Nascemos
no chão plano,
nos vales
ou no alto
das montanhas.
Não nascemos
nas profundas cavernas,
ou no fundo dos oceanos.
Por isso,
nos adaptamos
ao nível da rua,
e vivemos,
muito da nossa vida,
na superfície.
E nos adaptamos
a viver em cima da terra,
e nem percebemos a insaciável sede,
a busca por águas puras e frescas,
nas profundidades.
Dentro de nós,
existe um nível mais exigente,
com aspirações superiores,
onde reside nossa alma,
que nos impulsiona
para a transcendência,
desejando, com ansiedade,
ultrapassar nossos próprios limites.
Avalie a sua vida, num dia de domingo.
O que você faz, que te preenche de sentido?
Que programas de TV, te sustenta,
e te faz crescer em sabedoria
e espiritualidade?
É tudo enganação,
exploração,
alienação,
desvios,
vazios.
É o espírito
que passa fome.
A potencialidade da alma
ativa-se
quando a consciência
arrisca-se
a explorar
as partes mais profundas
da natureza humana.
Na superfície
tudo vira rotina,
repetição, desgaste,
desilusões.
Quem nos ensina,
qual canal ensina
o caminho para encontrar
a origem, a fonte profunda?
E já estamos fartos
da superfície, que nega as respostas,
que a alma procura,
nas profundidades.
A cultura da sociedade,
imatura, despreparada,
nega-nos, afasta-nos
das profundidades.
Perguntas mais sérias,
curiosidades sobre os mistérios,
mal contados, nem todos, bem explicados.
Nossas insatisfações
provocam nossas crises.
Benditas e benvindas
crises da superfície
que nos levam
ao interior,
no íntimo,
das entranhas
da terra.
As crises e angústias,
provocadas,
pela falta de respostas
da superfície,
leva-nos,
forçosamente,
a entrar pelas trilhas
das escuras cavernas,
da insegurança,
incertezas
e dúvidas.
Fora das coisas
da superfície,
poucos sabem as respostas.
Poucos escritores,
poetas e cantores
possuem coragem,
de passar imagem
de estranhos,
fora do ninho, sonhadores.
Tudo conspira
para que todos sejam iguais,
no pensar e tagarelar
os mesmos assuntos,
envolver-se com as mesmas profissões,
entregar-se às mesmas diversões,
frequentar os mesmos circos.
Que vestimenta,
qual ferramenta
será mais apropriada
para essa desacreditada
aventura?
Um espelho serve?
Para começar serve.
Você vive
e convive com você mesmo,
o tempo todo.
Olhe-se bem nesse espelho,
e pergunte-se:
Quem sou eu?
O que sei de mim mesmo(a),
para além da imagem
que vejo no espelho?
Você não saberá
nem conseguirá responder
porque o desconhecimento
sobre si mesmo
é bem maior
do que o que conhece
sobre tudo o que está
na aparência e na superfície
do ambiente em que você está
acostumado(a) a viver.
Você nasceu na superfície da Terra,
e está adaptado a viver na superfície,
e a pensar superficialmente.
Porém a sua origem,
a sua natureza
é da profundidade.
E a constante convicção
a nortear nossa consciência
é resistir a toda estratégia
imposta pela cultura
da sociedade de consumo,
que nos força
a viver a partir
dos valores
da superfície.
Entrar nas profundidades
da dimensão espiritual
é forçar a natureza
a caminhar sem enxergar,
procurando respostas invisíveis.
Então,
posso viver,
a partir da noite,
sem encontrar luzes
adaptando os olhos para enxergar,
sem abri-los.
Viemos do interior,
do útero feminino,
do aconchego materno.
É no íntimo,
no interior,
que está a usina,
a fonte divina do amor,
que nos leva de novo,
para fora, para cima,
onde o Amor
quer transformar
a superfície,
na expressão
da vitalidade
que existe na profundidade.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 06/07/2018 (original 479).
Atualizado em 02/09/2019
Publicado no Blog Heipo World e no FACE em 06/07/2018.
Atualizado (479)e publicado no FACE em 02/09/2019.

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