sábado, 4 de agosto de 2018

483.- Coração. Coração x razão. Convidados a ceder às seduções do coração.




Com a mente dizemos:
‘Te amo’.
Mas é o coração
que entende do amor.



Pesquisas recentes
dizem que temos
só um cérebro,
mas duas mentes
dois jeitos de pensar,
diferentes,
opostos,
dentro de uma mesma cabeça.


Os cientistas da neurociência
fizeram experiências
no cérebro
e na mente
de humanos,
e perceberam
que o cérebro do lado esquerdo,
chamado de Hemisfério Esquerdo
ocupa-se com operações
e pensamentos ligados à lógica,
é científico, calculista,
afim de engenharia,
matemática
e ciências exatas.


Ocupa-se e envolve-se
com o mundo do trabalho,
o mundo conhecido,
das certezas e seguranças,
do trabalho e das carreiras.


É o campo da razão pura,
do conhecimento,
da argumentação,
e da força,
das leis
e das crenças.


O Hemisfério Esquerdo,
com todas as características
do ser masculino,
envolve-se
com o planejamento,
com a eficiência,
seriedade,
posse,
poder,
política
e sucesso.


O outro lado do cérebro,
o Hemisfério Direito,
ocupa-se com as operações
ligadas ao saber sobre o amor,
sobre a verdade,
a arte,
a beleza,
a bondade,
a intuição,
à imaginação,
ao romantismo
a consciência,
a inteligência,
aos sentimentos,
contemplação,
meditação,
criatividade,
poesia,
música,
dança,
mistérios,
espiritualidade,
diálogo,
intercâmbios,
viagens.


Quem cultiva esse Hemisfério Direito,
é imprevisível, místico(a), inventor(a),
aventureiro(a), encantador(a)
e amante.


Ocupa-se e envolve-se
com o mundo desconhecido,
com aventuras,
riscos,
fracassos,
perdas,
inseguranças,
pobreza,
solidão,
incompreensões,
porém,
um ser desapegado
e livre
de tudo
e de todos.  


É o hemisfério
com características
femininas:
graça,
leveza,
charme,
ternura
e o carinho,
manifestam
este jeitão legal de ser.


Para esse Hemisfério Direito,
ainda não foram criadas escolas.
Deixem as mulheres governarem
e haverá.


O grande desafio
do ser humano
é ativar a luz da consciência
para unificar estes dois hemisférios,
de tal maneira que haja harmonia
e paz em nosso ser, e no mundo.  


O lado direito do cérebro
é o que dá acesso
à sabedoria,
que procura unificar
os dois hemisférios,
numa só alma.


A maior parte da humanidade
ainda vive a partir das forças
inconscientes dos instintos.


Não amadureceu
suficientemente
para perceber,
que o intelecto
pode alcançar
níveis de sabedoria existencial,
baseando-se nos padrões
do Hemisfério Direito.


Já estamos saturados.


Fomos levados, educados,
induzidos a seguir,
preferencialmente,
os caminhos da razão.


A mente condicionada,
fecha-nos
na teimosia
das seguranças.


Abrir-se ao mistério,
para a aventura,
diante do desconhecido,
abre espaços,
onde tudo se torna possível.


O padrão de educação
direcionado
para a política,
para o poder,
para a posse,
para a ambição
de ter mais
do que os outros,
não realizou o ser humano.


Essa visão de mundo
prejudicou-nos,
a tal ponto
que olhamos para os outros,
como concorrentes,
competidores,
inimigos.


As religiões,
que ocupam-se do mistério,
da divindade,
do coração,
da compaixão,
do perdão,
dos sentimentos,
como objetos principais
da sua pedagogia,
procuram despertar
o ser humano
para a grande verdade
de que somos iguais,
somos todos irmãos,
tivemos um mesmo começo,
vivemos num só planeta,
teremos todos o mesmo fim.


Mais importante
do que ter conhecimentos,
 diplomas, títulos de honras e méritos,
é possuir sentimentos nobres,
genuinamente humanos,
sensíveis, afetivos,
fraternais.


Vivemos
a doença da surdez.


Somos surdos
aos sussurros do coração.


Não demos ouvidos
às mães, às mulheres,
verdadeiras educadoras
do Hemisfério Direito
do nosso cérebro.  


Os homens,
escravos do Hemisfério Esquerdo,
exploradores
e destruidores do mundo,
esconderam, corromperam
a pedagogia do coração,
com as chaves do sucesso.


Inventaram os jogos,
competições, estatísticas,
o Prêmio Nobel,
as estatuetas do Oscar,
 a Revista Caras,
a Ilha da Fantasia.


Deixamo-nos contaminar,
e iludir
pelas razões do ego,
pelos convites
do luxo,
do conforto
e da honra.


As coisas ali de fora,
não preenchem o vazio,
 aqui de dentro.


Aqui dentro,
no coração,
existe uma energia misteriosa,
um eco de um grito dado,
lá atrás,
no início da criação,
que ressoa até hoje:
 “Você é filho do eterno.
Alimente-se
de eternidade,
fique atento(a)
aos anseios,
aos clamores
do seu coração”.


O teu coração
bate continuamente,
sedento, aspirando atenção,
atendimento às suas aspirações
longínquas, com afetos bem próximos.


Em meio a tantas tensões
que o mundo cria,
nos finais de semana
esquecemos da vida profissional,
deixamos tudo e entregamo-nos
ao lazer, à diversão, à dança,
e cultivamos as razões do coração.


É possível suavizar a subida,
atendendo, no dia a dia,
os convites do coração.


Estamos ainda sob os efeitos
das forças inconscientes do ego.


Escapamos,
da tirania dos instintos,
focando,
nas energias do coração,
o lugar sagrado
 da plenitude do ser,
que está em harmonia
com o universo todo.


A mente orgulhosa,
separa,
depila,
depena,
esgota,
explica
todo e qualquer conteúdo
por mais grande que seja.


O coração acolhe,
conhece-se,
aceita humildemente,
sua pequenez,
e aventura-se,
a tomar parte
na grandeza da criação,
 unindo-se
aos outros elementos do mundo,
sabendo que as carências
são percebidas e supridas
pelo Universo Provedor.


O coração
pode ser mais irracional,
mas sente, e aproveita melhor,
a aventura da vida.


Ao final da leitura deste texto
você pode ter ligado
o hemisfério esquerdo
e ativado a crítica,
que te sugere
que o texto
fugiu da realidade,
 do bom senso,
da lógica,
e da segurança.


Como você está acostumado(a)
a ouvir
a sua mente,
inconsciente,
é natural
aceitar esta visão racional,
fria e real,
do que perceber,
algum sutil sinal,
do coração,
convidando-te
a seguir em frente,
conscientemente.


Como é difícil
soltar as amarras,
perder a razão,
escutar o coração,
deixar-se levar,
pelas emoções.


Não é o que pensamos,
mas o que sentimos,
que dá significado
à vida.


Por isso, gostamos de assistir
aos shows da natureza,
dos artistas e cantores,
deixar-se encantar
pelo canto
das sereias.


Para aprofundar
algum assunto
deste texto, 
recomendo a leitura do livro:
‘Intuição, O Saber Além da Lógica’,
do escritor Osho,
Editora Cultrix.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 04/08/2018

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