quinta-feira, 17 de outubro de 2019

685.- Velhice. O jogo da vida perto dos últimos minutos.



Sempre foi assim,

a vida acontece,

dando passinhos,

um depois do outro.



Foi assim na infância,

na adolescência,

na juventude,

na idade adulta,

e será assim,

na velhice.



As conversas

que acontecem

em nossos encontros de hoje em dia

giram em torno das aventuras

vividas no passado,

lembranças atualizadas

emoções ressuscitadas,

e raramente conversamos

sobre a próxima etapa

do campeonato.



I



Vivemos a vida,

correndo,

esbanjando saúde,

desperdiçando energias.

  



Tudo que aparece

é novidade,

que com o tempo,

vai deixando de ser.





A velha idade

vem se apresentando,

nos estádios

e no estágio da vida.





Os veteranos

vão jogar

o último jogo.





Sai de cena a pressa,

a correria,

compromissos,

pressões por resultados,

as belas jogadas,

os golaços inesquecíveis. 





Entra em campo,

o time da lentidão,

da paciência

e da sabedoria.





É hora de correr,

devagar,

parar de driblar,

de ser referência,

soltar a bola,

não reclamar mais

das jogadas malfeitas,

dos impedimentos,

dos gols anulados,

das faltas não marcadas

que não foram levadas em consideração

pelos juízes que apitaram os jogos.





É hora de relembrar,

reviver,

atualizar

e comemorar as boas jogadas

que resultaram em gols e vitórias.





Como bons jogadores,

aprendemos a correr menos,

e viver mais sábia

e intensamente.





Um conjunto

de transformações

e limitações físicas

exigem agora

a presença

de novos técnicos.





Sai o preparador físico,

entra o médico,

o nutricionista,

e o fisioterapeuta.





Sai de campo a ação

e entra ações de graças.







As maiores reclamações

que os jogadores fazem

é a pouca preparação dada,

para o jogo decisivo,

da velhice.





É um jogo.





A vida continua.





Queremos continuar jogando

com o mesmo entusiasmo.





Aceitando sim,

as limitações,

as novas regras,

remédios amargos,

expectativas

mais intensamente transpiradas.





O clima

de mais um jogo importante

continua provocando

o frio na barriga,

e as pernas tremendo.





O time

do lado de lá

é desconhecido.





Jogar nas manhãs da vida,

é gostoso.





Jogar depois do meio dia,

é quente e suportável,

mais desgastante.





Os jogos nas tardinhas

são mais agradáveis.





Jogar de noite,

num país desconhecido,

sem luz,

é muito difícil,

sem preparação

e treinamento.





            II





Essa preparação

e esse treinamento

é o que vai acontecer,

daqui para frente.





Sempre tive a impressão

de que havia na arquibancada

um Técnico famoso

assistindo nossos jogos,

todas as nossas jogadas,

quando estivéssemos com a bola

ou sem ela, bem posicionados

ou perdidos dentro do campo.





Numa das suas entrevistas

Ele dizia que quando terminasse

o campeonato aqui na Terra,

iria levar-nos para jogar na Seleção dele,

lá para bandas do exterior

e pagaria o preço que fosse para

comprar nosso passe.





             III





Não gostamos

de ficar na reserva,

na arquibancada,

assistindo a vida passar.





Seremos substituídos.





Aprendamos,

nessa nova posição,

fora de campo,

aceitar

a realidade.





Compensará

o vazio das arquibancadas

as demonstrações de ternura,

pedidos de autógrafos,

fotografias,

as homenagens,

certidão de cidadão honorário.





Deixar as quatro linhas dos campos,

desapegar-se dos aplausos

pendurar as chuteiras

é triste, se não houver

preparação para o ingresso

numa outra divisão especial

de sobrevida.





Esperamos a promoção,

entrar na seleção,

no outro time,

na eternidade.





           IV





A aventura da fé

vai se impondo

quando nossos passos

começam a ficar mais lentos.





O fim de um campeonato

de um ano apenas,

rápido e cansativo,

é suportado pela esperança

num novo campeonato,

mais longo,

valendo um troféu eterno.





Todos os jogos

serão de confraternização,

com o time dos Anjos

e dos milhares de seres

que compõem os exércitos celestes.  





Acreditar nestas promessas,

é a senha, o teste de seleção.





Poucos técnicos

deste campeonato terráqueo

conhecem as instruções

que estão no Manual do Atleta

liberado para os interessados,

nas Escolas de Teologia.  





Além das qualidades físicas,

serão agregadas

a esperança e a confiança

condicionando os treinamentos

dos valores espirituais.





A esperança vive da confiança no Técnico

que tem o poder de cumprir o que promete.





O novo condicionamento físico-espiritual

sugere agora, descartar a dúvida,

o medo, a insegurança,

e a covardia.





O Técnico Abraão,

saiu sem saber para onde ia ... e foi.





O Técnico dos técnicos escreveu:

“Vou infundir-vos um espírito

para que revivais”.





“Por você, permuto Nações”.





Se neste campeonato, meio caduco,

saímos vencedores, Aquele que criou

outro tipo de campeonato, tem poder

para coroar-nos de êxito, também.





Em qual outro Técnico

iremos colocar nossa confiança

se Nele já somos vencedores?





Nosso passe foi comprado

a preço de sangue.





          V





Este último jogo

exige muita paciência,
              suportada 
          pela esperança
     e fortalecida 
com a confiança.





Enquanto esperamos,
procuremos alimentá-las,
e fortalecê-las,
partilhando com os amigos,
lendo livros que fortalecem
nossas convicções e 
os textos publicados em meu blog:







Este texto merece melhoramentos.

Aceito sugestões, correções, aprofundamentos.

Entre em contato comigo através do e-mail abaixo. 




Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 17/10/2019

Nenhum comentário:

Postar um comentário