Do que é que nós ainda sentimos falta?
-
Não está muito claro para mim.
-
Uma coisa é certa,
sinto-me
incompleto(a).
E
o que nos falta,
nos
motiva a procurar?
-
Preciso me conhecer melhor,
mas
só depois de criar coragem,
e
parar, silenciar,
e
retomar minha vida.
-
Parece que devo
descer do trem automático.
Conseguirás
enfrentar
as
resistências,
o
medo, a coerência?
Qual
o nível da sua consciência
diante
desse espelho?
Gostaria
de sentir
em dose dupla
o que todo mundo
sente.
Gostaria
de ver
com quatro olhos
o que todo mundo vê
com dois.
Gosto
mais do inesperado,
do que do esperado,
mais do futuro
do que o que já
passou.
Muito mais
do que as palavras
escritas,
gostaria de sintonizar,
antes, bem antes,
o que o poeta
pensava,
imaginava e não
conseguiu expressar.
Para muita gente,
tudo ou quase tudo é
normal.
Mas o normal é tão
fraco,
tão sem luz, sem
brilho,
sem emoções, nem
atrações.
O normal se equipara
a água morna.
Queria ver como os
poetas,
como os artistas veem,
e traduzem.
Se tudo,
ou quase tudo é
rotina,
a culpa é minha
que, não sei ver a beleza
onde ela está.
Que,
não sei ver a bondade
quando ela se
manifesta.
Que,
não sabemos
ser garimpeiro de noite,
como o pirilampo,
piscar, sinalizar,
esvoaçar no escuro.
Que,
sendo teimoso,
não olhamos para
cima,
para as nuvens, para
o céu.
Por trás
de tudo o que existe,
existe muita coisa,
que não é vista,
porque,
não fomos educados
para enxergar por
dentro,
por trás das
aparências.
Duvidamos do
invisível
e somos fechados
para o mistério.
Sou meio homem.
Sou meio gente.
Meio humano.
Parece-me,
que assim somos todos
nós.
E passamos sede.
E passamos fome.
Não de comida,
nem de bebida.
Sinto falta,
do que me falta.
Do que é que devo
encher meu interior,
se nem sei como
entrar nele,
nem ver nada lá.
Sentimos falta
do que nos é
necessário
para vivermos em
plenitude.
E assim mesmo
vivemos,
inquietos,
insatisfeitos,
com tudo,
com nós mesmos,
e com todos.
Minhas razões,
minha mente,
meus pensamentos
podem saber de tudo.
Para minha cabeça,
tanto faz, saber ou
ignorar.
Minha mente é
indiferente,
não sente.
Só o saber não
preenche.
É o meu coração
que sofre do que me
falta.
Nunca é bastante,
nunca está completo,
o estoque dos
sentimentos.
Se te amo loucamente,
sou uma promessa
que não se cumpre,
não te contento
e aumento mais,
o que faz falta.
Sinto que existe,
existe sim,
aquilo que pode
preencher,
completar as medidas.
Quanta coisa eu
queria,
e não podia.
Quisera ser
como o galo,
cantar,
ao amanhecer,
todos os dias.
Quisera ser
como um cavalo
a galopar,
no mar,
nas areias da praia,
a qualquer hora,
do dia
ou da noite.
Queria ser
como a águia,
voando,
lá em cima,
cada vez mais alto,
vendo o distante, lá
longe,
com olhos potentes,
penetrantes,
ver aqui perto, bem
pertinho.
Quero te tocar
e ser tocado.
É pouco,
é quase nada,
só lembrar,
e não tocar.
Teu corpo está longe,
tua imagem aqui está,
mas falta suas mãos,
envolvendo, acariciando,
minha face.
Falta seu colo
onde deitar-me,
e olhar para teus
olhos brilharem.
Falta o fundo
musical,
falta o salão,
falta você.
Nossos pensamentos
voam.
Sobra inspiração.
O espaço é cruel.
A distância
complica tudo.
Queria tanto.
Não me contento com pouco.
Quero tudo.
Não posso quase nada.
Quanto falta
para chegar lá,
onde nada mais
faltará?
Cada um de nós,
é para o outro,
um filme que não
termina,
uma história
inacabada,
e o que falta parece
ser
o nome do personagem principal,
que nunca aparece.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 05/01/2018
Publicado no Blog Heipo’s World
e no FACE em 05/01/2018.
Atualizado em 29/01/2024.

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