Todas, são um tipo de dialeto.
Cabe a cada um,
receber, interpretar
e curtir a mensagem.
Dialeto
é uma forma
de comunicação
não-oficial.
É um ramo
de uma língua,
com variações particulares
de um povo, de uma raça
ou de uma nação.
Às vezes,
a tradução é clara
e coerente
com a língua mãe.
Outras vezes,
é necessário conhecer
um pouco da história,
das origens,
lá de muito longe,
e até mesmo,
intuir as intenções,
interpretar os gestos,
e a fisionomia
daquele que está comunicando,
a linguagem do dialeto.
Dialeto é uma forma
de comunicação especial,
íntima,
até mesmo carinhosa,
particular,
rara e importantíssima,
para quem está envolvido(a)
naquele momento
em que determinada comunicação
está acontecendo.
Use seus olhos,
sua mente e seu coração.
Abra-os.
Deixe-se encantar.
Deixe-se atrair
pela beleza.
A beleza
da natureza,
é algo espetacular,
atrai e desperta
a admiração.
Será que as belezas
foram ou são criadas
por acaso?
Não.
Não são feitas
do caos desorganizado,
nem pelas pequenas
mãos humanas.
Obras, arte feitas
pelos artistas humanos,
estão escondidas,
em museus
ou mansões.
A tela do céu
é muito grande,
imensa,
abraçando
e distanciando-se,
mudando de cor,
a cada minuto,
até confundir-se,
com a noite,
escondendo-se,
indo embora,
dizendo,
até amanhã.
Obras-primas,
da natureza,
rabiscadas,
quase sempre,
de madrugada,
ou nas tardinhas,
pintadas lá no céu,
são sempre novas,
criativas,
formas e cores livres,
expostas gratuitamente,
na galeria da Avenida Terra.
Dá para desconfiar
da presença
de um Engenheiro,
de um Artista,
invisível, Misterioso,
ansiando
tornar-se conhecido?
Existe sim,
um tipo
de comunicação mística,
quando se decodifica
o dialeto da natureza.
Aprendi que mística
é a arte de misturar
as coisas da Terra
com as do Céu.
Contemplar
a beleza da natureza
é desconfiar-confiando,
de que há
um misterioso SER
contagiante, envolvente,
invisível, por perto,
ansiando tornar-se visível.
Mas não pode.
Não pode violentar
a natureza.
Mas que bom que é assim,
que se esconda,
atrás das belezas,
atrações, convites,
mistérios cativantes,
tanta variedade
para curtir
e degustar.
Não quero,
não espero,
que se apresente todo inteiro,
na minha frente.
Prefiro procurar,
ir decifrando,
contemplando,
beliscando,
pelas beiradas,
adivinhando,
mas não esgotando.
Prefiro ficar na sede,
do que saciado, sentar-me,
deitar-me no sossego
da conquista que sacia.
És esperto, psicólogo,
entendedor do profundo,
inesgotável pedagogia
da gota a gota.
Não me sacia
para que te busque.
Não se mostra
para que não me cegue.
Esparrama pistas,
brincando,
de esconde-esconde.
Não escolhestes
nenhuma língua oficial
para comunicar-se conosco.
Preferistes usar
um dialeto
de fácil interpretação.
Mas este dialeto,
das formas e das cores,
é apenas um meio
de comunicação visual.
Quais outros meios
de comunicação,
disponibilizas
para nosso entendimento?
Não nos destes
poderes especiais?
Deste-nos sim,
a inteligência,
o discernimento,
a reflexão,
a meditação,
a contemplação.
E os dialetos.
Desculpa-nos, Senhor,
a falta de uso
destes dons
que nos destes,
desde o nosso nascimento,
e que estão à nossa disposição,
mal aproveitados.
Se nós não te entendemos
e não conseguimos entender
vossos sinais
de comunicação,
é porque
ainda não aprendemos
nenhum dialeto.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 07/07/2018
Publicado no Blog Heipo’s World
e no FACE em 07/07/2018

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