Reflexões sobre
quem achamos que
somos.
Aos 12 anos mais ou
menos
nos despedimos da infância
aos 17, da adolescência,
aos 21, da juventude,
aos 24 da vida de
solteiro.
Aos trinta, quarenta
ou cinquenta anos,
alguns se despedem da
vida de casados
desejando, de novo,
voltar à vida
de solteiros, jovens
ou adolescentes,
apegados,
irresponsáveis,
imaturos, que ficaram
identificados
aos valores da
jovialidade.
Depois dos oitenta,
noventa anos,
vamos nos despedindo da
vida.
Antes de cada
despedida,
vivemos a vida,
como festa.
Antes das despedidas,
vão acontecendo as
experiências,
e das experiências
vão nascendo os
apegos,
e os apegos
vão nos escravizando,
roubando nossa
liberdade
e a verdadeira
identidade.
A que, ou a quem estamos
apegados?
Geralmente nos
apegamos
e nos identificamos
aos bens que
compramos
ou também à imagem
(falsa ou verdadeira)
que fazemos de nós
mesmos.
Alguém bate no teu
carro
e você, diz:
‘estava vindo para cá
e alguém me bateu’.
Pronto. Está aí a
identificação.
Identificou-se com o
carro.
Na maioria das vezes,
nos apegamos e até
nos identificamos
com a imagem mental
dos nossos bens
e da nossa própria
imagem,
real ou falsificada.
Entre as despedidas,
a última despedida
e o que vai
acontecendo
nos dias e noites da vida,
nos invernos,
primaveras
e outonos,
vamos formando um
conceito
e uma imagem ideal, real
ou falsa,
de quem sou EU.
Quem você pensa ou acha que
é?
O Rei da Cocada?
O Dono do mundo?
O Senhor dos Anéis?
Pare um minuto.
Responda para si
mesmo:
Quem sou eu?
A Imagem que tenho
de mim mesmo(a)
é falsa ou
verdadeira?
Tenho suficiente
conhecimento
de mim mesmo
para responder
com autoridade
isto é,
como autor
da minha própria
definição?
Sou eu,
ou simplesmente,
o senhor Ego,
que me define,
que não aceita ser contrariado,
desafiado, sacudido
no mundo mental,
dos conceitos, apegos
e identificações?
Você pode ser uma
pessoa
bem equilibrada,
vivendo em paz
consigo mesma
e com todas as outras
pessoas
que convivem com
você.
Você pode ser
uma pessoa pacífica,
e gerar a paz,
criando sempre
ambiente de alegria e
bom humor.
Mas você pode também
se transformar,
de uma hora para
outra,
num tsunami.
Nós brigamos e
discutimos,
sempre,
por ninharias,
por ignorância de si
mesmo,
por apegos a conceitos
e preconceitos,
por desconhecimento
de quem somos,
de verdade.
Como pensamos e
reagimos
quando somos
confrontados com a
opinião
que o outro tem de
nós,
sem que armemos
as armaduras,
os escudos de defesa?
Quem é que estamos
querendo defender?
Nós, nossa pessoa? –
Não.
Imediatamente nos
posicionamos,
respondendo
a partir do que
pensamos sobre nós,
a partir da imagem
que fazemos de nós
mesmos.
Os conflitos nascem,
em primeiro lugar
do medo
de ser atingido por
alguma palavra
ou imagem que a outra
pessoa
tem de nós que não corresponde
ao conceito e à
imagem
que julgamos
ter de nós mesmos.
É por ideias
e conceitos
que discutimos
e entramos em
conflitos.
Somos todos uma só
alma
e um só espírito.
Quando percebermos
essa verdade essencial,
o mundo dentro de
nós,
e o universo fora de
nós,
entrará em sintonia
com a paz
e com o amor.
Mas para chegar até
lá,
somos convocados
a entrar para a universalidade
achar o caminho da
interiorização,
entrar dentro de nós mesmos,
nas mais profundas áreas,
reconhecer as mesmas raízes,
e a mesma finalidade,
a única natureza
humana,
tirando as máscaras
criadas pelo falso
eu,
o ego orgulhoso.
Desmascarar o ego,
domesticar o ego,
seus apegos e
identificações
é a meta mais
arrojada,
a buscarmos, como
pessoas,
para alcançarmos
a humanização fraterna.
O ego quer separar.
O eu superior,
quer curar, sarar,
unir, reunir de novo,
o que está adoentado.
Enquanto cada pessoa
não perceber
que o ideal da vida é
a união,
a busca da paz, da
harmonia,
esta pessoa estará
alienada,
desperdiçando
energias,
brigando por nada,
perdendo-se.
Enquanto cada pessoa
não conhecer
a verdade sobre si
mesma,
está atrapalhando,
a evolução,
a vida.
Enquanto cada pessoa
não perceber
que não é o vasto conhecimento
que o leva à
sabedoria,
mas somente,
o autoconhecimento,
não está
contribuindo,
mas retardando
a chegada da paz
mundial.
Apegos
despersonalizam,
reduzem-nos,
escravizam-nos
e nos mantém
num nível egocêntrico,
meio animal,
desumano.
Desapegos libertam,
promovem o aperfeiçoamento,
a evolução
em direção
à
fraternidade universal.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 13/03/2020

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