Não sei por que razões
sou
apaixonado pelo infinito,
talvez
porque seja lá
a
casa onde mora
o
céu.
Quando
fui criança
falaram
do céu
e
acreditei.
Fui
crescendo
e
deixaram de falar dele.
E
agora,
a
criança birrenta
que
ainda existe em mim,
bate
os pés e grita,
quero
o céu
que
me prometeram
quando
fui criança normal.
Se
não falam mais do céu,
então
quero conhecer o infinito
porque
agora tenho certeza
de
que é lá que mora o céu.
Será
que sou normal?
Numa
hora eu quero ser mais livre,
quero voar, mas não consigo,
não tenho asas.
Noutra hora,
quero transportar-me
para o alto da montanha,
sem dar os passos
por entre as
pedras.
Querendo
ser mais
experimento as barreiras,
as cadeias,
as cordas,
as correntes,
as carências,
as impotências,
e a
paralisia.
Eis
que ainda sou
uma mistura de massas,
barro da terra
habitado por migalhas
de infinito.
Quero devolver-me ao
infinito
mesmo sendo
massa de cimento,
de pedra
ou de chumbo.
Estou
na terra,
mas não sou terráqueo.
Se daqui eu fosse,
seria muito mais sossegado.
Mas tem coisa dentro de mim
que cutuca o bicho preguiça,
que desperta outro
bicho,
escondido,
atrás dessa frágil natureza,
projetada para novos horizontes, novos espaços,
novo jeito de
ser,
ainda
desconhecido.
De
repente,
de novo,
experimento-me,
curtindo,
uma expectativa
uma esperança,
ou uma ânsia,
uma saudade...
que me
parece não ser minha,
uma
sensação
de
que não sou daqui.
O
finito, a finitude,
não
me esgota, nem me contenta,
não
me preenche,
nem
tem respostas definitivas,
verdadeiras
e eternas.
Não me acostumo
com minhas limitações.
Meus
limites temporários
fazem-me esquecer
que sou humano,
limitado pelos dois pés.
E me fazem sentir
o que é ser já,
do outro mundo,
eterno,
sem ser.
E
aí o tempo passa,
e não percebo,
o tempo passar.
Será
essa a sensação
de sentir,
que não sou daqui?
Eis que sou e estou
morando
no tempo.
No
Céu, fora do tempo,
O meu e nosso Paizinho,
o Artista que nos criou,
o Perfeito, está sempre a chamar:
Vem.
Existe uma ânsia,
uma vontade
ou um
sonho
que
arde
dentro de cada um de nós,
pessoas
humanas
e divinas
ao mesmo tempo.
O que há de humano em nós,
contenta-nos ou nos humilha.
O que há
de divino em nós
se
manifesta como sede
que não sacia nunca.
Sinto que sou
uma obra de arte,
inacabada,
aguardando
as
últimas pinceladas,
e a assinatura eternizante.
Ansiamos e desejamos
continuar vivendo.
Estes pensamentos
e
experiências
podem ser traduzidos para
queremos
morar no infinito
e viver para sempre’.
Não podemos ainda
avaliar
nem experimentar
esta
afirmação
na
sua mais completa
definição e alcance.
O que sabemos
é que estamos acostumados
com a
experiência de desistirmos
diante dos limites.
Quando fazemos
a
experiência dos nossos limites,
experimentamos que somos pequenos
e imperfeitos,
e isso nos incomoda
e às vezes, nos acomoda
e nos
convencemos
desta limitação.
Estas experiências
sugerem que
aceitemos
essa
situação
como algo normal
na nossa dimensão humana,
deste tipo de vida,
passageira.
Por outro lado,
somos um
tipo de ser aperfeiçoado,
pois conseguimos superar
nossa animalidade
e desenvolver
outras capacidades
próprias de
humanos.
E, dentro deste humanismo
existem
sementes espirituais
que
nos promoveram
para filhos do Pai Eterno,
com indícios de ‘algo mais’,
permanente, para
sempre.
Somos filhos do Criador,
por
isso, estamos carregados
de talentos e forças criativas.
Temos fé e esperança
nas
promessas do nosso Paizinho.
Esta verdade
carrega consequências,
a experiência de que somos
mais do que seres humanos.
Nosso modo de ser,
pensar e agir,
demonstra
que já ultrapassamos
nossa própria
humanidade.
Se formos assim,
tão
poderosos,
tão
grandes,
essa grandeza
convém conhecer
e cultivar.
Como é bom
soltar as cordas
que nos aprisionam.
Como é bom experimentar
a liberdade
que este viver
tem demonstrado existir
em nossa natureza divina,
escondida
como semente
dentro desta casca humana.
Estamos carregados
de
preconceitos e pensamentos
que limitam nosso pensar
e, por consequência,
nosso
agir.
Temos dificuldades
em aceitar
pensamentos
e
literatura sobre o infinito
porque está fora
do ambiente da terra.
Não estamos acostumados
com este
estilo de comunicação
que
parece nos afastar
da imperfeita
e incompleta
realidade cultural
na qual estamos envolvidos.
Sentimos dificuldades
em acreditar no céu infinito
e em tudo aquilo
que nos parece impossíveis
porque
vivemos no mundo ocidental,
marcadamente pragmático,
prático, racionalista e materializado.
Mas, já que chegamos até aqui,
não vamos desistir
e vamos em frente,
bebendo conteúdos
que arrebentem nossos preconceitos
e
ampliem nossas ambições
ao
infinito.
Às vezes ficamos com dúvidas
sobre nossa pátria final,
mas nos acalmamos
quando encontramos
na Carta do São Paulo Apóstolo
aos Hebreus,
a afirmação de que
‘não temos
aqui embaixo,
cidade permanente,
mas buscamos
a que a de vir’.
Epístola aos Hebreus, 13,14.
Infinito,
tu me atrais
e me seduz.
Deixo-me seduzir
porque me agradas
e me convence.
E te aceito
porque me promoves.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
leia outros textos
sobre o infinito em meu blog
https://heiposworld.blogspot.com/

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