Com o passar do tempo fomos percebendo que nas
nossas andanças sempre estávamos acompanhados de vários amigos e parentes: ou
era o Barulho com suas irmãs ou era o companheiro Silencio com suas irmãs e seu
irmão Sossego.
Durante o dia o
companheiro Barulho não nos larga.
Quando a noite ia
chegando, o Barulho ia se afastando, e o Silencio, timidamente chegava.
O Barulho me deixava
inquieto e até um pouco nervoso.
As irmãs do Barulho,
talvez você conheça, uma é a Inquietude e a outra, a menor, é a Agitadinha.
Estas irmãs do Barulho não dão espaço para o Sossego, o outro irmão do
Silêncio.
O Barulho e suas irmãs não
eram companheiros suaves.
Eram bem ‘malas’. Não
recomendo amizade com estes personagens.
Mesmo que seja
inevitável, há que tomar certas precauções para que não te prejudiquem.
Com o Silêncio eu nem
sequer cansava.
Era sútil, mas
dava para perceber que, com a sua suave presença, eu me sentia muito mais
pleno, harmonizado e em paz.
Com a companhia do
Silêncio, eu até reduzia meus passos.
Quando eu caminhava com o
Silêncio, por incrível que pareça, as primas dele, a Eficiência e a Eficácia
estavam sempre por perto.
Foi sempre com a chegada
do companheiro Silêncio que as melhores ideias apareciam.
Com o Silêncio vinham as
suas outras irmãs, a Calma, a Paz e o irmão mais tranquilo, o Sossego.
Psiu!
O silêncio vem aí.
Preste atenção nele.
De tão humilde, nem
quer ser visto.
Está escondido, mas
quer ser percebido.
Quanto maior o espaço,
mais o silêncio se
faz presente.
Veja lá em cima, no
céu,
quando só o sol e o
azul estão juntos,
quanto silêncio entre
eles.
E nas noites, quase
escuras,
as estrelas lá estão,
cintilando em silêncio.
Quanto menor o
espaço,
mais o silêncio foge.
O silêncio, com o
sossego,
não há melhor
companhia.
Se você não falar,
e deixar o teu silêncio
se expressar,
talvez eu consiga te escutar.
Vozes, falas,
conversas, gritos, sons,
não me fazem mais
tanto bem.
Não são mais meus
ouvidos,
meus melhores professores.
Hoje, sons são apenas
rumores.
Meus olhos também se
enganam,
procurando luzes
ofuscantes.
Onde o silêncio é
percebido?
Por quem é
valorizado?
O silêncio não está
no relativo,
no espaço pequeno, no
transitório.
O silêncio está no
absoluto,
no espaço infinito.
O silêncio está lá
dentro,
guardado na alma,
aguardando o momento
oportuno
para dizer: presente.
Sou eu que teus
ouvidos procuram;
Sou eu que os teus
olhos querem contemplar.
Sou eu que você tanto
deseja vivenciar.
Sou aquele que te
falta
já que nada te
contenta
neste mundo cheio de
tudo,
menos de mim.
No mundo do silêncio,
palavras não produzem
feitos nem efeitos.
No mundo do silêncio
está a sabedoria,
a saúde física, saúde
psicológica
e vitalidade
espiritual.
E você resiste.
Você não consegue
parar.
É impossível
silenciar.
Se não há silêncio em
casa,
não há comunhão,
nem unidade familiar.
Se não há harmonia em
teu ser,
dividido, doente te
vejo,
e te repreendo,
com meu silêncio.
Nada aprendemos
com a gritaria do
mundo.
Nada aproveitamos dos
discursos
dos políticos,
governadores e presidentes.
Agora
sim, somos capazes de comparar
e
perceber que o silêncio
é
um grande professor,
talvez
o melhor.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 16/02/2016
eneaspb@gmail.com
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