
apaixonados pelo
desconhecido.
Hoje, nós adultos,
sentimo-nos
prejudicados,
racionalistas,
críticos e lamurientos,
buscando sempre o
sucesso.
Mesmo vencedores,
fazemos constantes experiências
do fracasso
existencial,
da resistência,
dureza de coração,
desconfiança e
apatia,
diante dos segredos
só revelados
aos pequeninos.
Damos importância
exagerada
ao mundo dos
negócios,
da economia
e esquecemos
de viver a vida,
como crianças,
desejosas de explorar
o desconhecido.
O mundo conhecido
e já explorado
deixou de exercer
atração,
admiração e
encantamento.
Sobra-nos ainda uma única opção:
abrir-nos com esperanças,
com ilimitada confiança.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 28/07/2018

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