O silêncio
é a maior
necessidade
e o maior luxo
da atualidade.
Arthur Honegger
Muitas das verdades que nos são transmitidas
e reveladas, deixam de penetrar na profundidade da nossa personalidade devido a
várias causas.
Uma delas é provocada pelo efeito da vida
moderna, rápida, movimentada e agitada por milhões de fontes de sons e eventos.
A outra causa é a nossa própria dificuldade
em ver os valores que existem no silêncio e fazer acontecer o silêncio em
nossas vidas.
E, por incrível que pareça é o silêncio o
melhor mestre na área da comunicação.
Se ligarmos a antena da percepção na
frequência do silêncio, vamos perceber, em primeiro lugar, que as maiores
realidades, em termos de tamanho e perfeição, estão relacionados com o
silêncio.
Por exemplo, o silêncio do Deus Criador. Ele
poderia fazer tanto barulho, mas não faz, nem propaganda. Tão grande e tão
silencioso, e por isso, tão perfeito.
Outro grande símbolo do universo é o próprio
espaço sideral. Cheio de sóis, planetas, estrelas, porém, silencioso. Tão
grande e tão silencioso, tão perfeito, em perfeita harmonia. Não é um caos.
O silêncio
desses espaços
infinitos
me espanta.
Blaise Pascal
O silêncio
é a voz eloquente
do infinito.
Adão Myszak
O silêncio
está tão repleto de
sabedoria
e de espírito em
potência
como o mármore não
talhado
é rico em escultura.
Aldous Leonard Huxley
O silêncio é a linguagem de alguém que está
em paz e harmonia consigo mesmo. Vale também a frase oposta: o barulho é a
linguagem de quem está em guerra e em conflito consigo mesmo.
No mundo em que estamos, há tanto
barulho e agitação que nem percebemos mais o valor e o poder do silêncio.
Não existe tempo disponível para buscar o
silêncio e encontrar a profundidade e a harmonia da nossa própria
personalidade.
Buscamos o barulho para não ver a verdade
sobre nós mesmos.
É duro perceber que precisamos mudar, mais
duro ainda é aceitar que o Professor Silêncio é um dos melhores mestres na ciência
da vida produtiva.
É difícil recomeçar a reconstrução de nós
mesmos, na sala do silêncio com a disciplina do replanejamento.
Desconhecemos os efeitos que o silêncio e a
paz produzem na estrutura da nossa personalidade.
Desconhecer é permanecer no prejuízo.
A nossa ‘empresa’ comercial’, (entenda
personalidade) está operando com prejuízos, porque não avaliamos os valores do silêncio
na construção e manutenção da nossa personalidade.
A importância do silêncio para nossa vida é
constatada quando paramos, às vezes propositalmente e, às vezes em decorrência
de uma catástrofe, doença ou contratempos.
Somos uma espécie acostumada com o barulho.
Algumas espécies foram extintas porque não
resolveram alguns conflitos provocativos.
Acomodaram-se e aceitaram como natural os
inofensivos elementos provocativos.
Nascemos no meio do barulho.
Estamos tão acostumados com o barulho e a
agitação que temos dificuldades para parar e fazer silêncio.
Em pouco tempo
o silêncio será
terrível
de suportar.
Boris Pasternak
O barulho
dispersa e esbanja.
O silêncio
recolhe, recupera
e condensa.
G Courtois
Ficar
quieto
e
fazer silêncio
já
não faz parte das nossas metas.
Parar não dá lucro.
Estamos envolvidos pela mentalidade
comercial.
E não temos o senso crítico formado para
perceber este prejuízo na ciência da nossa própria vida.
Não percebemos se há frutos contaminados ou
fracassos nesta ação. Por isso, muitas pessoas encontram dificuldades em fazer
retiros.
Perdemos a noção do silêncio em nossas vidas.
E perdemos a paz.
É no silencio que se produz a paz.
A paz faz falta.
Por isso a buscamos.
Queremos paz.
Mas o silêncio
é algo que se encontra
na ausência do movimento
e da agitação.
Procurar o silêncio
é como procurar a
passividade.
A nossa civilização
não vê valores no
silêncio.
Se ficarmos em
silêncio,
sentimos que estamos
perdendo tempo.
Mas
não é assim.
O
silêncio é um valor
e
nos faz bem.
É um valor tão fundamental, que sem ele,
nossas palavras ficarão sem base de sustentação e nossas ações ficarão
estéreis.
Ouve-me, ouve o meu
silêncio.
O que falo nunca é o
que falo
e sim outra
coisa.
Capta essa outra
coisa
de que na verdade
falo
porque eu mesma não
posso.
Clarice Lispector.
Uma das ferramentas mais preciosas para o
próprio desenvolvimento e amadurecimento pessoal é fornecida pelo silêncio.
Decisões
sérias e profundas
são
geradas no silêncio.
Hoje, para fazer silêncio, as pessoas têm de
fazer guerra consigo mesmas.
Infelizes
os que não conheceram
o silêncio.
Ernest Psichari
Duelar contra seus inimigos íntimos e ocultos
que moram dentro da própria casa, e residem dentro do nosso próprio ser, é uma
luta que não é aceita pela ‘massa’.
Fugir do silêncio é sintoma da massificação,
da perda da consciência pessoal, estacionado na superfície.
Para que consigamos fazer silêncio, é
necessário uma ação de senhorio, de domínio, de autoridade, para desalojar e
expulsar a senhora preguiça, o mordomo do egoísmo a moleza do conforto e o
tirano do comodismo.
Após esta luta, já cansado, mas não
desanimado, ainda temos de decidir e determinar-nos, impondo-nos a condição de
silêncio.
E depois disso tudo, planejar e construir uma
filosofia de vida na qual o comando da minha própria vida e as escolhas que
faço e farei, renasçam desta atitude silenciosa.
Em dez minutos, meia hora, uma hora juntos
com este guru, conselheiro dos maiores mestres e sábios, conseguiremos sentir
os resultados: paz, ideias novas e nobres, inspiração, vontade renovada,
despertar de ideais, vivacidade, otimismo, entusiasmo, compreensão, clareza na
visão e maior grau de ressurreição.
E aí, dar o passo da convocação, convocando a
presença do Deus Escondido que se faz presente onde o silêncio habita.
No silêncio ou na condição de silêncio o
corpo se torna mais leve, mais obediente, e o sono desaparece.
As energias
recuperam-se,
porque se re-unificam.
A visão se alarga,
se estende,
até novos horizontes.
A eficácia
se torna mais
eficiente.
A presença se torna
mais luz
e mais viva,
e a gente sente
dentro de si mesmo,
a ação do fermento.
No silêncio gera-se a
vida.
No silêncio nascem as
ideias nobres,
coerente,
construtivas e benfazejas.
No silêncio germinam
grandes ideais.
No silêncio se ouve
as vozes
que não são pronunciadas.
No silêncio
reina a verdadeira
paz.
A paz que descansa.
A paz que repõem energias.
Se soubéssemos fazer
silêncio
seríamos grandes
inventores,
criativos,
benfeitores da humanidade.
Talvez o silêncio
seja a resposta mais
eloquente
a alguém
que faz uma pergunta
indiscreta.
E quem faz a
pergunta,
não recebe uma resposta,
mas um discurso mudo
sobre o valor do
silêncio.
Se cultivássemos a ciência do silêncio
seríamos mais amáveis, mais respeitosos, mais compreensivos, mais produtivos e
mais admiradores.
Seríamos mais úteis para o reino dos homens e
para o reino do nosso Pai.
Quanta beleza e perfume nas flores que
nascem, e crescem e vivem no silêncio.
Quanta sabedoria na fala e nos escritos dos
monges que vivem no silêncio.
Conteúdos eternos, palavras carregadas de
imortalidade, nascidas nos silêncios das montanhas e na escuridão das grutas.
Quanto ensinamento brotou das profundidades
do silêncio do Francisco de Assis após suas visitas às grutas, cavernas e
montanhas.
O silêncio é uma
exigência básica
para as pessoas
íntimas com o nosso Pai.
No silêncio
é que o nosso Pai se
faz conhecer
e se re-vela.
No silêncio
é que as palavras
calam mais
e penetram mais
fundo.
No silêncio é que nos enriquecemos.
No barulho ficamos
mais pobres,
mais vazios e ocos.
No barulho
optamos pela torre de
babel,
nos desorientamos e
nos perdemos.
No caminho da conquista do autêntico humano,
está o silêncio, mestre das grandes obras, das grandes conquistas, das grandes
descobertas e dos grandes personagens da História.
Entre o barulho e o silêncio, é com este que
será feita a parceria de sucesso no campo do espírito.
Não fale.
Deixe vir o silêncio.
As palavras dizem tão
pouco.
Apenas fazem ruído.
Le Lèzard
A palavra é do tempo,
o silêncio da
eternidade.
Maurice Maeterlinck
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 18/02/2016
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