terça-feira, 29 de outubro de 2019

688.- Escrevo como profeta.





Gosto de escrever,

diferente,

sem me preocupar

com as regras da academia.



Meus erros,

meus defeitos,

minhas imperfeições,

fazem parte da minha biografia.



Não me preocupo

em escrever,

como poeta,

talvez me aproxime mais

do estilo dos profetas,

lendo a realidade,

meditando-a,

interiorizando-a

engravidando,

dando luz para as trevas.



As formas

de ensino e aprendizagem

que ainda hoje se praticam

nos bancos escolares e universitários,

esperam promoções, adaptações, inovações.

   

A poesia

é um método educativo

que poderia ser disponibilizado

às crianças e estudantes de hoje.



Com poesia

se aprenderia mais

do que com os métodos tradicionais,

alcançaria a sensibilidade afetiva.



Com música,

composições e cantorias,

também se aprenderia,

porque cativam mais,

agradam todo ser.  



A poesia,

e a música,

alçam voos

além das fronteiras

do chão e da razão.



Acordam a alma,

esquentam as emoções

e lançam voos

para as estrelas,

lugar ideal

para onde se deseja ir.



Não deixem

acostumar-me por estas terras.



Não permitam

que eu goste

de morar por aqui.



Não se acostumem também.



Cutuquemos

a acomodação.



Não insistamos

em fincar raízes

na terra árida.



Procuremos a terra fértil

onde se encontram os principais

e mais importantes nutrientes

que alimentam o impossível,

sonhável e desejável.



Procurem,

decifrem e deem-me

os mistérios

que alimentem

a minha natureza infinita.



Saciem minha sede

com água pura,

da verdadeira fonte,

e forneçam-me alimentos

que me eternizem.



Queiramos juntos,

adquirir a virtude

da teimosia.



Buscando o caminho

e o alimento certo,

que contenham

nutrientes apropriados.



Teimemos

contra a própria correnteza,

nem que seja oposição

à nossa própria natureza.



Não posso

e não podemos aceitar

que a própria natureza

nos reduza ainda mais.



Não aceitemos,

passivamente,

entregar-nos

para os limites.



Não fomos criados

para permanecer

no mundo do fechado,

do pouco,

do túmulo lacrado,

da morte sem sentido,

sem aberturas para o futuro,

sem dar chances ao infinito

ser parceiro permanente.



Vamos juntos,

irmanados,

encontrar

abertura

para a eternidade.



Não tiremos de nós

as poucas esperanças

que nos vêm dos bons profetas

e dos sensíveis poetas.



Afastemos de nós

os profetas do mau agouro,

que não avistam nada

além das fronteiras.



Estes, não nos fazem pensar,

nem imaginar

sobre ‘algo a mais’

que possa existir.



Não acho próprio

da natureza humana

permanecer preso

só no que vemos e tocamos.



Não suporto a ideia

de ser só isso.



É muito pouco.



Deve ter muito mais.



Não, não quero estar satisfeito.



Não aceitemos permanecer

no campo limitado da matéria

ou nos limites geográficos horizontais

da natureza visível e palpável.



Ainda há a explorar,

a dimensão de profundidade

e a dimensão da verticalidade.



Asas não temos.

Não conseguimos ainda,

mas sonhamos voar.



Nossa existência

não é só natural.



Ela é também,

sobrenatural.



Sentimos isso.



Fazemos essa experiência.



Queremos viver mais

o sobrenatural

do que a dimensão perecível

do natural.



Algo nos diz,

talvez um anjo,

sussurrando

em nossos ouvidos,

insistindo que acreditemos

que a natureza essencial,

que não aparece,

é sobrenatural.



Muito mais do que para os lados,

forças íntimas e profundas

empurram-nos

para cima,

para o alto,

exigindo alicerces

de profundidade.



Não é o chão da rotina

que trará novidades.



Até as árvores,

no reino irmão da natureza,

crescem para cima e abrem seus galhos,

alargando os braços,

numa atitude de acolhimento e

ansiosos para crescer para o céu.



E até nós, humanos,

crescemos bem menos em estatura,

muito mais em compreensão

e espichamento

do desejo para ir além

do que até onde já chegamos.



Mais do que com pesadelos,

povoamos e alimentamos

nossa imaginação

com sonhos e ideais.



Onde está a resposta

do porquê vivemos?



Onde está a essência

e o essencial?



Tem que ter algo mais.



O que até hoje tivemos

é muito pouco.



Não nos contentou.



Não nos deram

respostas satisfatórias.



Deve ter muito mais aí,

pelo mundão afora.



O essencial

ainda não foi posto na mesa

para nossa refeição.



Onde estão os garçons,

aqueles que servem

pratos especiais?



Muito mais

do que a passividade,

é o movimento

que nos remete para o alto.



Muito mais

do que as resistências,

são as motivações

que despertam sonhos e ideais.



Não, não somos órfãos.



Traços e pistas

do nosso Pai e Pai dos céus

existem por toda parte.



Não, não somos só humanos.



Somos pessoas humanas,

com potencial espiritual infinito,

abertos ao ilimitado,

pela imagem e semelhança

com o Cientista,

Criador da Terra e dos Céus,

que cria para a eternidade,

o infinito que não sacia.



Extasia-nos

e nos desperta,

um convite,

um aceno,

um chamado lá

das estrelas.



Quem saciará a fome

e o desejo de conhecer o céu?



Estes escritores procuramos.

Estes cientistas esperamos.



Que mãe

parirá estes necessários

novos escritores,

novos profetas,

novos poetas,

 cientistas do além?



Por favor,

reitores, cientistas, filósofos,

artistas e poetas,

rabisquem linhas

e profiram palavras

que alarguem e prolonguem

estes sonhos, necessidades básicas,

das nossas esperanças.



Políticos,

assinem projetos ousados,

capazes de fazer acontecer,

a esperança brotar de novo, de verde,

em todos os povos.



Teólogos,

alimentem nossa fé

no Criador do Universo.



Ele é nosso Pai.

Revelem-nos o rosto Dele

e as moradas

que está preparando para nós.



Profissionais de todas as ocupações,

insistam, percam o sono,

invistam neste financiamento,

nas provas e demonstrações

que os mistérios não são fechados

ou impossíveis de serem lidos.



Queremos provas

desta filiação.



Não queremos ser filhos

sem heranças.



Queremos acreditar

nas promessas

de que somos herdeiros dos céus.



Não esvaziem

o conteúdo misterioso

do Criador, nosso Pai.



Não nos deixem famintos,

alimentando-nos

com a ignorância

destes dons.



Falem do nosso Papai do céu.



Nós, filhos,

não queremos permanecer

curtindo

amargas experiências

de orfandade.



Não aceitamos

essa condição.



Não escondam

as verdades eternas.



Permitam-nos curtir

o mistério da natureza Divina

e abram os espaços mostrando-nos

o impossível, o infinito e o Incognoscível.



Demonstrem as evidências do espírito.

Falem da ressurreição após a morte,

da vida, da vida eterna.



Queremos continuar vivendo

eternamente.



Não nos deixem

curtindo ilusões e fantasias

ou mentiras que viajam pelos séculos.



O livro da história

já nos contou muitas verdades.



Verdades eternas

permanecem com o passar dos anos.



Já temos um sul.

Já temos a esperança

de que tais ideais são possíveis.



Águias que somos,(*)

feitos para voar nas alturas,

não aceitemos permanecer como galinhas,

que também possuem asas,

mas não voam mais,

porque a cultura do conforto

acomodou.



Sejamos parceiros

nesta pesquisa,

nesta ânsia

de coisas melhores

e maiores.



Prefiro ser um iludido

e viver nessa esperança

a sofrer numa vida triste,

sem saída,

para a imortalidade.





(*)Leia o livro do escritor Leonardo Boff,

‘A águia e a Galinha,

uma metáfora da condição humana’.

 Editora Vozes.





Eneas Paulo Budel Bogucheski  

Criado em 12/08/2015

Atualizado em 29/10/2019
                
eneaspb@gmail.com

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