sábado, 7 de julho de 2018

480.- Deus. Dialeto da Natureza: um meio de se comunicar, escondendo-se.



 
 As formas e as cores,
as palavras e o símbolos,
as artes todas, significam,
e comunicam algo para nós.

Todas, são um tipo de dialeto.

 

Cabe a cada um,

receber, interpretar

e curtir a mensagem.

 

Dialeto

é uma forma

de comunicação

não-oficial. 

 

É um ramo

de uma língua,

com variações particulares

de um povo, de uma raça

ou de uma nação.

 

Às vezes,

a tradução é clara

e coerente

com a língua mãe.

 

Outras vezes,

é necessário conhecer

um pouco da história,

das origens,

lá de muito longe,

e até mesmo,

intuir as intenções,

interpretar os gestos,

e a fisionomia

daquele que está comunicando,

a linguagem do dialeto.  

 

 Dialeto é uma forma

de comunicação especial,

íntima,

até mesmo carinhosa,

particular,

rara e importantíssima,

para quem está envolvido(a)

naquele momento

em que determinada comunicação

está acontecendo.

 

Use seus olhos,

sua mente e seu coração.

Abra-os.

 

Deixe-se encantar.

 

Deixe-se atrair

pela beleza.

 

A beleza

da natureza,

é algo espetacular,

atrai e desperta

a admiração.

 

Será que as belezas

foram ou são criadas

por acaso?

 

Não.

Não são feitas

do caos desorganizado,

nem pelas pequenas

mãos humanas.

 

Obras, arte feitas

pelos artistas humanos,

estão escondidas,

em museus

ou mansões.

 

A tela do céu

é muito grande,

imensa,

abraçando

e distanciando-se,

mudando de cor,

a cada minuto,

até confundir-se,

com a noite,

escondendo-se,

indo embora,

dizendo,

até amanhã.

 

Obras-primas,

da natureza,

rabiscadas,

quase sempre,

de madrugada,

ou nas tardinhas,

pintadas lá no céu,

são sempre novas,

criativas,

formas e cores livres,

expostas gratuitamente,

na galeria da Avenida Terra.

 

Dá para desconfiar

da presença

de um Engenheiro,

de um Artista,

invisível, Misterioso,

ansiando

tornar-se conhecido?

 

Existe sim, 

um tipo

de comunicação mística,

quando se decodifica

o dialeto da natureza.

 

Aprendi que mística

é a arte de misturar

as coisas da Terra

com as do Céu.

 

Contemplar

a beleza da natureza

é desconfiar-confiando,

de que há

um misterioso SER

contagiante, envolvente,

invisível, por perto,

ansiando tornar-se visível.

 

Mas não pode.

Não pode violentar

a natureza.

 

Mas que bom que é assim,

que se esconda,

atrás das belezas,

atrações, convites,

mistérios cativantes,

tanta variedade

 para curtir

e degustar.

 

Não quero,

não espero,

que se apresente todo inteiro,

na minha frente.

 

Prefiro procurar,

ir decifrando,

contemplando,

beliscando,

pelas beiradas,

adivinhando,

mas não esgotando.

 

Prefiro ficar na sede,

do que saciado, sentar-me,

deitar-me no sossego

da conquista que sacia.

 

És esperto, psicólogo,

entendedor do profundo,

inesgotável pedagogia

da gota a gota.

 

Não me sacia

para que te busque.

 

 

Não se mostra

para que não me cegue.

 

Esparrama pistas,

brincando,

de esconde-esconde.

 

Não escolhestes

nenhuma língua oficial

para comunicar-se conosco.

 

Preferistes usar

um dialeto

de fácil interpretação.

 

Mas este dialeto,

das formas e das cores,

é apenas um meio

de comunicação visual.

 

Quais outros meios

de comunicação,

disponibilizas

para nosso entendimento?

 

Não nos destes

poderes especiais?

 

Deste-nos sim,

a inteligência,

o discernimento,

a reflexão,

a meditação,

a contemplação.

 

E os dialetos.

 

Desculpa-nos, Senhor,

a falta de uso

destes dons

que nos destes,

desde o nosso nascimento,

e que estão à nossa disposição,

mal aproveitados.  

 

Se nós não te entendemos

e não conseguimos entender

vossos sinais

de comunicação,

é porque

ainda não aprendemos

nenhum dialeto.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 07/07/2018

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo’s World

e no FACE em 07/07/2018


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