segunda-feira, 14 de outubro de 2019

684.- Poesia. Ser poesia.


Ainda há uma ação humana
a ser aperfeiçoada,
a de olhar para a outra pessoa
como uma obra de arte, 
inacabada,
poesia em construção,
história de um amor, 
a ser amado.


Falar ou escrever
o que agrada,
o que convém,
supõe, de vez em quando,
não obedecer às regras,
da academia.


Tantas e tantas vezes
joguei no lixo material valioso,
percebendo no final da revisão,
as artificialidades,
que as rimas
e as regras
exigiam.


Escrever e falar,
deveria ser assim,
livre, como o vento,
descontraído,
sem saber de onde vem
ou para onde está indo.


E a gente, sentados,
sob as árvores,
no bosque,
sem as etiquetas,
despenteando penteados,
simples falar,
sem sofisticar,
ou embelezar,
só deixar-se,
pelo vento,
inspirar.


Quando nos encontramos,
bem próximos um do outro,
intercambiamos quem somos,
nossos sentimentos,
respeito
e admiração,
não o que falamos.


Você não precisa ser poeta,
escrever poesias.


Você já é artista,
se está no palco
da Terra.


O cenário já está construído,
pronto, para você expor
os seus atos.


Deixar-se ler,
fazer-se entender,
deixando espaços
nas entre linhas,
para livres interpretações.


Não te deixe fechar
nem limitar,
dentro dos conceitos,
o que falar,
o que esconder,
não convém,
se sabemos a natureza,
o barro de que somos feitos.


A espontaneidade
dá mais lugar
à criatividade,
favorece às intimidades,
alonga as boas conversas.


O simples viver
é mais alegre,
leve e comunicativo.


Deixar que o vento sopre,
dar chances ao Espírito que nos habita,
rir, gesticular, contar,
extravasar,
expressar
o que intuímos,
gostamos
e somos.


Das emoções,
que sentimos,
o que de dentro sai,
é vida,
poesia
espontânea,
e por isso,
contagia
e transfere energias.


Ser poesia
é interagir,
falar e ouvir,
abrir e abrir-se,
aproximar-se bem pertinho,
olhar na menina dos olhos
e entrar, na vida, um do outro.


Ser poesia
é deixar que a comunicação aconteça
nas paisagens do coração,
recordações gravadas
na memória afetiva.


Temos sede
e bebemos das poesias
um tipo de água insaciável.


Quanto mais se bebe,
mais a sede aumenta.


Diga-me Tu,
o que experimentas?

Donde vem esse nobre sentimento,
raras vezes repetido,
quando se encontra com alguém
que até parece ser,
a alma gêmea
de ti mesmo?


Nestes momentos
fazemos experiências místicas,
uma mistura fina,
daquilo que há de belo,
harmonioso e divino,
em nossa natureza
insaciável
e misteriosa.


E, quando percebemos
já estamos na outra dimensão,
silenciosos e contemplativos,
deixando o coração
exclamar:
que linda poesia
você é.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 14/10/2019 

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