sexta-feira, 29 de agosto de 2025

1024.- Alma. A Alma é misteriosa.

 

Convivemos com um mistério preso dentro de nós.

E convém soltá-lo, libertá-lo, dar liberdade a ele,

para que se expresse com graça, com facilidade,

com alegria, e se faça entender.

 

Não está preso porque fez algo errado.

Está preso porque não lhe abrem as portas.

 

Este mistério é a Alma que nos habita.

 

Vivemos numa cultura

onde não há mais lugar

para o encantamento,

para a admiração

e para o mistério.

 

Nossa cultura atual é pobre de valores.

 

Essa cultura que se respira hoje,

em quase todos os ambientes,

reduziu o potencial da nossa humanidade.

 

Não se inclui o assombro, mas o medo.

Não se inclui o encanto, mas o desencanto.

Não se inclui a admiração, mas a indiferença.

Não se inclui o mistério, mas o ateísmo ou a apatia. 

 

E, se não quisermos levar

a humanidade para a falência,

convém recuperar os valores que tínhamos

quando ainda éramos originais e completos.

 

Éramos muito mais simples,

mas sabíamos e escolhíamos

o que nos era necessário,

e sustentava-nos suficientemente.

 

Aos poucos fomos perdendo a alegria,

a convivência simples, os valores

do encantamento, do entusiasmo e da admiração.

 

E finalmente, deixamos de lado

tudo o que se refere ao misterioso, ao sagrado.

 

Hoje, se aprendo algo,

se penso que sei,

se conceituo,

se conheço algo,

disseco, extraio dele a sua Alma

e destruo o seu mistério.

 

Não se leva mais a sério o que é sagrado.

       Quase tudo se tornou banal, manipulável, descartável.

 

Conhecer a Alma é um desejo profundo.

É, porém, um desafio, uma aventura,

Uma exigência vital.

 

Quando se estuda e se dá importância à Alma,

trata-se da vitalidade, da energia do nosso ser.

Trata-se da verdade e da sacralidade do nosso ser.

 

O homem é um ser misterioso

porque sua Alma é misteriosa.

 

A Alma se manifesta.

Ela não é totalmente desconhecida.

 

A alma se ajeita, e se sujeita humildemente

diante das nossas dificuldades mentais

para compreendê-la.

 

A Alma não quer ser dissecada,

esvaziada do seu mistério.

Ela só quer ser aceita e integrada à sua vida.   

 

Humilde e silenciosamente

ela aceita não ser compreendida

e se ajeita ao nosso jeito.

 

Nós, humanos racionais,

tentamos encerrar a Alma em nossos conceitos.

 

Ela é um mistério que quer ser conhecido,

não, porém decifrado ou totalmente esgotado.

 

E ela, de natureza divina,

na sua inteireza não se deixa esgotar.

 

A Alma apresenta,

e se faz presente,

de forma bem diferente

daquela que estamos acostumados a dominar.

 

Ela se revela e ao mesmo tempo se esconde

em sua forma misteriosa de ser.

 

E a nós, humanos mortais,

só resta aceitarmos humildemente

que ela se vista de mistérios.

 

Os mistérios se deixam pesquisar,

mas não na superfície e sim,

nas profundidades.

 

Por favor,

não queiram explicar tudo,

até os mistérios.

 

Permitam que existam mistérios aqui na Terra.

 

Não existirão mistérios, lá em cima, no Céu?

 

O espaço celestial é imenso.

Podem caber os impossíveis

que aqui não cabem.

 

Alguma coisa,

alguma novidade,

pode ficar para depois.

 

Deixem-me cultivar, carregar,

algumas esperanças que não sejam ilusões.

 

Que minha Alma seja alimentada

pelos mistérios que a atraem.

 

A Alma é leve, tem asas e voa.

Se assim é permitam-me

que eu mesmo descubra,

onde o vento quer e pode me levar.

 

Se fico só por aqui, como folha, ou como pena,

passearei por bom tempo, circulando a Terra,

onde a atmosfera circunda, anima, dá vida,

alegra e refresca nosso mundo.

 

Se o vento quiser, ou outro meio tiver,

pode me levar, mais para cima.

 

Já posso deixar que o vento me leve

para onde os mistérios atraem.

 

Minha alma quer flutuar,

não tem peso, nem tamanho,

nenhuma idade.

 

Quero ir com minha Alma,

voando, permanecer plainando,

por mais tempo, todo tempo,

e aterrissar no mistério infinito

da eternidade. 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado e republicado no BLOG e no FACE em 30/08/2025

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