Gosto de
escrever,
diferente,
sem me
preocupar
com as
regras da academia.
Meus
erros,
meus
defeitos,
minhas imperfeições,
fazem parte
da minha biografia.
Não me
preocupo
em
escrever,
como poeta,
talvez me
aproxime mais
do estilo
dos profetas,
lendo a
realidade,
meditando-a,
interiorizando-a
engravidando,
dando luz
para as trevas.
As formas
de ensino
e aprendizagem
que ainda
hoje se praticam
nos
bancos escolares e universitários,
esperam
promoções, adaptações, inovações.
A poesia
é um
método educativo
que
poderia ser disponibilizado
às crianças
e estudantes de hoje.
Com
poesia
se aprenderia
mais
do que
com os métodos tradicionais,
alcançaria
a sensibilidade afetiva.
Com
música,
composições
e cantorias,
também se
aprenderia,
porque
cativam mais,
agradam
todo ser.
A poesia,
e a
música,
alçam voos
além das
fronteiras
do chão e
da razão.
Acordam a
alma,
esquentam
as emoções
e lançam
voos
para as estrelas,
lugar
ideal
para onde
se deseja ir.
Não deixem
acostumar-me por estas terras.
Não permitam
que eu goste
de morar por aqui.
Não se acostumem também.
Cutuquemos
a acomodação.
Não insistamos
em fincar raízes
na terra árida.
Procuremos a terra fértil
onde se encontram os principais
e mais importantes nutrientes
que alimentam o impossível,
sonhável e desejável.
Procurem,
decifrem e deem-me
os mistérios
que alimentem
a minha natureza infinita.
Saciem minha sede
com água pura,
da verdadeira fonte,
e forneçam-me alimentos
que me eternizem.
Queiramos juntos,
adquirir a virtude
da teimosia.
Buscando o caminho
e o alimento certo,
que contenham
nutrientes apropriados.
Teimemos
contra a própria correnteza,
nem que seja oposição
à nossa própria natureza.
Não posso
e não podemos aceitar
que a própria natureza
nos reduza ainda mais.
Não aceitemos,
passivamente,
entregar-nos
para os limites.
Não fomos criados
para permanecer
no mundo do fechado,
do pouco,
do túmulo lacrado,
da morte sem sentido,
sem aberturas para o futuro,
sem dar chances ao infinito
ser parceiro permanente.
Vamos juntos,
irmanados,
encontrar
abertura
para a eternidade.
Não tiremos de nós
as poucas esperanças
que nos vêm dos bons profetas
e dos sensíveis poetas.
Afastemos de nós
os profetas do mau agouro,
que não avistam nada
além das fronteiras.
Estes, não nos fazem pensar,
nem imaginar
sobre ‘algo a mais’
que possa existir.
Não acho próprio
da natureza humana
permanecer preso
só no que vemos e tocamos.
Não suporto a ideia
de ser só isso.
É muito pouco.
Deve ter muito mais.
Não, não quero estar satisfeito.
Não aceitemos permanecer
no campo limitado da matéria
ou nos limites geográficos horizontais
da natureza visível e palpável.
Ainda há a explorar,
a dimensão de profundidade
e a dimensão da verticalidade.
Asas não temos.
Não conseguimos ainda,
mas sonhamos voar.
Nossa existência
não é só natural.
Ela é também,
sobrenatural.
Sentimos isso.
Fazemos essa experiência.
Queremos viver mais
o sobrenatural
do que a dimensão perecível
do natural.
Algo nos diz,
talvez um anjo,
sussurrando
em nossos ouvidos,
insistindo que acreditemos
que a natureza essencial,
que não aparece,
é sobrenatural.
Muito mais do que para os lados,
forças íntimas e profundas
empurram-nos
para cima,
para o alto,
exigindo alicerces
de profundidade.
Não é o chão da rotina
que trará novidades.
Até as árvores,
no reino irmão da natureza,
crescem para cima e abrem seus galhos,
alargando os braços,
numa atitude de acolhimento e
ansiosos para crescer para o céu.
E até nós, humanos,
crescemos bem menos em estatura,
muito mais em compreensão
e espichamento
do desejo para ir além
do que até onde já chegamos.
Mais do que com pesadelos,
povoamos e alimentamos
nossa imaginação
com sonhos e ideais.
Onde está a resposta
do porquê vivemos?
Onde está a essência
e o essencial?
Tem que ter algo mais.
O que até hoje tivemos
é muito pouco.
Não nos contentou.
Não nos deram
respostas satisfatórias.
Deve ter muito mais aí,
pelo mundão afora.
O essencial
ainda não foi posto na mesa
para nossa refeição.
Onde estão os garçons,
aqueles que servem
pratos especiais?
Muito mais
do que a passividade,
é o movimento
que nos remete para o alto.
Muito mais
do que as resistências,
são as motivações
que despertam sonhos e ideais.
Não, não somos órfãos.
Traços e pistas
do nosso Pai e Pai dos céus
existem por toda parte.
Não, não somos só humanos.
Somos pessoas humanas,
com potencial espiritual infinito,
abertos ao ilimitado,
pela imagem e semelhança
com o Cientista,
Criador da Terra e dos Céus,
que cria para a eternidade,
o infinito que não sacia.
Extasia-nos
e nos desperta,
um convite,
um aceno,
um chamado lá
das estrelas.
Quem saciará a fome
e o desejo de conhecer o céu?
Estes escritores procuramos.
Estes cientistas esperamos.
Que mãe
parirá estes necessários
novos escritores,
novos profetas,
novos poetas,
cientistas do além?
Por favor,
reitores, cientistas, filósofos,
artistas e poetas,
rabisquem linhas
e profiram palavras
que alarguem e prolonguem
estes sonhos, necessidades básicas,
das nossas esperanças.
Políticos,
assinem projetos ousados,
capazes de fazer acontecer,
a esperança brotar de novo, de verde,
em todos os povos.
Teólogos,
alimentem nossa fé
no Criador do Universo.
Ele é nosso Pai.
Revelem-nos o rosto Dele
e as moradas
que está preparando para nós.
Profissionais de todas as ocupações,
insistam, percam o sono,
invistam neste financiamento,
nas provas e demonstrações
que os mistérios não são fechados
ou impossíveis de serem lidos.
Queremos provas
desta filiação.
Não queremos ser filhos
sem heranças.
Queremos acreditar
nas promessas
de que somos herdeiros dos céus.
Não esvaziem
o conteúdo misterioso
do Criador, nosso Pai.
Não nos deixem famintos,
alimentando-nos
com a ignorância
destes dons.
Falem do nosso Papai do céu.
Nós, filhos,
não queremos permanecer
curtindo
amargas experiências
de orfandade.
Não aceitamos
essa condição.
Não escondam
as verdades eternas.
Permitam-nos curtir
o mistério da natureza Divina
e abram os espaços mostrando-nos
o impossível, o infinito e o Incognoscível.
Demonstrem as evidências do espírito.
Falem da ressurreição após a morte,
da vida, da vida eterna.
Queremos continuar vivendo
eternamente.
Não nos deixem
curtindo ilusões e fantasias
ou mentiras que viajam pelos séculos.
O livro da história
já nos contou muitas verdades.
Verdades eternas
permanecem com o passar dos anos.
Já temos um sul.
Já temos a esperança
de que tais ideais são possíveis.
Águias
que somos,(*)
feitos
para voar nas alturas,
não
aceitemos permanecer como galinhas,
que
também possuem asas,
mas não
voam mais,
porque a cultura
do conforto
acomodou.
Sejamos parceiros
nesta pesquisa,
nesta ânsia
de coisas melhores
e maiores.
Prefiro ser um iludido
e viver nessa esperança
a sofrer numa vida triste,
sem saída,
para a imortalidade.
(*)Leia o livro do escritor
Leonardo Boff,
‘A águia e a Galinha,
uma metáfora da condição humana’.
Editora Vozes.
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
Criado em
12/08/2015
Atualizado em 29/10/2019

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