Aprendemos a ser racionais.
Descuidamos
do aprendizado
para
sermos mais coracionais.
Observação.
Não quero com este texto
tirar
o valor da nossa capacidade racional,
mas
que seja uma pequena luz,
como
um farol de advertência.
Afetivo fui.
Afetivo deixei de
ser.
E perdi-me.
Perdi minha essência.
Sequei-me.
Esvaziei-me.
Robotizei-me.
Já não sei quem sou.
Desejando ser
inteligente,
escolhi dirigir-me
pela razão.
A razão cresceu e dissecou,
conheceu, explicou
tudo,
mas não convenceu.
A razão secou
o que o coração
gerou.
Quero de novo,
reviver,
escolher, a partir de
agora,
definitivamente,
ser comandado mais pelo
coração
do que pela razão.
É muito mais realizador
e compensador
amar e ser amado
do que ser apenas
conhecido.
Uma
das imagens
mais
comoventes e completas
que
o ser humano pode ver,
ou
relembrar,
é
a de uma criança
no
colo da sua mãe,
mamando.
Dois
contemplativos:
Um
contemplando
e
o outro, amando.
Enquanto
a criança
suga
os mamilos da mãe
e
olha para ela, a mãe,
alimentando
a criança com o leite,
transfere
através dos seus olhos,
ternura, carinho e amor,
complementando
a alimentação.
Essa
atitude é a única necessária
nos
primeiros meses e anos de vida.
A
mãe dá leite e amor.
A
criança recebe leite e amor.
E
meus irmãos e minhas irmãs
partilhavam
comigo daquele paraíso.
Do
coração brotaram as energias
para
carregar as cargas afetivas
para
o resto da vida.
As
baterias vitais
serão
recarregadas
ao
longos anos de vida,
mais
pelo coração do que pela razão.
As
palavras não são necessárias.
Nem
sabemos falar ainda,
mas
já permutávamos
energias
poderosas
nascidas
do intercâmbio
do
amor maternal e filial.
Eis
o que fomos e somos,
mamíferos,
como animal
e
como gente.
Com
o passar dos anos,
fomos
desmamando.
As
baterias
foram
enfraquecendo.
Crescendo,
fomos
entrando num caminho
que
nos levou a um processo
de
fragilidade.
Os
desequilíbrios
foram
aparecendo.
Doenças
instalando-se.
O
ego e o egoísmo,
por
falta do amor original,
foram
impondo-se
como
erva daninha
na
horta preparada
para
dar bons
e
saudáveis frutos.
Entrando
para a escola da vida,
longe
do colo materno,
longe
das fontes originais
do
amor afetivo,
tivemos
que sentar-nos
nas
cadeiras das escolas
e
aprender a ser aluno
e
desenvolver as faculdades intelectuais.
Até
parece que
o
que fui aprendendo nas escolas
foi
me desensinando
a
ser o que tinha assimilado
nos
primeiros meses e anos de vida.
As
pessoas mais vividas
queriam
funcionar
como
professores e profissionais
do
ensino.
E
insistiam
que
era necessário
frequentar
escolas e universidades.
A
vida passou a ser,
entre
as pessoas,
relações
entre professores e alunos,
entre
pessoas que ensinavam
e
outras que deveriam aprender,
isso
tudo apenas com um foco,
uma
preocupação:
transformar-nos
em
ferramentas funcionais.
E
então sobraram
apenas
duas categorias de pessoas:
as
que sabiam bastante,
esperando
sempre,
reconhecimento
e respeito,
e
os outros, menos esclarecidos,
numa
faixa abaixo,
sempre
agindo
como
aprendizes ou alunos.
Os
primeiros,
sempre
à vontade,
para
falar e ensinar;
e
os outros,
sempre
ouvindo,
acostumaram-se,
a
não se empenharem
para
as iniciativas evolucionárias.
Eis
o que a aquisição
de
conhecimento produz:
classificações,
separações,
distanciamento,
desigualdades.
Eis
o que a educação afetiva produz:
Igualdade,
proximidade, aceitação,
afetividade,
carinho, ternura,
compreensão,
tolerância, compaixão,
entreajuda,
serviços gratuitos,
sorrir
juntos,
chorar
juntos,
compartilhar
o que somos
e o que temos.
Estamos
no prejuízo.
Convém
repensar,
deixar
o ensino
para
o professor coração.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Texto
desmembrado em 15/07/2024
de
outro já publicado.

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