Quem
é que não sente saudades
do
tempo da nossa infância?
Mesmo
que as circunstancias de pobreza e carências estivessem presentes, o tempo de
infância foi cheio de bons momentos, de
alegria e contentamento.
A
felicidade se apresentava como simplicidade.
Qualquer
coisa, qualquer brinquedo nos realizava.
Quando somos crianças vivemos no mundo
perfeito: somos amados, acolhidos, valorizados e respeitados.
Amamos
e brincamos,
experimentamos
e fazemos quase tudo que gostamos.
Como é bom ser criança.
Com o tempo, fomos crescendo e fomos perdendo
a originalidade, a espontaneidade e a simplicidade. E quase nada
mais nos contentava.
O mundo bonito, bom, gostoso, alegre e
descomprometido, nos balançava nos braços afetivos dos pais, parentes, amigos e
educadores.
Experimentamos
o
valor da amizade
e
das brincadeiras.
Degustamos o sabor dos pés de moleque,
capilé, pirulitos, picolés, aventuras na chuva e na lama, nas trilhas das
matas, nos rios e cachoeiras, nos piqueniques e viagens.
Hoje, temos saudades daquele mundo em que
recebíamos tudo de graça, sem saber ainda o salário que a maturidade nos
cobraria ou nos pagaria.
Mas mesmo assim, muitos valores lá atrás
conquistados, ainda hoje permanecem tendo valia.
Como era engraçada
a nossa vida de
crianças.
Engraçada, isto é,
cheia de graças.
Engraxada com graxa.
Lambuzada de doce.
Há um mundo aos
nossos pés,
e obediente às nossas
mãos.
Um mundo de pessoas
iguais a cada um de
nós.
Gostamos de conversar,
divertir-se, estudar,
trabalhar
e ser alguém
querido e reconhecido.
Há um mundo sadio e
construtivo
saudável, alegre e
digestivo,
inteligente, criativo
e bondoso,
moderado ou mesmo,
sem limites.
Fruto de uma parceria,
que carrega a bateria,
com carga interna,
de porções iguais
ou desiguais,
sempre bastando.
Graças:
Amor é Graça.
Graças são valores
que necessitamos
e recebemos sem pedir.
Graças
são coisas graciosas,
afetivas, carinhosas,
e acolhedoras.
Graças
são coisas engraçadas,
grávidas de boas
expectativas,
atendimento às
carências.
Graças
são partos da bondade.
Graças
são motivações, bens
necessárias
para soluções de
problemas.
Graças
são comportamentos
divertidos,
semblantes serenos,
mãos abertas,
abraços apertados,
sorrisos largos,
gargalhadas sem
censuras,
ajuda recebida,
desejos de
felicidades,
bons-dias desejados
com autenticidade.
Graça
é infância espiritual.
É simplicidade no
vestir,
no andar, no falar,
no olhar.
Graça
é o jeito legal de
ser do Heipo.
Graça
é a harmonia dos
passos
na dança da vida.
Graça
é inocência original.
Com todas estas
graças,
nos convencemos de
que não somos daqui,
do campo dos adultos,
dos estressados, deprimidos, dos desesperançados.
E não estamos presos,
amarrados,
nem tampouco
impossibilitados de recuperarmos nossa infância ou nossos valores de crianças.
Queremos sim,
acreditar de novo no Papai Noel,
no construtor do Céu.
no construtor do Céu.
Não estamos nas
condições de prisioneiros.
Deixemos de lado a
literatura falida, ateísta e fechada nas muralhas deste pequeno mundo.
Nada nem ninguém há
que nos segure neste
impulso.
Não somos escravos
do que não aceitamos
e não queremos.
Continuem nos contando
histórias impossíveis.
Queremos voltar a
sonhar, a deixar nossa imaginação voar, como águias.
Somos livres.
A liberdade é a
autoridade
que mantém viva a
esperança
em um decreto eterno.
Ninguém jamais conseguirá
aprisionar ou matar a
esperança.
Despertamos de um
estado
sonolento,
anestesiante.
Uma névoa encobria as
verdades.
Os espelhos estavam
embaçados.
Nossa face andava
triste e deformada.
Nossos sonhos mal
construídos.
Sim, é o grito que
explode dentro de cada um,
em resposta a esta
nova aventura.
Além das fronteiras
nós vamos,
teimando contra o que
dizem,
falam e comprovam.
Não há autoridade
competente
que obrigue a manter
a esperança calada.
É a esperança daquele
que nada tem
que acorda a rebeldia,
ativando as
potencialidades imortais
da raça humana.
Além das fronteiras
existem espaços,
planetas e astros nos
quais ninguém ainda pisou.
É para lá que vamos.
com a certeza,
de por lá ficar.
Vamos encontrar aquele que disse: “Na casa
do meu Pai há muitas moradas. Vou preparar-vos um lugar”.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 13/02/2016
eneaspb@gmail.com
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