quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

715.- Alma. Vivendo e aprendendo a lidar com a alma






Diga-me francamente,

onde ou com quem você busca,

o que te falta?



Você sabe quais são os nutrientes

que o teu corpo necessita?



E o teu espírito,

como você o alimenta?



Você acha que o teu espírito

não precisa de alimento?



Se você deixa de comer por um dia,

o teu corpo reclama, você fica fraco,

tonteia, desmaia, fica sem vontade

para nada.



Se o teu espírito não recebe nada,

o vazio fica mais vazio,

e a falta de sentido

avisa: Estou passando fome.



Certo dia, os amigos,

companheiros e discípulos do Jesus,

perguntaram a ele, se não sentia fome.



Ele respondeu

que tinha

um outro tipo de alimento,

e que não só de pão

a gente pode se alimentar.



É certo que o Jesus

era uma pessoa especial

e vivenciava a todo momento,

as duas naturezas,

a humana e a divina.



É sinal

de sabedoria e maturidade

que nós humanos,

escolhamos uma filosofia de vida

baseada na expressão,

“vivendo e aprendendo”.



Não existem outros ídolos,

gurus ou professores,

terapeutas ou doutores,

dos quais tenhamos de aprender,

a não ser de um,

que ensinou,

vivendo.



Ele tinha uma alma eterna,

veio do eterno, e cultivava essa alma,

acima de tudo, em todos os momentos.



Por isso ele tinha autoridade,

força, serenidade, capacidade

para sair-se bem

em qualquer situação.



Se nós experimentamos limites,

incapacidades espirituais,

falta de lucidez,

falta de serenidade

diante das situações vitais,

possivelmente sejam consequências

da nossa ignorância

dos poderes e fazeres

da alma.



É certo também

que o mundo no qual vivemos,

a cultura ocidental,

nos condiciona,

e a mentalidade que respiramos

nos leva a viver

como todo mundo pensa.



Como a maioria desconhece

a cultura espiritual,

das forças da alma,

acabamos acabrunhados,

tristes, melancólicos,

sem entusiasmo

e esperanças.



Se não alimentamos nosso espírito,

a alma enfraquece e adoece.



É da alma

que nasce o desejo de melhorar,

aperfeiçoar, evoluir,

crescer além de si mesmo,

para despertar o desejo

pela imortalidade,

para as aberturas

para novos modos

de conhecer e ver,

além da inteligência

e da razão.



A alma

é uma força importante,

interna, profunda,

vital, necessária,

como a força

que existe

dentro de uma semente

que força a explosão da casca,

para poder sair, crescer,

para além do casulo.



A alma

é o ar,

o vento,

o oxigênio,

que dá vida,

possibilita a vida

e o movimento.



Dar chances para a alma,

respirar, animar, soprar.



A alma

é de natureza íntima,

de dentro,

do interior,

onde habita,

no silêncio

das profundidades;



Ah! Como eu gostaria

que o vento da alma,

fosse visível e colorido,

atraísse, contagiasse,

curasse e animasse,

todos os vivos.



Se a alma não desperta

das profundezas,

ficamos ali,

na periferia,

alimentando-se só de pão,

de doces, guloseimas,

sem nutrientes.



Ativar ou não ativar a alma

é condição de fracasso ou sucesso,

no empreendimento maior

do ser humano,

na reconquista original

do seu próprio ser.



É a alma consciente,

livre e esclarecida,

que vai dar condições

para entrar em contato

com o verdadeiro eu,

perdido, alienado,

estraçalhado,

dividido pela cultura

do mundo ocidental.



Se não é a alma

que te anima,

o teu corpo fica pesado,

e teus passos lentos,

e a sua mente,

inquieta, ansiosa,

anêmica.



É a alma que abre as portas,

para os interesses,

fora deste mundo.



As asas da alma

é que nos tornam leves,

voando por cima das propagandas

do imediatismo.



Não podemos

desgrudar nossos pés

do chão da realidade,

mas é a alma

que nos leva

a conviver

com os paradoxos da vida,

com discernimento e sabedoria.



A alma

não mora tanto na mente,

na razão.



O pensar da alma

nasce do coração.



É um olhar meigo,

fino, sutil, delicado,

abençoado, empenhado,

carregado de sentimentos,

de nobreza, acolhimento,

admiração.



As atitudes da alma,

são atitudes divinas.





Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 26/02/2020.


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