terça-feira, 26 de agosto de 2025

1023. - Infinito. Rompendo a placenta dos mistérios.

 

        O infinito faz cócegas.

        Permita-se coçar.

 

Hoje, no nosso mundo

cuja cultura e modo de vida

leva para a acomodação

quase ninguém quer sair desta casa,

visitar outras pessoas, outros lugares,

ou mais exageradamente, visitar outros mundos.

 

Mas, uma pergunta provoca cócegas:

‘para onde vamos, daqui uns tempos?’

Não te desperta a curiosidade?

 

Se estamos na terra, nossa responsabilidade

é sermos realistas, olhando também para fora,

e fazer perguntas, e buscar respostas.

 

Até onde nos leva a vida?

 

- Só até ali, no último suspiro, antes da morte.

 

E depois, ... depois da morte,

se a vida continua, saberemos para onde ir,

que caminho seguir, se durante a vida

não nos preocupamos, não demos nenhuma importância

à sobrevida, a vida eterna?

 

Já imaginou morrer, e o espírito

ter de ficar por aqui, enroscado, sem saber para onde ir?

 

Vai ser assim, mesmo.

 

Por aqui ficará nosso espírito,

teimoso espírito, que não quis arriscar

ler e pesquisar, estudar e partilhar

as possibilidades que a porta da morte vai abrir.

 

Não é possível pensar e falar sobre a morte,

saber que vamos morrer e permanecer apático, indiferente,

e não permitir que o espírito curioso que nos habita,

se aventure a achar uma solução para continuar vivendo.

 

         Por que desistir, e até ter medo da morte?

 

Interpretando a lei da evolução, se não morrermos,

não prosseguiremos evoluindo.  

 

Na morte experimentamos o fim da evolução física, material.

Após a morte, o espírito que nos habita continuará sua evolução.

 

                              Vamos continuar.

 

   É melhor arriscar, do que ficar por aqui,

               parado, nesta casa, nesta casca que morre.

 

                Existe a Alma, a semente eterna, em nosso íntimo.

 

                Aqui, a ‘coisa’ vai acabar.

 

                       Lá, no espaço sideral, infinito, inesgotável,

                             a ‘coisa’ está sempre a recomeçar.

 

Nosso espírito não foi criado aqui, na terra. Nossa Alma não é daqui.

 

Sentimos saudades, do céu

que ainda não conhecemos.

 

Nossa Alma,

nosso espírito,

algo tão grande,

tão poderoso,

tão sedento,

foi criado

e veio de longe,

do ‘meio’ do infinito,

pois se assim não fosse,

estaríamos apaixonados,

mais pelo chão da terra

do que pelo insondável

e atraente infinito. 

                       

O infinito faz cócegas. Deixe-se cativar.

Permita-se coçar. Olhe para o Céu.

 

O infinito está aí,

aberto à sua pesquisa,

à sua curiosidade,

para provocar, atrair, chamar.

 

O infinito espera um sim. 

Espera resposta, não indiferença.

 

Que tipo de inteligência é essa,

que carregamos, que não nos questiona,

não enxerga nada além do túmulo no fundo da terra? 

 

Que tipo de inteligência é essa

que não olha para cima,

para o sol, para as estrelas,

e não se sente cativada, seduzida?

 

Não sabe contemplar, ler e interpretar

o bem,

a beleza,

a grandeza

que há em nós,

idealizada,

para ser de lá,

de cima,

Alma leve,

voando pelo infinito?

 

Quem quer subir, - o espírito eleva;

 

Quem não quer, está descendo, - o corpo pesa.

 

O mundo visível, já o conhecemos,

         mesmo que superficialmente,

               pois que somos barro da terra.

 

O mundo invisível,

    que só o nosso espírito conhece,

        esconde códigos e senhas

             e estamos começando

                    a decifrá-lo.

 

Há ansiedade insatisfeita.

   Há profundidade infinita

     na natureza humana

         que só o infinito

             pode suavizar,

                que só o infinito

                    pode ‘encher’.

                                                 

                  Devemos desistir?  

       

Mas por que deixar como está?

 

Na escuridão?

 

Ignorando a fonte da Luz

que nos faz antever

muitas moradas

no outro lado?

 

Você não pensa,

não solta a imaginação,

para passear de vez em quando

para mais longe, além das nossas fronteiras?

 

Quero morar lá,

onde mora o Infinito,

como experimento minha Alma

livre,

sem pressões do tempo,

das barreiras,

dos preconceitos,

das limitações

e das finitudes.

 

Abrir-se para o infinito,

é escolher a opção de ultrapassar

as últimas fronteiras,

e entrar, rasgando a placenta

dos mistérios impossíveis.

 

Pensar nas dimensões infinitas,

leva-nos a vivenciar desde já,

os valores que abrem novas portas.

 

Estes valores, vividos,

provam a existência do Céu,

que tem que ser grande,

repleto de possibilidades,

como o infinito.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 24/08/2019

Atualizado e republicado no BLOG e no FACE em 26/08/2025

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