segunda-feira, 28 de outubro de 2024

404.- Você não me conhece. Nem eu.

 

Vamos para mais uma aula de psicologia.


Você percebeu que meus textos

não são curtos, pois não são apenas

mensagens telegráficas, ou avisos.

 

Minha intenção

sempre foi a de transmitir conteúdos,

equivalente ao tempo de uma aula,

de uma palestra, entre 30 a 60 minutos.

 

Cada assunto, cada texto abordado

não tem como ser curto,

para não ficar incompleto.


Se é longo, está mais carregado

de conteúdo. 


Cada ser humano, 

eu, você, não se conhece,

nem se esgota com uma frase. 

 

Nem toda aula é cativante,

mas toda aula

carrega conteúdo programático,

intencional, de valores embutidos,

ferramentas para a prática da vida.

 

Lendo meus textos

você acha que me conhece.

 

Você acaba conhecendo sim,

um pouco.

 

Se você gostou do texto,

acabará simpatizando comigo.

 

Se não gostou,

se te provocou e mexeu

em alguma ferida,

revelou que grande parte

dos seus pensamentos e das suas escolhas

decorrem do seu ego imaturo, desequilibrado,

ou ainda, desorganizado.

 

Em consequência,

seu conceito poderá se transformar

em preconceito, sua simpatia inicial

poderá chegar a antipatia inconsciente. 

 

E o seu conhecimento

será adquirido com defeito

por não ter considerado

a possibilidade das diferenças,

dos paradoxos, das circunstâncias

históricas e familiares.

 

Tudo o que sei de mim,

é suficiente para meu viver.

Mas é pouco.

 

Não é suficiente

para me deixar em paz

a ponto de eliminar

qualquer preocupação.

 

Desconhecia-me.

Comecei a escrever

e revelou-se em mim um escritor,

um poeta amador, um projeto de profeta.

 

Não sabia andar de bicicleta.

Aprendi e me alegrei.

 

Admirava quem dançava.

Entrei no palco, errei,

pisaram nos meus calos,

e aprendi a dançar, e me surpreendi.

 

Até que se provoque,

cutuque e acorde,

dorme dentro de cada um de nós,

um escritor, facilitador, construtor,

um artista, escultor de obras

desconhecidas ou jamais imaginadas.

 

Há em cada alguém,

um 'zé ninguém' 

desconhecido. 


Aqui dentro,

reside ainda, 

um desconhecido.

 

Em nosso interior,

cabe mais, até nunca chegar,

à totalidade.

 

Entre o ideal possível

está acontecendo o real,

exigente, pedindo-me mais

empenho e responsabilidade.

 

Indo para lá, mais acima,

afasto-me do que fui

e mais me aprofundo,

para o centro,

vendo-me quem sou.

 

Eu acho que me conheço,

mas quando tento dissecar um tema,

esgotam-se rapidamente as veias

por onde circula a inspiração.

 

Quem sou eu?


Alguém que escreve o que conheci,

o que estudei, o que li, o que aprendi

caminhando pela vida, nos trabalhos,

nos momentos de lazer, 

nos relacionamentos

com as pessoas.

 

Aprendi muito mais

com as duras lições

dos mestres exigentes

do que com aquelas aulas

que assisti nos momentos de glória,

do alto nível da autoestima.

 

Nada do que conquistei

veio voando, caindo no meu colo.

 

A conquista do meu ser

nunca estará completa,

pois que é um projeto,

constante aprendizado

do mundo exterior

e do mundo interno,

do autoconhecimento.


Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 25/05/2017.

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog em 25/05/2017

Atualizado em 26/02/2024.

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