domingo, 7 de julho de 2024

901.- O infinito não me assusta, me atrai.

 



O infinito

    não me atormenta

       e não me amedronta,

          pelo contrário, 

              me cativa.

 

Em cada leitura que fazemos,

quando nos deparamos

com a palavra ‘infinito’,

sentimos que somos transportados

para um sentimento de pequenez,

mas, ao mesmo tempo,

de orgulho, dignidade

e esperança otimista.

 

Existe uma semente de infinito

em cada um de nós.

O espírito que me habita

me dá este testemunho.

 

No nosso dia a dia,

convivemos com limites:

fazemos a experiência

da distância,

das fronteiras,

do perto e do longe.

 

Em tudo que fazemos

experimentamos limites.

 

O nosso fazer e atuar

está centrado

nas experiências do finito. 

 

Sentimos e fazemos experiências

essencialmente finitas.

 

Mas, por outro lado,

há algo em nós

que se familiariza

com o infinito,

e que ele não é tão desconhecido,

mas que é pressentido por nós.

 

Por que é que nos sentimos atraídos

por essa palavra

ou por essa dimensão do infinito

e da eternidade?

 

Qual é ou quais são

as experiências que fazemos

do infinito?

 

O que há no infinito

que nos atrai?

 

Fazemos leituras de temas

que se referem ao macrocosmo.

 

A grandeza do Universo,

na sua largueza

e profundidade sem fim,

aproxima-nos

com a ideia de infinito.

 

Discute-se hoje,

no campo das ciências,

a finitude e a infinitude

do universo.

 

A contagem da idade do Universo

estimada em 14 bilhões de anos,

já não nos comove

nem nos surpreende.

 

Sabemos que existem

métodos científicos,

inquestionáveis,

para medir e pesar 

o tempo e a idade da vida.

 

Todos os elementos simples

já foram decifrados.

 

A ciência moderna

procura hoje descobrir

e aplicar as potencialidades

na agregação de elementos.

 

Agregar valores

é a origem 

de novas sínteses

e de novas descobertas.

 

É por isso que queremos agregar

a nossa finitude, com o infinito.

 

A vasta literatura

sobre o espírito

e a espiritualidade

é outro grande fator de sucesso

da humanidade.

 

Quase esgotamos

o estudo da matéria

ou dos elementos subordinados

à lei da gravidade e do espaço.

 

Peso, tamanho, dimensões,

já estão sob o controle

dos filhos do Criador.

 

A pesquisa sobre o espírito

e sobre a sua bagagem

imaterial e infinita,

está apenas começando.

 

As potencialidades não visíveis

que existem no ser humano,

como a liberdade,

a imaterialidade do pensamento,  

a força invencível do amor,

a atração do belo e das artes,

a mágica da música, 

as energias dos ideais,

despertam em cada um de nós,

sonhos e esperanças

cada vez maiores. 

 

A nossa racionalidade

consegue penetrar

dentro dessa dimensão

que não nos é totalmente desconhecida.

 

O conhecimento espiritual

nos aproxima

e encurta distâncias infinitas.

 

Para onde vamos?

Vamos para o futuro.

 

É neste caminho evolutivo,

que estamos investindo

desde a pré-história.

 

E, se, desde lá,

começamos a conhecer o infinito,

talvez antes possamos,

pela nossa capacidade infinita,

espiritual,

ir até lá, no futuro,

e de lá trazer as respostas

que hoje já sentimos falta. 


Se a nossa natureza maior é espiritual

e se o espírito é imaterial e eterno

o que estamos esperando 

para investir no futuro, infinito? 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com 

Texto desmembrado do 707

Publicado no FACe e no Blog em 07/07/2024.

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