sábado, 8 de fevereiro de 2020

708.- Verdade. A verdade está escondida na dimensão invisível.


Este é o desafio
para quem vive neste século XXI:
procurar, até encontrar,
e aprender a ler,
as mensagens invisíveis. 


O mundo visível contém pistas.
Ensina quem for curioso,
e deseja prosseguir.
 


Onde devemos buscar a verdade
sobre nós, sobre nossa vida,
sobre o que vai ser da gente
depois da morte.

Sim, temos de pensar
sobre o depois,
se a morte 
não é um fim,
e se a vida, 
uma vez iniciada,
continua para sempre.

Se não há vida depois da morte,
esta aventura daqui da terra
foi muito rápida
e não deu para experimentar
tudo o que ela prometia. 
  
Não é assim que pensamos?

E então, o que deve ocupar nosso tempo?
- Acho que é a busca
pela verdade absoluta,
definitiva.


Há expectativas não preenchidas,
sonhos interrompidos,
amores não vividos,
lugares desconhecidos,
verdades escondidas,
desejando vir à luz.


Às vezes acontece 
de estarmos dormindo profundamente,
e sonhando.

Acordamos repentinamente.

O que nos acorda
é a vontade de transformar
o sonho em realidade.

Estamos dentro da vida.
Estamos vivendo.

Estamos todos juntos
dentro da nave da vida,
viajando pelo universo,
sem perceber a altíssima velocidade
na qual estamos envolvidos.

Não temos ideia
da velocidade que a terra viaja.

Nem sequer percebemos.

Apenas percebemos a diferença
entre o dia e noite,
porque aqui onde estamos,
temos o sol
que nos ajuda
e serve de referência.

 Se estudarmos um pouquinho
a ciência da astronomia,
ficaremos até assustados
sabendo um pouquinho só,
do tamanho do universo.

Assim também
em muitas ciências,
reconhecemos o pouco conhecimento
que temos.

 O universo cultural
é grande.

O estoque do conhecimento
é ilimitado.

O que sabemos
é apenas um pingo,
um ponto de caneta
numa folha branca.

Por mais que queiramos
e conquistemos,
está longe a data
em que conseguiremos
abranger a totalidade.

“Se enganados,
vivemos o possível;
esperançosos,
sonhamos sonhos impossíveis”.

Se estamos sendo enganados
pela cultura,
pela literatura,
pelas filosofias,
psicologias e todas as outras ciências,
estamos vivendo o que nos é possível.

Águias que somos,
feitos para voar nas alturas,
não aceitemos
permanecer como galinhas,
que também possuem asas,
mas não voam mais,
porque a cultura do conforto
acomodou.

Caminhemos juntos.
Sejamos parceiros nesta pesquisa,
nesta ânsia de coisas melhores.

Não me deixem acostumar
por estas terras.

Não permitam
que eu goste de morar por aqui.

Não se acostumem também.

Cutuquemos
a acomodação.

Não insistamos
em fincar raízes na terra árida.

Procuremos a terra fértil
onde se encontram os principais
e mais importantes nutrientes
que alimentam o impossível,
sonhável e desejável.

Colaborem comigo.

Mostrem-me,
decifrem e deem-me
os mistérios
que alimentem a natureza infinita,
que mora neste mais do que finito,
que sou eu, que somos nós,
com sede insaciável.

Saciem minha sede
com água pura,
da verdadeira e própria fonte,
e forneçam-me alimentos
que eternizem.

Queiramos junto,
adquirir a virtude
da teimosia.

Busquemos juntos
o caminho
e o alimento certo,
que contenham nutrientes
apropriados.

Teimemos
contra a própria correnteza,
nem que seja uma oposição
à nossa própria natureza.

Não posso e não podemos aceitar
que a própria natureza
limite
o que podemos ser.

Não aceitemos, passivamente,
entregar-nos para os limites.

Não fomos criados para
permanecer no mundo do fechado,
do pouco,
do túmulo lacrado
da morte sem sentido,
sem aberturas para o futuro.

Não tiremos de nós
as poucas esperanças
que nos vêm dos bons profetas
e dos sensíveis poetas.

Afastemos de nós
os profetas do mau agouro,
que não avistam nada
além das fronteiras.
Estes, não nos fazem pensar,
nem imaginar
sobre ‘algo a mais’
que possa existir.

Não acho próprio
da natureza humana
permanecer preso
só no que vemos e tocamos.

Não suporto a ideia
de ser só isso.

É muito pouco.

Deve ter muito mais.

Não, não quero estar satisfeito.

Não aceitemos permanecer
no campo limitado da matéria
ou nos limites geográficos
da natureza visível e palpável.

Asas não as temos.
Não conseguimos ainda,
mas sonhamos voar.

Nossa existência
não é natural.

Ela é sobrenatural.

Sentimos isso.

Fazemos esta experiência.

Queremos viver
mais o sobrenatural
do que a dimensão perecível
do natural.

Muito mais do que para baixo,
forças íntimas e profundas
empurram-nos para cima.

Não nos interessamos tanto
em pesquisar o fundo da terra.

Enche-nos de espanto
e encanto
os espaços lá de cima.

Mais do que com pesadelos,
povoamos e alimentamos
nossa imaginação,
com sonhos e ideais.

Muito mais do que a passividade,
o movimento nos remete para o alto.

Muito mais que as resistências,
motivações
despertam sonhos
e ideais.

Mais do que natureza de galinhas,
nossa infraestrutura
contém DNA de águias.

Mais do que nos contentarmos,
com cavernas,
procuramos o progresso no fogo,
na caça, na agricultura,
na indústria,
no domínio dos mares,
no voar com os aviões pelos ares.

Nos espaços siderais,
irmãos nossos,
já voaram procurando o infinito.

Não, não somos órfãos.
Traços e pistas do Pai dos céus
existem por toda parte.

Não, não somos só humanos.

A alegria nos diz isso.

Queremos sempre
a alegria por perto.

Desejamos buscar
e encontrar
a verdade,
que seja a fonte
do sentido,
do significado eterno,
já, agora,
e aqui,
na nossa própria horta.

Somos pessoas,
com potencial espiritual infinito,
abertos ao ilimitado,
pela imagem e semelhança
com o Cientista,
Criador da Terra e dos Céus,
que cria para a eternidade.

Prefiro ser um iludido
e viver nesta esperança
a sofrer numa vida triste
sem saída
para a imortalidade.

Extasia-nos
e nos desperta,
um convite,
um aceno,
um chamado lá
das estrelas.

Quem saciará a fome
e desejos de conhecer o céu?

Estes escritores procuramos.
Estes cientistas esperamos.

Que mãe parirá estes necessários
novos escritores,
novos profetas,
novos poetas,
cientistas do além?

Por favor,
reitores, cientistas, filósofos,
artistas e poetas,
rabisquem linhas
e profiram palavras
que alarguem e prolonguem
estes sonhos,
necessidades básicas,
das nossas esperanças.

Políticos,
assinem projetos ousados,
capazes de fazer acontecer,
a esperança brotar de novo,
de verde,
em todos os povos,
e a justiça
desfilar em carros abertos
pelas avenidas,
povoadas,
de pessoas
 atendidas
em suas necessidades básicas.

Teólogos,
alimentem nossa fé
no Criador do Universo.
Ele é nosso Pai.

Revelem-nos o rosto Dele,
e as moradas,
que está preparando para nós.

Queremos provas dessa filiação.

Não queremos ser filhos,
 sem heranças.

Queremos acreditar
 nas promessas
de que somos herdeiros dos céus.

Não esvaziem
o conteúdo misterioso do Criador,
nosso Pai.

Não nos deixem famintos,
alimentando-nos
com a ignorância destes dons.

Falem do nosso Papai do céu.
Nós, filhos, não queremos
sentir-nos órfãos.

Não aceitamos essa condição.

Não escondam
as verdades eternas.

Permitam-nos curtir
o mistério da natureza Divina
e abram os espaços mostrando-nos
o impossível, o infinito e o Incognoscível.

Demonstrem as evidências do espírito.
Falem da ressurreição após a morte,
da vida, da vida eterna.

Queremos continuar vivendo,
eternamente.

Não nos deixem
curtindo ilusões e fantasias,
ou mentiras que viajam pelos séculos.

Profissionais de todas as ocupações,
insistam, percam o sono,
invistam nesse financiamento,
nas provas e demonstrações
que os mistérios não são fechados
ou impossíveis de serem lidos.

O livro da história
já nos contou muitas verdades.

Verdades eternas
permanecem com o passar dos anos.

Já temos um sul.
Já temos a esperança
de que tais ideais são possíveis.

Não se acovardem.
Não nos reduzam 
a coisa pequena.

Andarilhos e mendigos, sim,
mas andarilhos,
herdeiros dos céus.

Eneas Paulo Budel Bogucheski      
Atualizado em 08/02/2020
eneaspb@gmail.com

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