domingo, 15 de março de 2020

718.- Sede de água, sede de paz, sede de plenitude.



Não experimentamos a caducidade,
nem a desesperança.

Não somos ainda perfeitos,
mas sabemos distinguir
o inferno dos céus.

Sentimos que a esperança
é fator de rejuvenescimento,
e que sem ela,
apressamos
o envelhecimento.

De vez em quando
fazemos experiências gostosas,
como saciar a sede,
suavizar saudades,
receber olhares de admiração,
de reconhecimentos,
sentindo a presença amorosa,
e agrados das pessoas queridas,
sentindo-nos tão bem,
entusiasmados,
carregados de energias,
cantando, dançando,
semeando alegrias,
esbanjando saúde.

Com gratidão,
vivenciamos
os bens do Criador,
distribuidos para nós,
filhos seus. 

E todos juntos,
como uma orquestra afinada,
cada um,
obediente,
 escolhe olhar,
sentir e envolver-se
com a natureza,
 paisagens coloridas,
em movimento.

Já sabemos o que é bom,
como suavizar a sede,
com outros nutrientes,
o frescor do amanhecer,
o cantar dos pássaros,
o colorido do pôr do sol,
as boas notícias,
as boas músicas,
as mensagens
de otimismo
que recebemos.

São tantas as águas
que suavizam nossa sede.

Existe dentro de cada um de nós,
algumas exigências, sentimentos,
desejos, sonhos, expectativas,
sempre por algo bom,
ou melhor.

Até parece que somos um poço sem fundo,
sempre a procura, buscando ou esperando,
algo que nos preencha, contente ou responda
a um quê, uma interrogação, uma fome ou sede,
insaciável.

Existe algo dentro de nós
que se chama alma,
feita não por mãos humanas,
mas divina,
que responde,
em primeira mão,
pela origem,
pela fonte,
pela mãe
ou pelo pai,
eternos.

Se fôssemos apenas
filhos dos nossos pais terrenos,
nossa fome ou sede
seria apenas por alimentos,
pão, leite e água.

Mas nossa origem
está nos céus.

Somos imagem e semelhança
com nosso criador,
o infinito,
o eterno,
criador,
não só dos bens
e alimentos da Terra,
mas também dos nutrientes
do céu.

Aquele que criou o céu infinito
colocou já,
um pedaço de céu
em nosso interior,
por isso somos,
profundos,
insaciáveis,
por termos já,
algo em nós,
que é infinito.

E, é por isso que,
na nossa essência,
somos insaciáveis
pelos bens aqui da terra.

Queremos mais, muito mais,
espaços sem fronteiras,
queremos as alturas,
as profundidades,
as respostas que estão nos céus,
lugares ou situações
de complementação
e plenitude.

Quando nos surpreendemos,
 olhando para cima,
ao contemplar
(=olhar com admiração),
o céu noturno,
estrelado,
sentimos algo
que não conseguimos decifrar,
nem conceituar, nem comentar.

Ficamos sem palavras,
absortos,
meio tontos,
fora de si.

Não cabe em nossa cabeça
a apreensão
de tão grande expectativa.

Não vemos tudo
o que por lá existe.
Nem nossa imaginação
consegue idealizar.

Não sai da nossa boca
nenhuma palavra.

Não conseguimos ver ainda,
o que está além,
na dimensão do nosso espírito,
e da nossa alma, invisível.

Não conseguimos ver ainda,
o que está invisível aos nossos olhos
e ao nosso conhecimento.

Mas nosso coração,
nossa alma,
pressente,
pela sede,
pela fome
de algo
que não está aqui.

O que é indefinível,
não tão bem definido,
misterioso,
explica melhor,
a sede por algo
ainda não encontrado.

Mas nossa intuição,
nossos desejos não satisfeitos,
conseguem perceber pistas.

Enquanto não nos colocarmos no caminho certo,
estaremos com sede da água pura,
sedentos da paz duradoura,
desejando a permanência
nas dimensões de plenitude,
talvez, do céu.

Quem é
que nos dará
a água viva,
que sacia a sede,
definitivamente?

Onde está esta fonte,
O Deus
que me deu,
este EU?

Se vivo,
o que alimenta minha sede
minha fome insaciável?

Será saudade
ou esperanças.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 15/03/2020

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