quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

707.- Poesia. Invista no artista que dorme na sua alma.



Existe um caminho 
por onde podemos voar
onde conheceremos
nossas nobres capacidades, 
e elevados sentimentos,
que a arte quer ensinar.  



Prestar atenção em nós,

quando estamos felizes,

contentes com o momento,

num clima de completude,

em que nada nos afeta,

nada nos incomoda,

só a paz,

a harmonia

e a beleza,

como companheiras.



Existem momentos

em que até os pensamentos

se aquietam,

permitindo

a ação da admiração,

do contentamento,

da contemplação,

do bem,

da paz,

e da beleza.



Existe em cada um de nós

o potencial para algum tipo de arte.


Neste texto abaixo você vai descobrir.


Sinta qual vai mexer mais com você.


E invista no artista

que está dormindo aí na sua cama.



O poeta se entristece

quando sente o desgaste

que as palavras sofrem.



O poeta

sofre para repor

e recarregar

as palavras esvaziadas,

com novas forças,

novas cores,

até novos significados.



O poeta sofre quando vê os alunos

irem e virem das escolas,

mais como prisioneiros

e escravos do “é assim que é”,

ao invés de alegres

aventureiros,

exploradores.



A arte

sempre foi estudada,

valorizada

e incentivada pelos filósofos,

educadores, cientistas,

pesquisadores,

inspirados inventores

e descobridores.



Alguns filósofos,

educadores e teólogos

se referiram a arte

como meio

de transmitir a verdade,

a beleza e os valores da vida,

de uma forma mais gostosa,

receptiva,

e atraente.



A poesia

é uma das formas

como a arte

se faz presente.



No dicionário Aurélio

encontramos várias referências

à poesia:



Poesia

é a arte

de escrever em verso.



Poesia

é composição poética

de pequena extensão.



Poesia

é entusiasmo criador;

é inspiração.



Poesia

é aquilo que desperta

o sentimento do belo.



Poesia

é aquilo

que há de elevado

e comovente

nas pessoas

e nas coisas.



Poesia é encanto,

graça, ou atrativo.





É importante perceber

algumas características

da poesia:



- A poesia

quer funcionar

como estímulo

ou despertar

a participação emotiva

nas pessoas;



- A poesia,

é vista

como um caminho

para se chegar

à verdade absoluta.



- A poesia

é também

um modo privilegiado

de expressão linguística.



Não se caracteriza

por obediência cega

às normas de comunicação.



É valorizada

pela liberdade de expressão,

do poeta, do comunicador.



Não lhe cabem críticas

quando o objetivo são valores,

setas,

caminhos alternativos,

para ligar

a sensibilidade,

despertar

a consciência,

motivar

mudança de vida.



Na poesia

está encarnada

todos os movimentos dolorosos

ou agradáveis,

inseparáveis

de todas as nossas ações.



Nas linhas ou nas rimas,

o poeta fala do sofrimento,

querendo estancá-lo,

silenciá-lo ou suavizá-lo,

sem sucesso,

pois que ao mesmo tempo,

nas entrelinhas,

o alimenta,

irrigando-o

 com as lágrimas

da sinceridade

e do arrependimento.



Nas linhas ou nas rimas,

o poeta fala e escreve

sobre a felicidade,

na esperança

de nos tornar mais

pacíficos e carinhosos,

mais abertos

e construtivos.





A poesia,

é a arte,

no seu lado emocional.



Seu conteúdo,

mais do que o racional

 é o sentimento.



Vi você aí,

sem fazer nada

e montei este texto.



Antes que você leia,

te pergunto:



Você gostaria

de aprender alguma coisa

sobre arte, poesia?



- Sim, bem que gostaria.



Então,

por que não começa agora?

- Bem que gostaria, mas ...



Pois bem,

Vou fazer a minha parte.



O sublime trabalho

da poesia

é dar sentido e paixão

às coisas simples,

inanimadas,

mas importantes,

como as crianças fazem,

brincando,

conversando com elas

como se fossem

pessoas vivas”.

Giambatista Vico.



A poesia,

existe lá

onde os sentidos

estão bem alertas,

robustecidos,

e a fantasia é vigorosa.



Na poesia

e nos poetas

existe idealismo,

intenção,

sublimidade.



O poeta e a poesia:



- bem que quer

transformar

o dia comum

num dia espetacular

descobrindo

os interesses das pessoas,

ou despertando-as

para o que interessa

e responde plenamente

aos desejos mais profundos,

aquela sede insaciável,

aquela expectativa

ainda não satisfeita ...





- bem que quer

fazer durar muito tempo

o que é gostoso.



É da dimensão

mais profunda,

mais real

e mais verdadeira

do ser humano,

via sentimento.



- bem que quer

ensinar

as pessoas comuns

a se tornarem

pessoas

extraordinárias.



É a paixão,

que brota

dos sentimentos

que oferece

a resposta

ao sentido da vida.



- bem que quer

que as pessoas degustem

e tenham

os mesmos pensamentos

e sentimentos

que os fazem curtir

cada coisa simples

em exposição

no palco da vida.





Abrir os olhos,

ver as flores.



Olhar para cima,

admirar as estrelas.



Abrir os ouvidos,

escutar

canções dos pássaros,

distinguir

vozes afetuosas.



Sentir o frio,

o calor,

suar as mãos,

pisar descalço

o chão acolhedor.



- bem que quer

dar vida

a todo

e qualquer elemento

disponibilizado

a cada um de nós,

mostrando a bondade

e a familiaridade

de cada elemento,

facilitando e suavizando

a vida a todos nós.



Tudo que há no universo

é irmão ou irmã,

fraterna,

faz bem,

é benéfica,

ajuda,

equilibra,

unifica

e fortalece-nos.



- bem que quer,

a cada um,

transmitir

e transferir

a linguagem emotiva,

estimulando

o despertar das emoções

e mudanças de atitudes.



É o apaixonado,

a apaixonada

que curte a vida,

contagia os outros,

a ser mais. 



- bem que quer

despertar o raciocínio

para a decodificação

do simbólico escondido

ou revelado

em cada palavra,

cada frase,

cada texto,

cada expressão,

cada pessoa.



Cada elemento,

cada pessoa

é uma senha

que quer ser

decodificada

para te fazer feliz.



- bem que quer,

despertar,

a função emotiva,

escondida,

velada

ou revelada,

escrita ou subentendida

em cada texto,

dormindo ou acordada

em cada ser humano.



Emoções sadias

necessitam vir à pele,

expressar-se,

comunicar

suas riquezas.



Se o rosto arde,

queima,

a poesia,

a arte

ou o amor

anda por aí.



Permita

que as emoções

te digam

que está vivo ou viva.



- bem que quer

lembrar e sustentar

valores já conhecidos

ou explorar novos valores.



A experiência

vai ensinando

onde estão

os valores,

que respondem,

que perduram

e que deixam saudades

quando ausentes.



- bem que quer

mostrar que o sensível

é a qualificação central

da arte, da música, da poesia.



A beleza percebida

demonstra a perfeição

da potência sensível

da pessoa humana.



A beleza,

a arte percebível

é atestado da perfeição

dos órgãos da percepção

do ser humano.



- bem que quer

ensinar a acolher

tanto o prazer

como a dor,

tanto o bem

como o mal,

como um casal

que se ajusta,

superando-os,

alcançando

a harmonia

na sábia convivência.



A vida

é um pacote

que veio com tudo.

Não dá para dispensar

o que não gostamos

pois o que nos incomoda,    desacomoda-nos

e empurra-nos

para a maturidade

e para a evolução.



- bem que quer

insistir

e mostrar

a extensão do infinito,

que originam forças,

para vencer

as angústias

do mundo finito.



É o mistério

transcendental

que abre o ser humano,

que o tira

do mundo

do absurdo.



- bem que quer

esforçar-se

para revelar

um ideal de perfeição,

mesmo que esteja lá longe,

distante dos nossos pés,

mas próximo o suficiente

dos nossos ideais.



Onde estamos

é o ponto de partida,

o aeroporto

da decolagem.



- bem que quer

mostrar

que aquilo

que a gente pensa que é,

de repente descobre

que realmente é.



E se alegra.

E se conhece capaz.



E quer continuar

neste caminho

que traz

compensações,

abrindo as portas

que estavam fechadas,

sem chaves,

sem saídas.



- bem que quer

fazer perceber

a essência

de todas as coisas,

perceber-se

que é o objeto,

o ser vivo

dentro da poesia.



É de mim,

É de você,

da minha pessoa,

da sua personalidade,

do que sou,

do que és

e podes ser,

que trata

a arte, a música, a poesia.



Sou eu

o objeto próprio

de todas as artes.



É você

o sujeito passivo

e ativo

de toda arte.



- bem que quer

se expressar

com liberdade,

sem obediências

a leis rígidas,

quadradas,

fechadas,

determinantes,

por isso desperta

a própria liberdade

de interpretação

do leitor.



- bem que quer

condensar

e abreviar

as palavras,

encurtar teu tempo

e teus caminhos,

dar-te

o que necessitas

tão logo

estejas precisando,

mas há o esforço

a ser feito

que não pode ser dispensado

para que o conteúdo

seja percebido,

trabalhado,

apreendido,

aproveitado. 



     Nutrientes

são disponibilizados.



- bem que quer

dar

a cada palavra

a energia

e a força de explosão,

em tua mente

e em seu sensível

coração.



- bem que quer

dar maior força

e maior significado

às palavras desgastadas,

purificá-las,

mantê-las eficientes,

renová-las

e aperfeiçoá-las.



Se a palavra

é usada

em qualquer lugar

sem qualquer respeito,

nas artes,  

a palavra

tem valor,

quer ser

como o despertador

exercendo a função

de acordar

para o dia

a ser preenchido

com a densidade

de tudo,

com potencial artístico.



- bem que quer

manter fidelidade

à função emotiva,

fidelidade à significação,

fidelidade à verdade,

fidelidade ao dever,

fidelidade aos valores permanentes,

fidelidade à liberdade,

que fazem da arte,

o primeiro valor,

de todo aprendizado.  



- bem que quer

mostrar o peso

e a importância

do valor

e do significado moral,

como professora

atenta ao ensino,

despertando faculdades

de raciocínio reflexivo,

amadurecendo

responsabilidades,

o respeito e o encantamento

diante dos outros,

da natureza

e do infinito.



- bem que quer

revelar,

cultuar,

valorizar

e curtir a beleza

em todas as formas,

cores,

gestos e elementos

da natureza,

seja ela natural,

visível ou sobrenatural,

humana ou divina.



Se a beleza já existe,

a arte,

procura dar ritmo,

aperfeiçoar a beleza

com os bons afetos,

bons sentimentos,

boas intenções,

boas ações.



- bem que quer

levar a sentir,

com o sentimento,

o que a beleza produz

nos pensamentos,

na pele,

no sangue

e na alma da gente.



Me faz sentir vivo,

vibrante. 



- bem que quer

mostrar que

a arte,

a música,

a poesia,

produz,

desperta,

cria as emoções.

A emoção

absorve-nos

por inteiro.



O motivo está fora,

o processamento é interno,

de novo sai de dentro,

a alegria explode,

a contemplação admira,

o mundo todo se acende,

monta arco íris,

e as pinturas nas nuvens,

no céu,

fazem o resto,

o espetáculo.



- bem que quer

manter a arte

na sua forma artesanal,

fora das séries repetitivas.





Tanta variedade,

tanta criatividade,

poder oculto

da divina artista,

a natureza,

e do divino Artista,

o Deus Criador,

de tantas pessoas,

diferentes,

uma das outras.



- bem que quer

revelar,

que admiramos,

porque temos alma;

sentimos

porque temos corpo;

vivemos

por existimos

com tantas capacidades

que nos enriquecem,

se despertadas,

e ativadas pela arte

pela música e pela poesia.





- bem que quer

derreter resistências,

ressuscitar almas mortas,

limpar a neblina dos espelhos,

tirar a rotina do caminho,

convidar-nos a descer

do trem automático

e entrarmos no mundo

da admiração

        e da contemplação.



- bem que quer

sugerir andar descalço

na grama,

na lama,

nos riachos rasos

e em cima

das folhas secas.



- bem que quer

despir-se do supérfluo,

vestir-se da transparência pura,

inocente, original.



- bem que faz

distinguir

as obras perenes,

sólidas,

das criações perecíveis

que o tempo gasta

e o vento esvoaça.



A pessoa humana

tem tudo isso

dentro de si:

a perenidade,

o senso do eterno,

pois que eterna já é

e por isso percebe

a eternidade em si,

que julga,

ama e admira

o provisório,

o passageiro

e a ele não se submete,



mas faz a ponte

destas belezas naturais

com a Beleza Permanente.   



- bem que nos faz

experimentar

a mais alta sensação

do êxtase.



Talvez seja esta

a mais alta experiência

de plenitude

que a pessoa humana

consegue experimentar,

sem explodir,

tal qual a experiência

da intimidade

com o Espírito Santo.



- bem que o artista, o músico

e o poeta faz

quando simpatiza com tudo

e com todos

para compreendê-los

e descrevê-los.



O poeta,

o compositor

e o profeta,

leem o mundo

em que vivem,

escutam o clamor do povo,

sofrem as angústias

de cada um,

celebram a vitória sofrida

e distribuem,

nas folhas,

gratuitamente,

ao vento,

que leve

o que de bom

e educativo extraem

de cada elemento,

de cada evento

e de cada pessoa.



- bem que não quer

ter fim utilitário,

nem quer se submeter

a qualquer norma limitativa,

por isso seus efeitos

são revolucionários,

como os jovens rebeldes

sempre em busca

de autonomia

e independência. 



Nas artes,

participam o mistério,

o encantamento,

a admiração,

a intuição.



O próprio leitor

entra dentro da cena

e vivo,

vai fazendo parte

dos personagens,

ansiando,

a cada linha,

a cada passo,

novas surpresas,

novos rumos,

alternativas sonhadas,

realizadas

ou quase alcançadas.  



Nas artes,

na música e na poesia,

não cabe dissecar,

discursar,

fechar assunto

e nem colocar

ponto final.



É o ponto de exclamação

que tem vez!



É o ponto de interrogação

que faz deslanchar um final

que seja lá longe,

longe da vista

e da imaginação.



Aberto,

abre a mente

e o mundo do leitor,

que lê de novo,

do começo,

não imaginando o final

que ainda não aconteceu.



O próximo capítulo

continua agora,

na cabeça,

na mente,

no mundo

do leitor. 



        - A arte, a música,

a poesia, a vida,

são todos bens,

valores,

que nos remetem de novo

ao começo

sem querer ver

a peça da vida,

finalizar.



Não queremos

que o fim chegue,

que os panos

se fechem

anunciando

o término

do espetáculo. 



Há muito a aprender

com os artistas,

com os poetas

e com as poesias,

escritas ou ambulantes,

circulantes,

viventes.



Se alguma palavra

não é entendida,

na poesia

a própria linguagem

é toda carregada

de significado

no máximo grau possível.





É possível,

na literatura

da poesia,

entender várias línguas,

muitas mensagens,

assim como a música,

também é universal.



Quanta curtição

na união das palavras,

das estrofes,

das letras encarnadas, associadas às notas musicais.



 Que belo exemplo de unidade substancial, completa, perfeita.



Esta pesquisa

é fruto e resumo

do que está escrito

sobre Poesia,

no Dicionário de Filosofia

Nicola Abbagnano,

Editora Martins Fontes,

SP. 2007, páginas 894 a 899.



Cito a relação dos filósofos

que foram pesquisados

neste texto,

inspiradores do que foi escrito

logo após a expressão “bem que quer”.

São eles: Giambattista Vico,

Ivor Armstrong Richards,

Charles Kay Ogden,

William Morris,

Friedrich Hegel,

Benedetto Croce,

Friedrich Schiller,

Freidrich Schelling,

Martin Heidegger,

Gustave Flaubert,

Théophile Gautier,

Charles Baudelaire,

Walter Pater,

Oscar Wilde,

Edgard Allan Poe,

Thomas Stearns Eliot,

Paul Valéry,

Pierre Dupont,

Stéphane Mallarmé,

Ezra Pound,

Hans Georg Gadamer,

Gianni Vittimo.



Convido-te a pesquisar este campo.

    Talvez você descubra

           um talento escondido,

                 pronto a deslanchar.



Experimente ser artista,

ou poeta, ou músico,

ou aperfeiçoe

a sua sensibilidade,

e, pronto.



Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 05/02/2020

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