Vamos para mais uma aula de psicologia.
Você percebeu que meus textos
não são curtos, pois não são apenas
mensagens telegráficas, ou avisos.
Minha intenção
sempre foi a de transmitir conteúdos,
equivalente ao tempo de uma aula,
de uma palestra, entre 30 a 60 minutos.
Cada assunto, cada texto abordado
não tem como ser curto,
para não ficar incompleto.
Se é longo, está mais carregado
de conteúdo.
Cada ser humano,
eu, você, não se conhece,
nem se esgota com uma frase.
Nem toda aula é cativante,
mas toda aula
carrega conteúdo programático,
intencional, de valores embutidos,
ferramentas para a prática da vida.
Lendo meus textos
você acha que me conhece.
Você acaba conhecendo sim,
um pouco.
Se você gostou do texto,
acabará simpatizando comigo.
Se não gostou,
se te provocou e mexeu
em alguma ferida,
revelou que grande parte
dos seus pensamentos e das suas escolhas
decorrem do seu ego imaturo, desequilibrado,
ou ainda, desorganizado.
Em consequência,
seu conceito poderá se transformar
em preconceito, sua simpatia inicial
poderá chegar a antipatia inconsciente.
E o seu conhecimento
será adquirido com defeito
por não ter considerado
a possibilidade das diferenças,
dos paradoxos, das circunstâncias
históricas e familiares.
Tudo o que sei de mim,
é suficiente para meu viver.
Mas é pouco.
Não é suficiente
para me deixar em paz
a ponto de eliminar
qualquer preocupação.
Desconhecia-me.
Comecei a escrever
e revelou-se em mim um escritor,
um poeta amador, um projeto de profeta.
Não sabia andar de bicicleta.
Aprendi e me alegrei.
Admirava quem dançava.
Entrei no palco, errei,
pisaram nos meus calos,
e aprendi a dançar, e me surpreendi.
Até que se provoque,
cutuque e acorde,
dorme dentro de cada um de nós,
um escritor, facilitador, construtor,
um artista, escultor de obras
desconhecidas ou jamais imaginadas.
Há em cada alguém,
um 'zé ninguém'
desconhecido.
Aqui dentro,
reside ainda,
um desconhecido.
Em nosso interior,
cabe mais, até nunca chegar,
à totalidade.
Entre o ideal possível
está acontecendo o real,
exigente, pedindo-me mais
empenho e responsabilidade.
Indo para lá, mais acima,
afasto-me do que fui
e mais me aprofundo,
para o centro,
vendo-me quem sou.
Eu acho que me conheço,
mas quando tento dissecar um tema,
esgotam-se rapidamente as veias
por onde circula a inspiração.
Quem sou eu?
Alguém que escreve o que conheci,
o que estudei, o que li, o que aprendi
caminhando pela vida, nos trabalhos,
nos momentos de lazer,
nos relacionamentos
com as pessoas.
Aprendi muito mais
com as duras lições
dos mestres exigentes
do que com aquelas aulas
que assisti nos momentos de glória,
do alto nível da autoestima.
Nada do que conquistei
veio voando, caindo no meu colo.
A conquista do meu ser
nunca estará completa,
pois que é um projeto,
constante aprendizado
do mundo exterior
e do mundo interno,
do autoconhecimento.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 25/05/2017.
Publicado no Blog em 25/05/2017
Atualizado em 26/02/2024.

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