terça-feira, 23 de janeiro de 2018

453.- Farisaísmo cristão. Olá fariseu, que dia envolvente!



“Se somos cristãos,

andamos com a vela apagada”.

Brennan Manning

 

Vou transcrever neste texto,

uma série de citações e pensamentos

de diversos autores,

com a finalidade

de servir de reflexão e parâmetros

para um exame de consciência,

para nós, que nos identificamos

como cristãos. 

 

“Só uma pessoa

que consegue viver

segundo os ensinamentos do Jesus Cristo

tem direito de se chamar de cristão”.

George Ivanovitch Gurdjieff,

em seu livro: Em Busca do Ser.

 

Nossa maneira de pensar de cristãos,

é mais ou menos assim:

achamos que somos cristãos

pela prática das virtudes,

pela prática dos mandamentos,

pela observância das orientações da Igreja

e pela nossa participação presencial 

numa comunidade.  

 

O que me abre

para o Deus Pai

não é, em primeiro lugar,

a minha virtude,

mas, sim,

as minhas fraquezas,

a minha incapacidade,

ou mesmo, o meu pecado”.

Anselmo Grun, em seu livro:

Espiritualidade a partir de si mesmo,

página 8, Editora Vozes.

 

“A verdadeira oração

surge do mais profundo

da nossa miséria,

e não das nossas virtudes”.

Anselmo Grun, em seu livro:

Espiritualidade a partir de si mesmo,

página 9, Editora Vozes.

 

É bem isso aí:

de vez em quando,

ou de vez em sempre,

somos fariseus, hipócritas,

fingidos e mascarados.

 

Se você se acha cristão,

reavalie-se.

 

Entre dentro desse espelho

avaliativo e comparativo.

 

Não é uma crítica

cega e revoltada

contra a Igreja

ou contra os religiosos,

sacerdotes, bispos, teólogos

ou escritores cristãos.

 

Que fique bem clara essa minha intenção,

e fique atento à tendência de julgar,

antes de julgar-se.

 

É uma atitude de purificação,

de afinação do senso crítico,

em separar o que ajuda

a nos tornar melhores,

mais tolerantes,

mais misericordiosos

e menos julgadores,

menos ritualistas,

menos cumpridores de regras,

mais humanos, mais cristãos, mais divinos.

 

Os fariseus

colocavam sua confiança,

no que estava escrito,

e fechavam-se,

para o Homem concreto,

e sua mensagem da graça”.

Brennan Manning,

O Evangelho Maltrapilho.

 

O que nós humanos mais queremos,

mais desejamos

é encontrarmos o Deus da Graça,

o Deus Misericordioso,

compreensivo, tolerante,

perdoador e acolhedor.

 

Queremos, desejamos,

o encontro pessoal,

com uma Pessoa,

não com homilias,

palavras,

palestras,

aula ou catequese.

 

Mais do que apenas viver

um dia atrás do outro,

o que desejamos

é viver mais profundamente,

cada vez mais conscientes,

da realidade última,

e das razões pelas quais vivemos.

 

Por QUEM vivemos.

 

Se até agora estamos insatisfeitos,

inseguros e confusos,

talvez ainda não saibamos

as razões pelas quais vivemos,

e não damos ouvido

ao Homem Verdade.

 

Há uma secreta

e misteriosa resistência

da maioria dos seres humanos

quanto às verdades reveladas pelas Religiões.

 

“A Verdade vos libertará”,

disse e escreveu o Apóstolo Paulo.

 

O Jesus Cristo se apresentou

dizendo: Eu Sou a Verdade.

 

Os princípios da religião

são exigentes,

pois solicitam coerência

entre o que sabemos ser verdade,

e o que realmente

é confirmado com as nossas ações.

 

Na teoria, nos números, nas estatísticas,

nós cristãos, somos uma grande família.

 

Na realidade,

o que vemos,

o que constatamos,

é que quase

não se dá muita importância

aos princípios da religião cristã,

e muito menos ao Filho do Homem.  

 

Na medida

que o respeito

pela Igreja organizada declinou,

a reverência por Jesus cresceu”.

Jeroslav Pelikan.

 

Nós fazemos parte de um povo batizado,

que se diz Igreja, Igreja do Jesus Cristo.

 

Fazemos parte de uma organização.

 

Somos uma Igreja organizada.

 

Muita bem organizada.

 

E isto nos dá,

inconscientemente,

 um certo status,

pois fazemos parte

desta ‘grandiosa’ organização,

obedecendo,

aos Mandamentos,

da Lei do Deus Pai

e da Igreja.

 

Cumprimos as leis,

rigorosamente.

E isto nos dá uma sensação

de segurança,

“estamos salvos”.

 

Qualquer Igreja

que não aceite

que é formada

por homens

e mulheres pecaminosos,

e que existe para eles,

rejeita explicitamente

o Espírito do Evangelho

do Jesus Cristo”.

Brennan Manning,

em seu livro:

O Evangelho Maltrapilho.

 

 

“Se a Igreja é o Corpo do Cristo,

por sua própria natureza redentora,

tem que incorporar

não só os pecados

da humanidade,

mas os próprios homens

e mulheres pecadores”.

Brennan Manning,

em seu livro:

O Evangelho Maltrapilho.

 

“A Igreja

não é um museu

para santos,

mas um hospital

para pecadores”.

Morton Kelsey

 

Se refletíssemos um pouco mais,

se nos olhássemos no espelho da vida,

não daríamos tanta importância

se durante o dia, alguma coisa,

provocasse alguma sujeira

em nossa tão querida

personalidade

egocêntrica.

 

Sentir-se puro,

limpo,

o tempo todo,

é pensamento de fariseu,

é coisa de mascarado,

é ilusão que o ego cria.

 

Se nós, cristãos,

bispos, sacerdotes e religiosos

nos preocupássemos

um pouquinho menos

com nosso status

e um pouquinho mais

com a fotografia

do Reino do Deus Pai

que está aqui na Terra,

veríamos,

uma grande parte do rebanho,

afastada,

das nossas fraternidades.

 

E não temos coragem

de nos perguntar ‘por quê?

 

Porque os pastores

deixaram de ser pastores.

 

Preocuparam-se

em adquirir mestrado,

doutorado, pós-doutorado,

estudos especiais

em teologia,

e esqueceram,

que estamos no mundo,

dos necessitamos,

não de palavras,

não de conhecimentos,

mas de pessoas próximas,

de pastores que vivem junto

com as ovelhas, no mesmo pasto.

 

Assis nos sentimos,

como ovelhas sem pastor. 

 

Porque

somos do falar

e não do fazer,

da razão e não,

do coração.

 

Porque

os pastores de hoje

vivem vida de rico.

 

Quando se prega uma teologia,

catequese ou homilia,

a partir de cima,

a partir da estrutura

e da organização da Igreja,

a partir do poder do Deus dos céus,

para os leigos, os analfabetos,

das coisas do Deus dos Céus,

corre-se o risco

de se perder a sensibilidade,

olhando para as ovelhas,

como objetos a serem educados,

e não como ovelhinhas

a serem amadas,

compreendidas,

 nas suas fragilidades.

 

Quem caminha pelas estradas da vida,

necessita ser compreendida

em sua dimensão de fragilidade.

Necessita de ajuda material,

necessita ser amada,

amparada,

carregada no colo.

 

A alma do ser humano

carrega também um lado sombrio.

 

Não se lê receitas culinárias

para quem está passando fome”,

disse Leonardo Boff.

 

Quem estuda muito

acaba vivendo no mundo do abstrato.

 

A classe cristã está nesta situação.

 

Quem não estuda

vive dentro do mundo real,

desconfortável, exigente.

 

Se olharmos para os lados,

qualquer lado,

há apenas

lições a serem aprendidas,

e trabalhos a serem realizados,

respostas a serem respondidas,

na Terra, no chão, na carne nua e crua.

 

Na nossa realidade cristã,

nosso modo de viver em fraternidades,

quantos movimentos

de espiritualidade

estão organizados

dentro da grande estrutura da Igreja,

cujos ideais obedecem ao princípio

da busca de formação permanente.

 

Sempre em formação, quase nunca

em posição de trabalho.

 

E nós?

 

Cada um de nós,

contentes

porque fomos à missa dominical,

e fazemos nossas orações diárias

em nosso altar do superego.

 

Fizemos um acordo

com nosso deus pessoal,

criado por nós mesmos:

Não nos incomode’.

 

Não foi ensinado para nós,

cristãos do século XXI,

encontrar-se

com o Deus vivo

do Jesus Cristo,

Pessoa viva,

desconhecida,

andando por aí,

ao nosso lado

e nas periferias.

 

Iríamos longe,

assistindo os jornais

e avaliando

nossa caminhada de cristãos,

 ou de fariseus.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 23/01/2018

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no FACE em 23/01/2018

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