quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

69.- Professor. O melhor dos professores não usa palavras.





 

Com o passar do tempo fomos percebendo que nas nossas andanças sempre estávamos acompanhados de vários amigos e parentes: ou era o Barulho com suas irmãs ou era o companheiro Silencio com suas irmãs e seu irmão Sossego.

 

     Durante o dia o companheiro Barulho não nos larga.

 

     Quando a noite ia chegando, o Barulho ia se afastando, e o Silencio, timidamente chegava.

 

     O Barulho me deixava inquieto e até um pouco nervoso.

 

     As irmãs do Barulho, talvez você conheça, uma é a Inquietude e a outra, a menor, é a Agitadinha. Estas irmãs do Barulho não dão espaço para o Sossego, o outro irmão do Silêncio.

 

     O Barulho e suas irmãs não eram companheiros suaves.

 

     Eram bem ‘malas’. Não recomendo amizade com estes personagens.

 

Mesmo que seja inevitável, há que tomar certas precauções para que não te prejudiquem.

 

     Com o Silêncio eu nem sequer cansava.

 

Era sútil, mas dava para perceber que, com a sua suave presença, eu me sentia muito mais pleno, harmonizado e em paz.

 

     Com a companhia do Silêncio, eu até reduzia meus passos.

 

     Quando eu caminhava com o Silêncio, por incrível que pareça, as primas dele, a Eficiência e a Eficácia estavam sempre por perto.  

 

     Foi sempre com a chegada do companheiro Silêncio que as melhores ideias apareciam.

 

     Com o Silêncio vinham as suas outras irmãs, a Calma, a Paz e o irmão mais tranquilo, o Sossego.  

 

Psiu!

O silêncio vem aí.

Preste atenção nele.

De tão humilde, nem quer ser visto.

Está escondido, mas quer ser percebido.

 

Quanto maior o espaço,

mais o silêncio se faz presente.

 

Veja lá em cima, no céu,

quando só o sol e o azul estão juntos,

quanto silêncio entre eles.

 

E nas noites, quase escuras,

as estrelas lá estão,

cintilando em silêncio.

 

Quanto menor o espaço,

mais o silêncio foge.

 

O silêncio, com o sossego,

não há melhor companhia.

 

Se você não falar,

e deixar o teu silêncio se expressar,

talvez eu consiga te escutar.

 

Vozes, falas, conversas, gritos, sons,

não me fazem mais tanto bem.

 

Não são mais meus ouvidos,

meus melhores professores.

 

Hoje, sons são apenas rumores.

 

Meus olhos também se enganam,

procurando luzes ofuscantes.

 

Onde o silêncio é percebido?

Por quem é valorizado?

 

O silêncio não está no relativo,

no espaço pequeno, no transitório.

 

O silêncio está no absoluto,

no espaço infinito.

O silêncio está lá dentro,

guardado na alma,

aguardando o momento oportuno

para dizer: presente.

 

Sou eu que teus ouvidos procuram;

Sou eu que os teus olhos querem contemplar.

Sou eu que você tanto deseja vivenciar.

 

Sou aquele que te falta

já que nada te contenta

neste mundo cheio de tudo,

menos de mim.

 

No mundo do silêncio,

palavras não produzem feitos nem efeitos.

 

No mundo do silêncio está a sabedoria,

a saúde física, saúde psicológica

e vitalidade espiritual.

 

E você resiste.

Você não consegue parar.

É impossível silenciar.

 

Se não há silêncio em casa,

não há comunhão,

nem unidade familiar.

 

Se não há harmonia em teu ser,

dividido, doente te vejo,

e te repreendo,

com meu silêncio.

 

Nada aprendemos

com a gritaria do mundo.

 

Nada aproveitamos dos discursos

dos políticos, governadores e presidentes.

 

 

Agora sim, somos capazes de comparar

e perceber que o silêncio

é um grande professor,

talvez o melhor.  

 

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 16/02/2016

eneaspb@gmail.com 



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