Toda obra de arte,
toda criação
é portadora de mensagem,
visível,
às vezes,
e outras,
necessita de interpretação,
de perguntas e respostas.
Toda obra de arte
foi criada para um fim,
carrega finalidade,
por sua beleza,
conteúdo e intenção do autor.
Cada objeto,
cada ferramenta,
cada ação,
serve para alguma razão.
Algumas bem visíveis,
outras bem escondidas,
esperando interpretação.
Eis-me aqui,
fazendo parte
da imensa teia da vida,
a cadeia alimentar,
a fraternidade cósmica,
onde tudo se encaixa
no processo da evolução.
Tenho a impressão
de ter um valor,
uma finalidade.
Serei eu,
uma obra de arte?
Se sim,
estou na fase
do inacabado.
Devo ter alguma importância,
algum conteúdo valioso,
Uma mensagem,
e finalidade.
- Se fui chamado à existência;
- Se os bens de maior valor
sempre se encontram
nas profundidades.
- Se estou capacitado
com as ferramentas necessárias
para cavar, para encontrar,
para
entender;
- Se tenho inteligência,
conhecimento,
capacidade de raciocinar,
conquistar conhecimentos,
pesquisar e encontrar respostas;
- Se devo procurar penetrar
as questões mais insondáveis
e misteriosas, ocultas,
por trás da poeira da rotina,
escondidas sob aparências
ou superfícies,
bem nas profundidades;
Sinto-me
no dever de retribuir,
não ser indiferente
a tão grande presente
e participar
desta extraordinária aventura.
Uma pintura,
uma obra de arte qualquer,
uma paisagem,
uma pessoa
revela muito mais
do que o observador está vendo.
Existe um Autor,
uma intenção desconhecida,
não mapeável ainda, a ser descoberta.
Além do mundo, de tudo o que é visível,
há outro mundo com dimensão invisível
que também faz parte
do que deve ser procurado,
decifrado e incorporado
em nossas pesquisas e projetos.
Uma pessoa humana,
obra de arte inacabada,
talvez também tenha alguma rica
e extraordinária mensagem
escondida, lá dentro.
Parece-me
que devo viver de forma coerente
com as capacidades que tenho.
Se tenho inteligência,
se tenho perguntas não respondidas,
ser coerente
significa colocar-me a caminho,
ir atrás,
procurar.
A acomodação
não combina
com coerência racional
e ambições de eternidade.
Se tenho capacidades
para sair, explorar,
conhecer além das fronteiras,
convém movimentar-me,
sair, explorar, perguntar.
Sentar-me, desistir antes de começar,
revela fraquezas, curta visão,
permanência no mundo animal,
instintivo e limitante.
Olhando para fora,
vejo muitas pessoas
dentro do barco da vida
guardando moedas
que só valem para este tempo.
Vejo também pessoas enganadas,
desviadas da atenção ao foco,
desatentas do farol que alerta
os perigos na navegação.
Confiaram a outros
o leme
de comando
do próprio navio.
Já que estou aqui,
vivendo,
preciso saber da vida
e de tudo aquilo
que diz respeito à vida,
e o que tem, depois,
na continuidade desta vida.
Não quero passar por aqui
como alguém que está viajando,
navegando como turista,
sentado, irresponsável,
enterrando os talentos recebidos
com o dom da vida.
É incoerente
e desrespeito ao criador,
não colocar em ação os dons
que fizeram de cada um de nós,
um ser perfeito,
completo, com capacidades
para serem colocadas em ação.
Não é coerente
manter dormindo
ou sufocadas
os bens que temos
à nossa disposição.
Só temos uma saída
que seja digna
da perfeição com que fomos criados:
que nossa maneira de ser,
nosso comportamento
e nossas atividades
respondam SIM
a tudo aquilo
que recebemos de bom.
Já que estamos aqui,
neste grande universo,
com toda essa gente,
com tantas ações
e preocupações,
com a consciência desperta,
digamos: EIS-ME AQUI.
Não podemos fugir de nós mesmos,
fugir dessa responsabilidade,
pois que estamos vivos.
Manter esta postura
nos mantém unidos,
em conexão
com todas as forças vivas
e otimistas do universo.
Qualquer outra postura
nos levará à divisão
e à consequente falência
daquilo que somos,
projetados para a complementação,
e aperfeiçoamento contínuo.
Percebemos sim,
as fraquezas
e limitações humanas,
as alturas e os abismos
e os fracassos desfilando.
Percebemos sim,
as capacidades latentes
em cada pessoa humana,
algumas ainda não liberadas,
ainda dormindo,
esperando a hora de acordar.
É sintoma
de sabedoria
concentrar-nos
nas possibilidades
do que somos e do que temos,
cultivando esperanças,
correndo riscos,
mas procurando sempre
as respostas
que vão abrindo portas,
e desapegando
das obras fechadas,
acabadas.
No mar da vida,
somos como
um frágil barquinho,
porém, mãos
poderosas
estão no
leme.
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
Criado em 10/08/2015.
Atualizado em 22/09/2019

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