segunda-feira, 27 de novembro de 2023

882.- Profundidade x superfície. A semente brota na superfície; mas a fonte da energia brota das profundidades.



Nascemos

no chão plano,

nos vales

ou no alto

das montanhas.

 

Não nascemos

nas profundas cavernas,

ou no fundo dos oceanos.

 

Por isso,

nos adaptamos

ao nível da rua,

e vivemos,

muito da nossa vida,

na superfície.

 

E nos adaptamos

a viver em cima da terra,

e nem percebemos a insaciável sede,

a busca por águas puras e frescas,

nas profundidades.

 

 

Dentro de nós,

existe um nível mais exigente,

com aspirações superiores,

onde reside nossa alma,

que nos impulsiona

para a transcendência,

desejando, com ansiedade,

ultrapassar nossos próprios limites.

 

Avalie a sua vida, num dia de domingo.

O que você faz, que te preenche de sentido?

 

Que programas de TV, te sustenta,

e te faz crescer em sabedoria

e espiritualidade?

 

É tudo enganação,

exploração,

alienação,

desvios,

vazios.

 

É o espírito

que passa fome.

 

A potencialidade da alma

ativa-se

quando a consciência

arrisca-se

a explorar

as partes mais profundas

da natureza humana.

 

Na superfície

tudo vira rotina,

repetição, desgaste,

desilusões.

 

Quem nos ensina,

qual canal ensina

o caminho para encontrar

a origem, a fonte profunda?

 

E já estamos fartos

da superfície, que nega as respostas,

que a alma procura,

nas profundidades.

 

 

A cultura da sociedade,

imatura, despreparada,

nega-nos, afasta-nos

das profundidades.

 

Perguntas mais sérias,

curiosidades sobre os mistérios,

mal contados, nem todos, bem explicados.

 

Nossas insatisfações

provocam nossas crises.

 

Benditas e benvindas

crises da superfície

que nos levam

ao interior,

no íntimo,

das entranhas

da terra.

 

As crises e angústias,

provocadas,

pela falta de respostas

da superfície,

leva-nos,

forçosamente,

a entrar pelas trilhas

das escuras cavernas,

da insegurança,

incertezas

e dúvidas.

 

Fora das coisas

da superfície,

poucos sabem as respostas.

 

Poucos escritores,

poetas e cantores

possuem coragem,

de passar imagem

de estranhos,

fora do ninho, sonhadores.

 

Tudo conspira

para que todos sejam iguais,

no pensar e tagarelar

os mesmos assuntos,

envolver-se com as mesmas profissões,

entregar-se às mesmas diversões,

frequentar os mesmos circos.

 

Que vestimenta,

qual ferramenta

será mais apropriada

para essa desacreditada

 aventura?

 

Um espelho serve?

Para começar serve.

 

Você vive

e convive com você mesmo,

o tempo todo.

 

 

Olhe-se bem nesse espelho,

e pergunte-se:

Quem sou eu?

O que sei de mim mesmo(a),

para além da imagem

que vejo no espelho?

 

Você não saberá

nem conseguirá responder

porque o desconhecimento

sobre si mesmo

é bem maior

do que o que conhece

sobre tudo o que está

na aparência e na superfície

do ambiente em que você está

acostumado(a) a viver.

 

Você nasceu na superfície da Terra,

e está adaptado a viver na superfície,

e a pensar superficialmente.

 

Porém a sua origem,

a sua natureza

é da profundidade.

 

E a constante convicção

a nortear nossa consciência

é resistir a toda estratégia

imposta pela cultura

da sociedade de consumo,

que nos força 

a viver a partir

dos valores

da superfície. 

 

Entrar nas profundidades

da dimensão espiritual

é forçar a natureza

a caminhar sem enxergar,

procurando respostas invisíveis.

 

Então,

posso viver,

a partir da noite,

sem encontrar luzes

adaptando os olhos para enxergar,

sem abri-los.

 

Viemos do interior,

do útero feminino,

do aconchego materno.

 

É no íntimo,

no interior,

que está a usina,

a fonte divina do amor,

que nos leva de novo,

para fora, para cima,

onde o Amor

quer transformar

a superfície,

na expressão

da vitalidade

que existe na profundidade.  

  

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 06/07/2018 (original 479).

Atualizado em 02/09/2019

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World e no FACE em 06/07/2018. 

Atualizado (479)e publicado no FACE em 02/09/2019.


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