terça-feira, 24 de julho de 2018

481.- Palavras. Encontros. Desejo um encontro, completo, lá longe, sem presenças. Sem palavras.



Usamos constantemente a cabeça

para todas as atividades mentais

que fazemos.

 

Muitas vezes,

porém,

a mente

leva-nos para a secura,

para a crítica,

para a defesa

de um sistema de crenças,

despertando os preconceitos,

esvaziando

e empobrecendo

o momento, as relações

e os encontros.

 

Por isso é necessário

conhecer

como a mente funciona.

 

Não há suavidade na mente.

 

Há normas, crenças,

conceitos e preconceitos,

leis, convenções, tradição,

culpas e penalidades,

castigos e punições,

pressões, exigências,

cobranças,

sucessos e fracassos. 

 

Conhecer

como administrar a mente,

não deixando

que as crenças

e os preconceitos

reduzam os valores dos encontros,

com a natureza

e principalmente,

quando nós,

humanos,

nos encontramos.

 

Estejamos atentos

para não dar chances

para que a mente trapaceie

e estrague os bons momentos

que podemos vivenciar

com mais cargas afetivas.

 

A mente

tende a ser indiferente,

a ser crítica,

analista, avaliando

conforme o sistema de crenças

que formamos

em nossa longa

carreira de humanos.

 

Também somos como os animais,

com os instintos ativos 

           de defesa e ataque.

 

Somente quando evoluímos,

como pessoa conscientes,

agimos

com sentimentos

mais nobres.

 

Se não ativarmos a consciência,

procederemos com indiferença,

diante de alguém

que seja de outra religião,

de outra profissão

ou de outra classe social.

 

Como somos todos diferentes

e temos profissões diferentes,

formação diferente,

religiões diferentes,

opiniões diferentes,

visões e gostos diferentes,

cada vez mais,

corremos o risco,

de nos fecharmos

em nossas próprias convicções,

e vamos ficando cada vez

menos comunicativos,

menos participativos,

menos atraentes,

menos risonhos,

mais fechados,

mais tristes,

mais sós.

 

Toda vida

é comunicativa.

 

Tudo o que existe,

convida

ao relacionamento,

pois todos somos

incompletos,

diferentes,

com mais capacidades

de apreensão,

de compreensão,

com mais cargas afetivas

ou menos capacidades degustativas.

 

Existem pessoas tão diferentes,

que aprenderam mais,

observaram mais,

sintonizaram

com fontes invisíveis de energias,

que conseguem comunicar-se

com as árvores,

com as águas dos riachos,

com os animais,

com os passarinhos,

com a lua,

com o sol,

com as estrelas,

com a natureza toda.

 

Tem gente,

tão diferente,

que aprendeu

que toda a vida,

tudo o que existe,

é comunicação,

é diálogo incompleto,

desejando completar-se.

 

Quando nos enchemos

de conhecimento,

 de ideias,

não cabe mais nada

dentro de nós.

 

Então a mente,

insatisfeita,

ilude-nos,

impondo-nos sacrifícios desnecessários,

para conseguir mais conhecimento,

mais estudos,

mais bens de consumo,

mais status,

mais coisas inúteis,

sem nutrientes permanentes.

 

Parece que a mente

mente para nós,

afastando-nos da vida,

do chão da realidade

 e das emoções.

 

Cada um de nós 

é uma palavra,

um diálogo, 

incompleto.


Os encontros 

podem favorecer 

o completar das frases.

 

A verdade

da qual nós temos certeza

é que temos apenas

a necessidade

de ver, ouvir e falar

para nos comunicar,

e completar,

as frases incompletas.

 

A vida toda,

tudo o que existe,

é comunicação aberta.

 

Se nos deixarmos guiar

pela mente, somente,

corremos o risco

de nos fechar

em nossas crenças,

em nossos conhecimentos,

ainda incompletos,

desprovidos de sentimentos,

de compreensão

e compaixão.

 

Existem aproximações

que não se completam

em encontros.

 

Acontecem encontros,

apertos de mão,

em que

 toques afetivos

não se completam,

não preenchem

o vazio infinito

que existe dentro de nós.  

 

Existem muitas conversas,

 mas poucas aberturas

à intimidade,

que aquece,

e engravida,

as palavras.

 

Há um imenso espaço livre

 para os pensamentos,

em minha mente.

 

Há um infinito aberto

para a palavra,

a comunicação,

entre nós.

 

Convém prestar atenção à mente.

Talvez a ciência não seja racional.


Então, convém pensar com o coração

e expressar-se pelo olhar afetivo

 e carinhoso.

 

Talvez a sua mente

esteja fechada,

aprisionada

em suas crenças proibitivas,

moralizantes,

socialmente não aceitas,

que não te deixam soltar

as palavras,

desejosas de voar,

acima das coisas da terra.

 

 Nas alturas,

 meu coração anseia

que o encontro aconteça,

sem presenças, sem testemunhas,

sem palavras.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 24/07/2018

eneaspb@gmail.com

Publicado no blog Heipo World e no FACE em 24/07/2018


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