sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

448.- Falta algo que me complete.

-

Do que é que nós ainda sentimos falta?

- Não está muito claro para mim.

- Uma coisa é certa,

sinto-me incompleto(a).

 

E o que nos falta,

nos motiva a procurar?

- Preciso me conhecer melhor,

mas só depois de criar coragem,

e parar, silenciar,

e retomar minha vida.

- Parece que devo

descer do trem automático.

 

Conseguirás enfrentar

as resistências,

o medo, a coerência?

 

Qual o nível da sua consciência

diante desse espelho?

 

Gostaria

de sentir

em dose dupla

o que todo mundo sente.

 

Gostaria

de ver

com quatro olhos

o que todo mundo vê com dois.

 

Gosto

mais do inesperado,

do que do esperado,

mais do futuro

do que o que já passou.

 

Muito mais

do que as palavras escritas,

gostaria de sintonizar,

antes, bem antes,

o que o poeta pensava,

imaginava e não conseguiu expressar.

 

Para muita gente,

tudo ou quase tudo é normal.

 

Mas o normal é tão fraco,

tão sem luz, sem brilho,

sem emoções, nem atrações.

 

O normal se equipara

a água morna.

 

Queria ver como os poetas,

como os artistas veem,

e traduzem.

 

Se tudo,

ou quase tudo é rotina,

a culpa é minha

que, não sei ver a beleza

onde ela está.

 

Que,

não sei ver a bondade

quando ela se manifesta.

 

Que,

não sabemos

 ser garimpeiro de noite,

 como o pirilampo,

piscar, sinalizar,

esvoaçar no escuro.  

 

Que,

sendo teimoso,

não olhamos para cima,

para as nuvens, para o céu.

 

Por trás

de tudo o que existe,

existe muita coisa,

que não é vista,

porque,

não fomos educados

para enxergar por dentro,

por trás das aparências.

 

Duvidamos do invisível

e somos fechados

para o mistério.

 

Sou meio homem.

Sou meio gente.

Meio humano.

 

Parece-me,

que assim somos todos nós.

 

E passamos sede.

 

E passamos fome.

 

Não de comida,

nem de bebida.

 

Sinto falta,

do que me falta.

 

Do que é que devo encher meu interior,

se nem sei como entrar nele,

nem ver nada lá.

 

Sentimos falta

do que nos é necessário

para vivermos em plenitude.

 

E assim mesmo vivemos,

inquietos, insatisfeitos,

com tudo,

com nós mesmos,

e com todos.

 

Minhas razões,

minha mente,

meus pensamentos

podem saber de tudo.

 

Para minha cabeça,

tanto faz, saber ou ignorar.

Minha mente é indiferente,

não sente.

Só o saber não preenche.

 

É o meu coração

que sofre do que me falta.

 

Nunca é bastante,

nunca está completo,

o estoque dos sentimentos.

 

Se te amo loucamente,

sou uma promessa

que não se cumpre,

não te contento

e aumento mais,

o que faz falta.

 

Sinto que existe,

existe sim,

aquilo que pode preencher,

completar as medidas.

 

Quanta coisa eu queria,

e não podia.

 

Quisera ser

como o galo,

cantar,

ao amanhecer,

todos os dias.

 

Quisera ser

como um cavalo

a galopar,

no mar,

nas areias da praia,

a qualquer hora,

do dia

ou da noite.

 

Queria ser

como a águia,

voando,

lá em cima,

cada vez mais alto,

vendo o distante, lá longe,

com olhos potentes, penetrantes,

ver aqui perto, bem pertinho.

 

Quero te tocar

e ser tocado.

 

É pouco,

é quase nada,

só lembrar,

e não tocar.

 

Teu corpo está longe,

tua imagem aqui está,

mas falta suas mãos,

envolvendo, acariciando,

 minha face.

 

Falta seu colo

onde deitar-me,

e olhar para teus olhos brilharem.

 

Falta o fundo musical,

 falta o salão,

falta você.

 

Nossos pensamentos voam.

 

Sobra inspiração.

 

O espaço é cruel.

 

A distância

complica tudo.

 

Queria tanto.

 

 Não me contento com pouco.

 

Quero tudo.

 

Não posso quase nada.

 

Quanto falta

para chegar lá,

onde nada mais faltará?

 

Cada um de nós,

é para o outro,

um filme que não termina,

uma história inacabada,

e o que falta parece ser

o nome do personagem principal,

que nunca aparece.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 05/01/2018

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo’s World

e no FACE em 05/01/2018.

Atualizado em 29/01/2024.

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