“Se somos cristãos,
andamos com a vela
apagada”.
Brennan
Manning
Vou transcrever neste
texto,
uma série de citações
e pensamentos
de diversos autores,
com a finalidade
de servir de reflexão
e parâmetros
para um exame de
consciência,
para nós, que nos identificamos
como cristãos.
“Só uma pessoa
que consegue viver
segundo os ensinamentos do Jesus Cristo
tem direito de se chamar de cristão”.
George Ivanovitch
Gurdjieff,
em seu livro: Em Busca
do Ser.
Nossa maneira de pensar de cristãos,
é mais ou menos assim:
achamos que somos cristãos
pela prática das virtudes,
pela prática dos mandamentos,
pela observância das orientações da Igreja
e pela nossa participação presencial
numa comunidade.
“O que me
abre
para o Deus Pai
não é, em primeiro lugar,
a minha virtude,
mas, sim,
as minhas fraquezas,
a minha incapacidade,
ou mesmo, o meu pecado”.
Anselmo
Grun, em seu livro:
Espiritualidade
a partir de si mesmo,
página
8, Editora Vozes.
“A verdadeira oração
surge do mais profundo
da nossa miséria,
e não das nossas virtudes”.
Anselmo
Grun, em seu livro:
Espiritualidade
a partir de si mesmo,
página
9, Editora Vozes.
É bem isso aí:
de vez em quando,
ou de vez em sempre,
somos fariseus,
hipócritas,
fingidos e
mascarados.
Se você se acha
cristão,
reavalie-se.
Entre dentro desse
espelho
avaliativo e
comparativo.
Não
é uma crítica
cega
e revoltada
contra
a Igreja
ou
contra os religiosos,
sacerdotes,
bispos, teólogos
ou
escritores cristãos.
Que
fique bem clara essa minha intenção,
e
fique atento à tendência de julgar,
antes
de julgar-se.
É
uma atitude de purificação,
de
afinação do senso crítico,
em
separar o que ajuda
a
nos tornar melhores,
mais
tolerantes,
mais
misericordiosos
e
menos julgadores,
menos
ritualistas,
menos
cumpridores de regras,
mais
humanos, mais cristãos, mais divinos.
“Os fariseus
colocavam sua
confiança,
no que estava escrito,
e fechavam-se,
para o Homem
concreto,
e sua mensagem da
graça”.
Brennan
Manning,
O
Evangelho Maltrapilho.
O que nós humanos
mais queremos,
mais desejamos
é encontrarmos o Deus
da Graça,
o Deus
Misericordioso,
compreensivo,
tolerante,
perdoador e
acolhedor.
Queremos, desejamos,
o encontro pessoal,
com uma Pessoa,
não com homilias,
palavras,
palestras,
aula ou catequese.
Mais do que apenas
viver
um dia atrás do
outro,
o que desejamos
é viver mais
profundamente,
cada vez mais
conscientes,
da realidade última,
e das razões pelas
quais vivemos.
Por QUEM vivemos.
Se até agora estamos
insatisfeitos,
inseguros e confusos,
talvez ainda não
saibamos
as razões pelas quais
vivemos,
e não damos ouvido
ao Homem Verdade.
Há uma secreta
e misteriosa resistência
da maioria dos seres
humanos
quanto às verdades
reveladas pelas Religiões.
“A Verdade vos
libertará”,
disse e escreveu o
Apóstolo Paulo.
O Jesus Cristo se
apresentou
dizendo: Eu Sou a
Verdade.
Os
princípios da religião
são exigentes,
pois solicitam
coerência
entre o que sabemos
ser verdade,
e o que realmente
é confirmado com as
nossas ações.
Na
teoria, nos números, nas estatísticas,
nós cristãos, somos
uma grande família.
Na realidade,
o que vemos,
o que constatamos,
é que quase
não se dá muita
importância
aos princípios da
religião cristã,
e muito menos ao
Filho do Homem.
“Na medida
que o respeito
pela Igreja
organizada declinou,
a reverência por
Jesus cresceu”.
Jeroslav
Pelikan.
Nós fazemos parte de
um povo batizado,
que se diz Igreja,
Igreja do Jesus Cristo.
Fazemos parte de uma
organização.
Somos uma Igreja
organizada.
Muita bem organizada.
E isto nos dá,
inconscientemente,
um certo status,
pois fazemos parte
desta ‘grandiosa’ organização,
obedecendo,
aos Mandamentos,
da Lei do Deus Pai
e da Igreja.
Cumprimos as leis,
rigorosamente.
E isto nos dá uma
sensação
de segurança,
“estamos salvos”.
“Qualquer Igreja
que não aceite
que é formada
por homens
e mulheres
pecaminosos,
e que existe para
eles,
rejeita
explicitamente
o Espírito do
Evangelho
do Jesus Cristo”.
Brennan
Manning,
em
seu livro:
O
Evangelho Maltrapilho.
“Se a Igreja é o Corpo do Cristo,
por sua própria natureza redentora,
tem que incorporar
não só os pecados
da humanidade,
mas os próprios homens
e mulheres pecadores”.
Brennan
Manning,
em
seu livro:
O
Evangelho Maltrapilho.
“A Igreja
não é um museu
para santos,
mas um hospital
para pecadores”.
Morton
Kelsey
Se refletíssemos um
pouco mais,
se nos olhássemos no
espelho da vida,
não daríamos tanta
importância
se durante o dia,
alguma coisa,
provocasse alguma
sujeira
em nossa tão querida
personalidade
egocêntrica.
Sentir-se puro,
limpo,
o tempo todo,
é pensamento de
fariseu,
é coisa de mascarado,
é ilusão que o ego
cria.
Se nós, cristãos,
bispos, sacerdotes e
religiosos
nos preocupássemos
um pouquinho menos
com nosso status
e um pouquinho mais
com a fotografia
do Reino do Deus Pai
que está aqui na
Terra,
veríamos,
uma grande parte do
rebanho,
afastada,
das nossas fraternidades.
E não temos coragem
de nos perguntar ‘por
quê?
Porque os pastores
deixaram de ser
pastores.
Preocuparam-se
em adquirir mestrado,
doutorado,
pós-doutorado,
estudos especiais
em teologia,
e esqueceram,
que estamos no mundo,
dos necessitamos,
não de palavras,
não de conhecimentos,
mas de pessoas
próximas,
de pastores que vivem
junto
com as ovelhas, no
mesmo pasto.
Assis nos sentimos,
como ovelhas sem
pastor.
Porque
somos do falar
e não do fazer,
da razão e não,
do coração.
Porque
os pastores de hoje
vivem vida de rico.
Quando se prega uma
teologia,
catequese ou homilia,
a partir de cima,
a partir da estrutura
e da organização da
Igreja,
a partir do poder do
Deus dos céus,
para os leigos, os
analfabetos,
das coisas do Deus
dos Céus,
corre-se o risco
de se perder a
sensibilidade,
olhando para as
ovelhas,
como objetos a serem
educados,
e não como ovelhinhas
a serem amadas,
compreendidas,
nas suas fragilidades.
Quem caminha pelas
estradas da vida,
necessita ser
compreendida
em sua dimensão de
fragilidade.
Necessita de ajuda
material,
necessita ser amada,
amparada,
carregada no colo.
A alma do ser humano
carrega também um
lado sombrio.
“Não se lê receitas culinárias
para quem está passando fome”,
disse Leonardo Boff.
Quem estuda muito
acaba vivendo no
mundo do abstrato.
A classe cristã está
nesta situação.
Quem não estuda
vive dentro do mundo
real,
desconfortável,
exigente.
Se olharmos para os
lados,
qualquer lado,
há apenas
lições a serem
aprendidas,
e trabalhos a serem
realizados,
respostas a serem
respondidas,
na Terra, no chão, na
carne nua e crua.
Na nossa realidade
cristã,
nosso modo de viver
em fraternidades,
quantos movimentos
de espiritualidade
estão organizados
dentro da grande
estrutura da Igreja,
cujos ideais obedecem
ao princípio
da busca de formação permanente.
Sempre em formação,
quase nunca
em posição de
trabalho.
E nós?
Cada um de nós,
contentes
porque fomos à missa
dominical,
e fazemos nossas
orações diárias
em nosso altar do superego.
Fizemos um acordo
com nosso deus
pessoal,
criado por nós
mesmos:
‘Não nos incomode’.
Não foi ensinado para
nós,
cristãos do século
XXI,
encontrar-se
com o Deus vivo
do Jesus Cristo,
Pessoa viva,
desconhecida,
andando por aí,
ao nosso lado
e nas periferias.
Iríamos longe,
assistindo os
jornais
e avaliando
nossa caminhada de
cristãos,
ou de fariseus.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 23/01/2018
Publicado no Blog Heipo World
e no FACE em 23/01/2018

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