Ainda
há uma ação humana
a
ser aperfeiçoada,
a
de olhar para a outra pessoa
como
uma obra de arte,
inacabada,
poesia
em construção,
história
de um amor,
a ser amado.
Falar ou escrever
o que agrada,
o que convém,
supõe, de vez em
quando,
não obedecer às
regras,
da academia.
Tantas e tantas vezes
joguei no lixo
material valioso,
percebendo no final
da revisão,
as artificialidades,
que as rimas
e as regras
exigiam.
Escrever
e falar,
deveria
ser assim,
livre,
como o vento,
descontraído,
sem
saber de onde vem
ou
para onde está indo.
E
a gente, sentados,
sob
as árvores,
no
bosque,
sem
as etiquetas,
despenteando
penteados,
simples
falar,
sem
sofisticar,
ou
embelezar,
só
deixar-se,
pelo
vento,
inspirar.
Quando
nos encontramos,
bem
próximos um do outro,
intercambiamos
quem somos,
nossos
sentimentos,
respeito
e
admiração,
não
o que falamos.
Você não precisa ser
poeta,
escrever poesias.
Você já é artista,
se está no palco
da Terra.
O cenário já está
construído,
pronto, para você
expor
os seus atos.
Deixar-se ler,
fazer-se entender,
deixando espaços
nas entre linhas,
para livres
interpretações.
Não te deixe fechar
nem limitar,
dentro dos conceitos,
o que falar,
o que esconder,
não convém,
se sabemos a
natureza,
o barro de que somos
feitos.
A espontaneidade
dá mais lugar
à criatividade,
favorece às
intimidades,
alonga as boas
conversas.
O simples viver
é mais alegre,
leve e comunicativo.
Deixar que o vento
sopre,
dar chances ao
Espírito que nos habita,
rir, gesticular,
contar,
extravasar,
expressar
o que intuímos,
gostamos
e somos.
Das emoções,
que sentimos,
o que de dentro sai,
é vida,
poesia
espontânea,
e por isso,
contagia
e transfere energias.
Ser poesia
é interagir,
falar e ouvir,
abrir e abrir-se,
aproximar-se bem
pertinho,
olhar na menina dos
olhos
e entrar, na vida, um
do outro.
Ser poesia
é deixar que a
comunicação aconteça
nas paisagens do
coração,
recordações gravadas
na memória afetiva.
Temos sede
e bebemos das poesias
um tipo de água insaciável.
Quanto mais se bebe,
mais a sede aumenta.
Diga-me Tu,
o que experimentas?
Donde vem esse nobre sentimento,
raras vezes repetido,
quando se encontra com
alguém
que até parece ser,
a alma gêmea
de ti mesmo?
Nestes momentos
fazemos experiências
místicas,
uma mistura fina,
daquilo que há de
belo,
harmonioso e divino,
em nossa natureza
insaciável
e misteriosa.
E, quando percebemos
já estamos na outra dimensão,
silenciosos e contemplativos,
deixando o coração
exclamar:
que linda poesia
você é.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 14/10/2019

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