Não experimentamos a
caducidade,
nem a desesperança.
Não somos ainda
perfeitos,
mas sabemos
distinguir
o inferno dos céus.
Sentimos que a
esperança
é fator de
rejuvenescimento,
e que sem ela,
apressamos
o envelhecimento.
De vez em quando
fazemos experiências
gostosas,
como saciar a sede,
suavizar saudades,
receber olhares de
admiração,
de reconhecimentos,
sentindo a presença amorosa,
e agrados das pessoas
queridas,
sentindo-nos tão bem,
entusiasmados,
carregados de energias,
cantando, dançando,
semeando alegrias,
esbanjando saúde.
Com gratidão,
vivenciamos
os bens do Criador,
distribuidos para nós,
filhos seus.
E todos juntos,
como uma orquestra
afinada,
cada um,
obediente,
escolhe olhar,
sentir e envolver-se
com a natureza,
paisagens coloridas,
em movimento.
Já sabemos o que é
bom,
como suavizar a sede,
com outros
nutrientes,
o frescor do amanhecer,
o cantar dos
pássaros,
o colorido do pôr do
sol,
as boas notícias,
as boas músicas,
as mensagens
de otimismo
que recebemos.
São tantas as águas
que suavizam nossa
sede.
Existe dentro de cada
um de nós,
algumas exigências,
sentimentos,
desejos, sonhos,
expectativas,
sempre por algo bom,
ou melhor.
Até parece que somos
um poço sem fundo,
sempre a procura,
buscando ou esperando,
algo que nos
preencha, contente ou responda
a um quê, uma
interrogação, uma fome ou sede,
insaciável.
Existe algo dentro de
nós
que se chama alma,
feita não por mãos
humanas,
mas divina,
que responde,
em primeira mão,
pela origem,
pela fonte,
pela mãe
ou pelo pai,
eternos.
Se fôssemos apenas
filhos dos nossos
pais terrenos,
nossa fome ou sede
seria apenas por
alimentos,
pão, leite e água.
Mas nossa origem
está nos céus.
Somos imagem e
semelhança
com nosso criador,
o infinito,
o eterno,
criador,
não só dos bens
e alimentos da Terra,
mas também dos nutrientes
do céu.
Aquele que criou o céu
infinito
colocou já,
um pedaço de céu
em nosso interior,
por isso somos,
profundos,
insaciáveis,
por termos já,
algo em nós,
que é infinito.
E, é por isso que,
na nossa essência,
somos insaciáveis
pelos bens aqui da terra.
Queremos mais, muito mais,
espaços sem
fronteiras,
queremos as alturas,
as profundidades,
as respostas que
estão nos céus,
lugares ou situações
de complementação
e plenitude.
Quando nos surpreendemos,
olhando para cima,
ao contemplar
(=olhar com
admiração),
o céu noturno,
estrelado,
sentimos algo
que não conseguimos decifrar,
nem conceituar, nem
comentar.
Ficamos sem palavras,
absortos,
meio tontos,
fora de si.
Não cabe em nossa cabeça
a apreensão
de tão grande
expectativa.
Não vemos tudo
o que por lá existe.
Nem nossa imaginação
consegue idealizar.
Não sai da nossa boca
nenhuma palavra.
Não conseguimos ver
ainda,
o que está além,
na dimensão do nosso
espírito,
e da nossa alma,
invisível.
Não conseguimos ver
ainda,
o que está invisível
aos nossos olhos
e ao nosso
conhecimento.
Mas nosso coração,
nossa alma,
pressente,
pela sede,
pela fome
de algo
que não está aqui.
O que é indefinível,
não tão bem definido,
misterioso,
explica melhor,
a sede por algo
ainda não encontrado.
Mas nossa intuição,
nossos desejos não
satisfeitos,
conseguem perceber
pistas.
Enquanto não nos
colocarmos no caminho certo,
estaremos com sede da
água pura,
sedentos da paz
duradoura,
desejando a
permanência
nas dimensões de plenitude,
talvez, do céu.
Quem é
que nos dará
a água viva,
que sacia a sede,
definitivamente?
Onde está esta fonte,
O Deus
que me deu,
este EU?
Se vivo,
o que alimenta minha
sede
minha fome insaciável?
Será saudade
ou esperanças.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 15/03/2020

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