A arte da escultura
tem a especial finalidade
de transformar a matéria bruta,
objetos comuns,
em formas especiais,
com significado superior,
elevados à dimensão
das perfeições.
Existe no homem e na mulher
um impulso ou um desejo sutil,
mais sentido do que compreendido,
de ser mais do que é,
de merecer significação,
de sentido,
na existência.
Como é ruim
a sensação
de tristeza,
melancolia,
vazio,
falta de sentido.
E muitos de nós,
somos mais pessimistas
do que otimistas,
porque desconhecemos
os princípios da educação teológica,
promessas que nos foram feitas,
e as esperanças que não cultivamos.
Nos vemos como o barro,
elemento comum na natureza.
Se esse barro
for usado por um escultor,
o barro vai ‘desaparecer’
e surgirá uma obra de arte.
Assim é: ninguém percebe
que a própria escultura artística,
foi feita de barro, argila,
lama, terra úmida.
A argila continua ali,
na obra de arte,
despercebida.
A lama pode ter utilidade.
A argila é transformada.
O barro foi promovido,
dignificado, aproveitado,
numa finalidade nobre,
artística.
É nesse sentido,
com essa visão positiva,
que convém olhar para nós mesmos,
como matéria prima
da imagem
do Deus Criador.
Nossa humanidade,
o barro que somos,
possui o potencial,
capacidades
para ser imortalizado,
se aceitarmos,
permitindo
que o Artista nos modele.
Não somos capazes
de produzir transformação
em nossa natureza humana
para um patamar de divinização,
a não ser que um Artista
olhe para nós,
ame o barro que somos
e anteveja
uma obra de arte
imortal.
Posso continuar
sendo barro,
por escolha.
Posso permitir
que o artista me modele,
por decisão de humildade
e reconhecimento,
bondade e gratidão.
Sorte nossa que o Artista
tem sensibilidade perfeita.
Se estamos vivos, vivendo,
fomos escolhidos.
Estamos na praça,
no atelier do Artista,
em sua Presença.
Somos barro
em suas mãos.
A pergunta
que podemos nos fazer
é se estamos nos deixando modelar,
se estamos obedecendo
às escolhas,
mantendo-nos úmidos,
maleáveis aos seus dedos,
sem nos deixar secar
pelo pessimismo,
falta de esperança
ou descrença.
A dureza,
as resistências
poderão endurecer o barro
que somos.
Se obedecermos
com mansidão
e docilidade
e aceitarmos
o manuseio artístico
das Suas Mãos
em nossa vida,
nossa natureza mortal
será transformada em imortal.
Há muitas obras
a serem finalizadas.
A paciência
nos deixará prontos,
no tempo oportuno.
Modelar é próprio do Artista.
Deixar-se modelar é a condição
de mudanças e transformações.
Tens em ti
o poder
de aceitar ou rejeitar
tornar-se obra de arte imortal,
eterna.
Há mais mérito
em ser barro,
argila maleável,
do que um teimoso
escultor de si mesmo,
sem referências à Arte Imortal
do Criador.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 11/10/2019

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