terça-feira, 3 de setembro de 2019

660.- Adorar. Ah, se aprendêssemos adorar!




Propomos a criação
de uma nova ciência,
que nos capacite,
desde já, a participarmos
das atividades do céu,
ainda que não o tenhamos alcançado.

Ainda um tema de estudos
precisa fazer parte das lições
mais importantes do livro da vida. 

        Trata-se da característica
das grandes personalidades,
dos grandes personagens
que experimentaram e vivenciaram
a virtude da gratidão.


A arte de adorar
   produz nos humanos
      alguns efeitos      
         com características
            e sabores
                sobrenaturais. 


      Temos sim,
      em nossa estrutura humana,
      componentes sobrenaturais,
      gratuitamente acoplados
      em nossa caixa de ferramentas.

Só aos que quiserem.
Não precisamos forçar tanto,
         pois que não deixamos de ser humanos
                 enquanto estivermos por aqui. 

O que queremos realçar
é a gostosa experiência
          que fazemos quando ‘adoramos’. 

É uma experiência que amplia,
        enriquece, sublima e eleva
              nossas poucas experiências
                      bem humanas,
                       elevando-as a um nível
                      que não ousamos subir,
                         por falta de conhecimento
                       e de prática.  

 É um novo desafio
   que propomos
     dentro da cadeira pedagógica
       do amor:
          conquistar essa ciência,
                dentro da faculdade
                  ou da universalidade
                    do amor.

Através dessa ciência
    a pessoa
       centra o foco de atenção
          no seu Criador
            e em todas as suas criações,
               ativa a faculdade da admiração,
                  e através dos seus efeitos,
                      desemboca na gratidão. 

É o que se chama
‘viver
em estado de graça’.

                  Adorar
             é um ato de sair de si,
                e o efeito é sentido dentro
                   de si mesmo,
                        no sentimento
                           de gratidão.

               Gratidão ao Pai
       Criador do céu e da terra
       e a todas as criaturas e elementos
       que compõem o universo. 

                                 Mas vejam bem,
                          o sentimento da gratidão,
                          é consequência. 

                                  É o resultado
                          do ato de admirar e adorar.

Admirar é sair de si
   e encontrar lá fora,
       motivos, razões
          e fundamentos
               de admiração
                    e adoração.

Estas são atitudes enriquecedoras,
pois trazemos para dentro de nós
o que é belo,
harmonioso,
cheio de conteúdos e significados
que realizam
e despertam em nós
a nobreza. 

Se soubéssemos adorar,
dizia Frei Ignácio Larrañaga*,
atravessaríamos a vida,
como a calma dos grandes rios. 

Frei Ignácio Larrañaga 04/05/1928-30/10/2013, foi sacerdote capuchinho espanhol, fundador das Oficinas de Oração, pregador de retiros, escritor, criador dos Encontros de Experiência com Deus. Autor de dezenas de livros: Mostra-me teu Rosto, O silêncio de Maria, O Sentido da Vida, As Forças da Decadência, Suba Comigo, entrre outros.

Transcrevemos um pequeno trecho
sobre o adorador
na visão do Frei Ignácio.

“O adorador é uma pessoa,
com uma consciência
dominada pela surpresa.

A surpresa
é um desprendimento,
um sair de si mesmo,
sair daquelas amarras,
apropriações e aderências,
mediante as quais
a pessoa ata a si mesma
e às demais criaturas
ao seu elo central.

Somente a admiração
é capaz de tirar o ser humano
do isolamento egocêntrico
e libertá-lo
das auto complacências
e autossuficiências.

É preciso ser livre
até de si mesmo
para poder admirar
e adorar”.

Vamos buscar
outra personalidade
que também fez a experiência
de adorador.

Procuremos penetrar
na personalidade
do cidadão italiano,
Francisco de Assis*. 

São Francisco de Assis 05/07/
1182-04/10/1226. Foi religioso e santo Italiano. Nasceu e morreu em Assis, Itália. Foi o fundador da Ordem Religiosa dos Franciscanos. É o patrono da Ecologia. Foi o autor do Hino ao irmão Sol e da Oração “Senhor Fazei de Mim um Instrumento da Sua Paz”.

 Foi ele uma das poucas pessoas
que mais próximo chegou,
identificando-se a aproximando-se
da personalidade do Jesus Cristo.

Ao conhecer mais profundamente
a personalidade deste homem,
através dos livros,
conseguimos perceber
como ele recuperou
a inocência original,
a leveza dos passos,
o carinho e a ternura,
a empatia com todas as criaturas
a ponto de chamá-las, todas,
de irmãs.

Suas palavras e atitudes
foram de louvor,
adoração
e gratidão.

Eis a manifestação
do Francisco de Assis,
através do Cântico das Criaturas:

“Altíssimo,
onipotente, bom Senhor,
teus são os louvores,
a glória, a honra
e toda benção.

A ti, somente,
altíssimo, eles convêm,
e nenhum homem
é digno de te imitar.

Louvado seja, meu senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão sol,
que faz o dia e, por ele, alumia.
E ele é belo e radiante,
com grande esplendor,
de ti Altíssimo,
traz imagem.

Louvado seja, meu senhor,
pela irmã lua e pelas estrelas.
No céu formaste-as claras
e preciosas e belas.

Louvado seja, meu senhor,
pelo irmão vento
e pelo ar e pelas nuvens
e pelo sereno da noite,
e por todo tempo,
pelo qual às tuas criaturas
dás sustento.

Louvado seja, meu senhor,
pela irmã água,
a qual mui útil é
e humilde
e preciosa
e casta.

Louvado seja, meu senhor,
pelo irmão fogo,
pelo qual iluminas a noite.
Ele é belo e alegre, robusto e forte.

Louvado seja, meu senhor,
por nossa irmã, a mãe terra,
a qual nos sustenta e governa,
e produz diversos frutos
com coloridas flores
e ervas.

Louvado seja, meu senhor,
por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam doenças e tribulações.

Felizes
os que sustentam
e promovem a paz,
que por ti serão coroados.

Louvado seja, meu senhor,
pela irmã nossa, a morte corporal,
da qual nenhum vivente pode escapar.

Felizes os que se encontrarem
na tua santíssima vontade,
a quem a segunda morte
não lhes fará
nenhum mal.

Louvai e bendizei o meu senhor,
e agradecei-lhe
e servi-o
com grande humildade”.

Nestas poucas linhas
percebemos
como acontece
a prática da adoração.

É focar a atenção
nos elementos
e criaturas externas,
procurando motivos,
razões,
argumentos
e fundamentos,
do ato de admirar
e adorar.

Assim também acontece
quando estamos diante
de qualquer obra de arte.

Assistir ao pôr do sol,
        sempre que possível,
é um bom exercício
para ir praticando
e aperfeiçoando,
até chegar a ser
adorador.

Ah, se aprendêssemos
a adorar,
não sobraria tempo
para julgar
nem criticar,
porque estaríamos
mais concentrados
no que é bom
e belo,
agradável,
construtivo
e eterno.

Eneas Paulo Budel Bogucheski                      
Atualizado em 29/08/2015
Atualizado em 03/09/2019

Nenhum comentário:

Postar um comentário