sexta-feira, 13 de março de 2020

717.- Eu. Quem sou? Apegos e desapegos.

 


Reflexões sobre
quem achamos que somos.

Aos 12 anos mais ou menos
nos despedimos da infância
aos 17, da adolescência,
aos 21, da juventude,
aos 24 da vida de solteiro.

Aos trinta, quarenta ou cinquenta anos,
alguns se despedem da vida de casados
desejando, de novo, voltar à vida
de solteiros, jovens ou adolescentes,
apegados, irresponsáveis,
imaturos, que ficaram identificados
aos valores da jovialidade.

Depois dos oitenta, noventa anos,
vamos nos despedindo da vida.

Antes de cada despedida,
vivemos a vida,
como festa.

Antes das despedidas,
vão acontecendo as experiências,
e das experiências
vão nascendo os apegos,
e os apegos
vão nos escravizando,
roubando nossa liberdade
e a verdadeira identidade.

A que, ou a quem estamos apegados?

Geralmente nos apegamos
e nos identificamos
aos bens que compramos
ou também à imagem
(falsa ou verdadeira)
que fazemos de nós mesmos.

Alguém bate no teu carro
e você, diz:
‘estava vindo para cá
e alguém me bateu’.

Pronto. Está aí a identificação.
Identificou-se com o carro.

Na maioria das vezes,
nos apegamos e até nos identificamos
com a imagem mental
dos nossos bens
e da nossa própria imagem,
real ou falsificada.

Entre as despedidas,
a última despedida
e o que vai acontecendo  
nos dias e noites da vida,
nos invernos, primaveras
e outonos,
vamos formando um conceito
e uma imagem ideal, real ou falsa,
de quem sou EU.

Quem você pensa ou acha que é?

O Rei da Cocada?
O Dono do mundo?
O Senhor dos Anéis?

Pare um minuto.
Responda para si mesmo:
Quem sou eu?

A Imagem que tenho
de mim mesmo(a)
é falsa ou verdadeira?

Tenho suficiente conhecimento
de mim mesmo
para responder
com autoridade
 isto é,
como autor
da minha própria definição?  

Sou eu,
ou simplesmente,
o senhor Ego,
que me define,
que não aceita ser contrariado,
desafiado, sacudido no mundo mental,
dos conceitos, apegos e identificações?

Você pode ser uma pessoa
bem equilibrada,
vivendo em paz consigo mesma
e com todas as outras pessoas
que convivem com você.

Você pode ser
uma pessoa pacífica,
e gerar a paz, criando sempre
ambiente de alegria e bom humor.

Mas você pode também se transformar,
de uma hora para outra,
num tsunami.

Nós brigamos e discutimos,
sempre,
por ninharias,
por ignorância de si mesmo,
por apegos a conceitos e preconceitos,
por desconhecimento
de quem somos,
de verdade.

Como pensamos e reagimos
quando somos
confrontados com a opinião
que o outro tem de nós,
sem que armemos
as armaduras,
os escudos de defesa?

Quem é que estamos querendo defender?
Nós, nossa pessoa? – Não.

Imediatamente nos posicionamos,
respondendo
a partir do que pensamos sobre nós,
a partir da imagem
que fazemos de nós mesmos.  

Os conflitos nascem,
em primeiro lugar
do medo
de ser atingido por alguma palavra
ou imagem que a outra pessoa
 tem de nós que não corresponde
ao conceito e à imagem
que julgamos
ter de nós mesmos.

É por ideias
e conceitos
que discutimos
e entramos em conflitos.

Somos todos uma só alma
e um só espírito.

Quando percebermos
essa verdade essencial,
o mundo dentro de nós,
e o universo fora de nós,
entrará em sintonia
com a paz
e com o amor.  

Mas para chegar até lá,
somos convocados
a entrar para a universalidade
achar o caminho da interiorização,
 entrar dentro de nós mesmos,
nas mais profundas áreas,
reconhecer as mesmas raízes,
e a mesma finalidade,
a única natureza humana,
tirando as máscaras
criadas pelo falso eu,
o ego orgulhoso.

Desmascarar o ego,
domesticar o ego,
seus apegos e identificações
é a meta mais arrojada,
a buscarmos, como pessoas,
para alcançarmos
a humanização fraterna.

O ego quer separar.

O eu superior,
quer curar, sarar,
unir, reunir de novo,
o que está adoentado.

Enquanto cada pessoa não perceber
que o ideal da vida é a união,
a busca da paz, da harmonia,
esta pessoa estará alienada,
desperdiçando energias,
brigando por nada,
perdendo-se.

Enquanto cada pessoa não conhecer
a verdade sobre si mesma,
está atrapalhando,
a evolução,
a vida.  

Enquanto cada pessoa não perceber
que não é o vasto conhecimento
que o leva à sabedoria,
mas somente,
o autoconhecimento,
não está contribuindo,
mas retardando
a chegada da paz mundial.

Apegos despersonalizam,
reduzem-nos,
escravizam-nos
e nos mantém
num nível egocêntrico,
meio animal, desumano.

Desapegos libertam,
promovem o aperfeiçoamento,
a evolução
em direção 
à fraternidade universal.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 13/03/2020

Nenhum comentário:

Postar um comentário