Muitas e muitas vezes nos perguntamos se a vida é assim
mesmo, sem curtição, sem vibração, sem alegria.
Rotina, repetição, uma constante sem sabor, sem colorido.
Se assim é, tenha certeza que não está vivendo de acordo
com a receita correta.
Talvez esteja faltando algum ingrediente para que o bolo
fique gostoso.
Açúcar, fermento, azeite ... Na mistura talvez falte
admirar e adorar numa quantidade um pouco maior.
Falta colocar
no currículo escolar
a ciência da adoração.
Esta ciência
produz, nos humanos
alguns efeitos
com características
e sabores
sobrenaturais.
Temos
sim,
em nossa estrutura humana,
componentes sobrenaturais.
Se
colocarmos estes componentes nas nossas ações de todos os dias, tudo, tudo vai
melhorar.
O que queremos realçar
é a
gostosa experiência
que fazemos quando ‘adoramos’.
É uma experiência que elastifica e amplia nossas poucas experiências humanas
sumamente boas.
É mais um desafio que
propomos dentro da cadeira pedagógica do amor:
Conquistar
esta ciência,
dentro
da faculdade
ou
da universalidade do amor.
Através desta ciência
a pessoa centra o foco de atenção
no seu Criador.
Ativa a faculdade da admiração
e esta, através dos seus efeitos,
desemboca na gratidão,
acionando por sua vez,
a mística da integração
do nosso ser humano
com o nosso Deus
e Pai Criador.
Adorar é um ato de sair de si,
sem sair de si.
O efeito
é sentido dentro de si mesmo,
no sentimento de gratidão,
e comunhão.
Ainda um tema de
estudos precisa fazer parte das lições mais importantes do livro da vida.
Trata-se da característica das grandes personalidades, dos grandes
personagens que experimentaram e vivenciaram a virtude da gratidão.
Gratidão ao Pai Criador do céu e da terra e a todas
as criaturas e elementos que compõem o universo.
Mas vejam bem,
o sentimento da
gratidão
é
consequência:
é o resultado do ato de admirar.
Admirar é sair de si
e encontrar lá fora,
motivos,
razões e fundamentos
de admiração e adoração.
Estas são atitudes enriquecedoras,
pois trazemos para dentro de nós
o que é belo, harmonioso,
cheio de conteúdos e significados
que realizam e despertam em nós
a nobreza.
Se soubéssemos adorar,
dizia Frei Ignácio Larrañaga*,
atravessaríamos a vida,
como a calma dos grandes rios.
Frei Ignácio Larrañaga 04/05/1928-30/10/2013, foi sacerdote capuchinho espanhol, fundador das Oficinas de Oração, pregador de retiros, escritor, criador dos Encontros de Experiência com Deus. Autor de dezenas de livros: Mostra-me teu Rosto, O silêncio de Maria, O Sentido da Vida, As Forças da Decadência, Suba Comigo, e outros.
Transcrevemos um pequeno trecho
sobre o adorador na visão do Frei Ignácio.
O adorador é uma pessoa,
com uma consciência
dominada pela surpresa.
A surpresa é um desprendimento,
um sair de si mesmo,
sair daquelas amarras,
apropriações e aderências,
mediante as quais a pessoa ata a si mesma
e às demais criaturas ao seu elo central.
Somente a admiração
é capaz de tirar o ser humano
do isolamento egocêntrico
e libertá-lo das auto complacências
e autossuficiências.
É preciso ser livre até de si mesmo
para poder admirar e adorar.
Vamos buscar outro
personagem, procurando penetrar na sua personalidade, esperando descobrir mais
algumas dicas sobre esta ciência da admiração, contemplação, visão celestial, mais do que simplesmente humana.
Procuremos penetrar na personalidade do Francisco
de Assis*.
São Francisco de
Assis 05/07/1182-04/10/1226. Foi religioso
e santo Italiano. Nasceu e morreu em Assis, Itália. Foi o fundador da Ordem
Religiosa dos Franciscanos. É o patrono da Ecologia. Foi o autor do Hino ao
irmão Sol e da Oração “Senhor Fazei de Mim um Instrumento da Sua Paz”.
Foi ele uma das
poucas pessoas que mais próximo chegou, identificando-se a aproximando-se da personalidade
do Jesus Cristo.
Ao conhecer mais
profundamente a personalidade deste homem, através dos livros, e de muitos dos
seus seguidores, conseguimos perceber como ele recuperou a inocência original.
Suas palavras e atitudes
foram de louvor,
adoração e gratidão.
Eis a manifestação
do Francisco de Assis,
através do Cântico das Criaturas:
Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
teus são os louvores, a glória, a honra e toda benção.
A ti, somente, altíssimo, eles convém
e nenhum homem é digno de te imitar.
Louvado seja meu senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão sol,
o qual faz o dia e, por ele, alumia.
E ele é belo e radiante,
com grande esplendor, de ti Altíssimo, traz imagem.
Louvado seja meu senhor,
pela irmã lua e pelas estrelas.
No céu formaste-as claras e preciosas e belas.
Louvado seja meu senhor, pelo irmão vento
e pelo ar e nuvem e sereno e todo tempo
pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado seja meu senhor,
pela irmã água,
a qual mui útil é e humilde
e preciosa e casta.
Louvado seja meu senhor,
pelo irmão fogo, pelo qual iluminas a noite.
Ele é belo e alegre, robusto e forte.
Louvado seja meu senhor,
por nossa irmã, a mãe terra,
a qual nos sustenta e governa,
e produz diversos frutos com coloridas flores e ervas.
Louvado seja meu senhor,
por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam doenças e tribulações.
Felizes os que sustentam e promovem a paz,
que por ti serão coroados.
Louvado seja meu senhor,
pela irmã nossa, a morte corporal,
da qual nenhum vivente pode escapar.
Felizes os que se encontrarem na tua santíssima vontade, a quem a segunda morte não lhes fará nenhum mal.
Louvai e bendizei o meu senhor,
e agradecei-lhe e servi-o com grande humildade.
Nestas poucas
linhas você percebeu como acontece a prática da ciência da adoração,
contemplação, superação da simples humanidade, em direção ao comportamento
correto, de filho adorador.
Veja como é fácil
deixar de ser humano, sem deixar de ser o que somos.
Adorar e
contemplar é focar a atenção nos elementos e criaturas externas,
procurando motivos, razões, argumentos e fundamentos do ato de admirar e
adorar, e ver, através das realidades visíveis, o Invisível sempre Presente.
É mais ou menos
isso o que acontece quando estamos diante de qualquer obra de arte:
manifestamos a criatura especial que somos: admiradores, contempladores.
Você costuma
assistir o espetáculo do por do sol que acontece diariamente?
Este é um bom
exercício para ir praticando e aperfeiçoando as regras desta nova
ciência.
Exercício prático:
Fique parado(a),
quiteinho(a), olhando, admirando e contemplando a tua pessoa amada, querida.
Que sentimentos
experimenta?
Pratique esta ciência, olhando e contemplando uma
por uma, todas as outras pessoas que convivem ou passam diante de ti, todos os
dias.
Você seria outra pessoa, promovida de simples
pessoa humana para admiradora.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 08/02/2016
eneaspb@gmail.com 41 98854 5166

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