A
palavra
já
não revela
o
encanto,
os
mistérios,
os
elementos,
a
geografia,
os
mundos
desconhecidos.
A
palavra
não
traduz mais
o
que é importante,
o
que é sagrado.
A
palavra
só
descreve
o
que se enxerga.
Se
vai mais além,
não
credita
os
mistérios
que
deseja trazer
à
superfície.
Como
gostaria
que
minhas palavras
revelassem
o interior,
a
alma das coisas,
ficasse
exposta,
e
vivificasse
a
sua alma,
e
ficasse ainda,
um
recanto inexplorado,
uma
interrogação,
para
um futuro diálogo.
Gostaria
de escrever palavras
que
contivessem chaves
para
o desconhecido,
para
o mistério
ainda
encoberto.
Mas
fica chato,
quando
se fala,
com
ou sem autoridade,
sobre
tudo e sobre todos,
tirando
o véu
que
encobre
a
surpresa,
que
esconde.
Tem
gente,
eu
entre elas,
que
prefere o silêncio
diante
das pessoas,
e
das paisagens.
A
palavra,
de
tão usada,
perdeu
sua força,
já
não se sustenta
diante
de tanta indiferença.
Tagarelar,
escrever,
pode
encher o vazio
de
letras mortas,
famílias
de frases
sem
raízes e sem finalidades,
empobrecendo
um encontro
que
poderia ser grávido
de
novidades inimagináveis,
de
diálogos amanhecidos.
Se
da leitura
não
despertar a curiosidade
e
a vontade de mudar,
não
germinar ideais,
faltou
algo,
no
escritor
ou
no leitor.
Por
isso,
o
ato de escrever
torna
o escritor,
responsável,
pelo
ânimo,
pelo
humor,
pela
vida de quem lê,
e
pela transformação
da
sociedade.
Então,
o poeta, o escritor,
assume
a função de profeta,
cutucar,
alertar, desacomodar,
despertar o
senso crítico,
libertar
de
qualquer
tipo de escravidão.
O
leitor
vive
surfando
entre
muitos eventos.
É
alguém que não tem tempo para ler,
para
estudar, parar, fazer silêncio,
e
conhecer a fonte interna,
o
núcleo divino,
sua
alma.
O
leitor de hoje,
não
gosta de textos longos,
prefere
imagens,
que
provocam reações automáticas,
sem
nenhuma necessidade de esforço
e
interpretação.
Na superfície das
ondas
não se encontram
raízes,
nem a fonte
de todo bem.
O que permanece
na superfície dos
lagos
dos rios e mares, é
lixo, leve,
que boia, por falta
de peso,
de conteúdo e
substância.
Se possui algum
valor,
submerge, afunda,
agrega valor
e se ajeita
na alma
da gente.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 13/09/2019

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