quarta-feira, 30 de outubro de 2024

934.- Escolhendo consequências.



 A todo momento estamos escolhendo.

 

Geralmente escolhemos o que nos agrada.

 

Escolhemos comer, beber,

dormir, andar, correr, caminhar,

falar, silenciar, ler, escrever,

ouvir, conversar.

 

Escolho escrever.

 

Você, escolhe ler.

 

Se escrevo para os vivos,

reagem como mortos.

 

Se escrevo textos sobre mortos,

criticam, opõem resistências

e se afastam.

 

Se escrevo textos longos,

leem o título

e desprezam o conteúdo

de conhecimento.

 

Se leem, conhecem.

 

Se não leem, permanecem

na orbita da inconsciência.

 

E escolhem, ‘é melhor não saber’

para não nos comprometermos.

 

E é assim que a vida escorre

por entre escolhas e decisões

não tomadas.

 

Vivemos na época da reação.

 

Só reagimos

ao que se apresenta

à nossa frente.

 

E a todo momento,

aparecem nas telas

da TV, do Celular, do Computador,  

na sua frente, nas suas mãos,

convites, atrações, passatempos.

 

E sem perceber,

passamos a viver

no mundo virtual.

 

O mundo real

não existe mais.

 

O mundo real existe sim.

 

É aquele que assistimos

sentados no sofá, noticiado,

que vem para dentro da nossa casa

em forma de notícias,

colorido, com fundo musical,

para nos manter no mundo das ilusões.

 

O mundo real, hoje, incomoda.

 

O mundo virtual

não incomoda,

mas aliena, afasta,

reduz ou elimina nossa sensibilidade,

amolece nossa personalidade,

e atrofia nossas boas capacidades humanas.

 

Acabamos virando marionetes.

 

Já não usamos mais

nossa caixa de ferramentas pessoais,

compostas por virtudes, qualidades,

força de vontade, discernimento,

senso crítico baseado em valores.

 

O mundo real incomoda.

 

Não queremos mais nos comprometer.

 

Sem compromissos,

não há necessidade de escolhas.

 

Sem escolhas,

não há consequências.

 

Sem escolhas,

permaneço no meu pequeno universo

dos meus interesses, bem fechadinho.

Sem incômodo.

 

Percebeu que estamos falando

de mortos vivos?

 

Se não buscarmos conhecimentos

sobre o que é consciência,

tomada de decisões e liberdade,

já não serviremos para mais nada,

a não ser para expectadores

e consumidores passivos.  

 

Quem escolhe algo,

ruim ou bom,

feio ou belo,

educativo ou alienante,

escolhe também as consequências.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

Criado e publicado no BLOG e no FACE

Em 30/10/2024.

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