terça-feira, 13 de maio de 2025

985.- Espiritualidade do afeto.

 

Existe um grande abismo

entre a religiosidade racional

e a espiritualidade do afeto,

que envolve sentimentos.

 

A religiosidade racional,

não é uma prática. É virtual.

Fica só no mundo da cabeça pensante.  

 

É um pensar racional

que se identifica facilmente

com o farisaísmo: dizer sem fazer.

 

A religiosidade

é tudo aquilo que aprendemos racionalmente

nas aulas de catequese e ao frequentar as Igrejas.

 

Este aprendizado da religiosidade racional

quase se equipara ao conhecimento adquirido

ao estudarmos geografia, história, matemática etc.  

 

A religiosidade acaba sendo

apenas uma responsabilidade

ou uma preocupação em cumprir as orientações,

os mandamentos do Deus Pai e da Igreja.

 

A religiosidade é uma resposta,

responsável ou irresponsável,

consciente ou inconsciente,

à frequência aos cultos

e às orações que aprendemos

desde a infância e repetimos

quase que automaticamente

ao longo dos anos.

 

Muitos cristãos

possuem um vastíssimo conhecimento

dos documentos da Igreja,

dos Evangelhos, da Liturgia,

e são frequentadores das igrejas

e fieis cumpridores

dos ensinamentos e mandamentos

da Igreja.

 

A religiosidade racional

conceitua a pessoa.

Olha-a como objeto, externo,

lá fora, separada da minha vida.

 

A religiosidade racional 

não cria empatia com as pessoas.


Não se envolve com as pessoas.


Não faz parte de um grupo de ação.


Não se emociona nem se preocupa

diante do sofrimento das outras pessoas.

 

Diga-te o que fazes

no território paroquial onde moras,

e a sua própria consciência responderá.

 

Se não fazes nada, se não participa,

você está confessando que é praticante

de uma religiosidade racional.

 

Você pensa que é cristão.

Mas, ser cristão é agir, fazer.  

 

Por isso, há um profundo abismo

entre o que pensamos e o que somos,

entre o que sabemos e entre o que fazemos

entre o pensar virtual e ser cristão ativo.

 

A espiritualidade afetiva

afeta os sentimentos e as emoções,

é envolvente, não ausente,

é próximo, não distante.

 

Na espiritualidade afetiva

a pessoa age e reage.


Afeto são aquelas qualidades

que existem no relacionamento

entre pais e filhos, entre parentes e amigos,

e, de modo completo,

entre o ser humano espirituoso

com todas as criaturas do universo.

 

Afeto é uma palavra

que designa um conjunto de atos ou atitudes

como bondade, benevolência, dedicação,

proteção, gratidão, ternura ...

situações que demonstram

que uma pessoa se ocupa,

se preocupa ou cuida,

com olhar amoroso

e mãos que servem e acariciam

com suavidade.  

 

A espiritualidade afetiva

afeta aquela pessoa que recebe afeto,

carinho e ternura, ajuda física e material.

 

A espiritualidade afetiva

transforma o desesperado em esperançoso,

o desanimado em revitalizado, 

o ignorado em valorizado.    

 

A espiritualidade afetiva

revela o que somos,

revela a carga afetiva

da qual estamos carregados

e expressamos pelo agir,

pelas mãos, pelo corpo,

pelo bolso, inclusive.

 

A espiritualidade afetiva

leva a envolver-se com o outro.

 

Espiritualidade afetiva

é a filosofia de vida

que se demonstra agindo,

conjugando o verbo amar

em todos os modos,

tempos e circunstâncias.

 

Espiritualidade afetiva

é aquela em que nos sentimos chamados

a ser resposta às solicitações de carência

material e afetiva das pessoas.  

 

Pratica-se espiritualidade afetiva,

envolvendo-se, vivendo junto com os outros.  

 

Espiritualidade afetiva

é sorrir com os que se alegram

e chorar com aqueles que sofrem e choram.

 

Espiritualidade

é uma maneira especial

de participação na vida divina.

 

A vida divina caracteriza-se pelo amor.

Tudo foi feito por amor.

O próprio Deus é amor.

‘Quem permanece no amor

permanece em Deus e Deus nele’,

nos ensina o evangelista São João.

 

A espiritualidade do afeto

é a prática do amar como o Jesus amou.

 

É ajudar como o Jesus ajudou.

 

É ser como o Jesus foi e viveu.

 

Não dá para ser cristão

sem ser como o Cristo Jesus.

 

O Jesus que viveu pelos outros

e em função dos outros.

 

 “O mundo é muito religioso, mas pouco espiritual ... A religião é aquele código de conduta, de ritos que nós escolhemos para nossa vida. A religião católica me oferece uma riqueza insondável de ritos, catecismos de teologias. Mas a espiritualidade é um pouco mais que ter religião. A gente pode ter passado uma grande parte da nossa vida sendo religiosos sem ter tocado ou chegado à riqueza da espiritualidade. A espiritualidade é quando eu consigo construir dentro de mim um significado que me mantenha como um ser humano capaz de respeitar tudo aquilo que diz sobre o ser humano, de ser pessoa de diálogo, de conviver com as diferenças, de estar com eles, capaz de ser bom, amável. Tudo em nós precisa ser educado. Quem faz o processo da educação do caráter é a espiritualidade. A religião é uma primeira base. Palavras do Padre Fábio de Melo em entrevista com Ana Maria Braga, no seu programa, em 08/05/25, um dia antes da escolha do novo Papa Leão XIV.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

Criado e pub no Blog

e no FACE em 13/05/2025

 

Leia outros textos publicados em meu blog

https://heiposworld.blogspot.com/

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