quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

710.- Real x virtual. Dois mundos, o real e o virtual




O Dicionário Brasileiro

contém mais de quatrocentos

e trinta e cinco mil verbetes.

É um mini-mundo virtual.

 

Estamos e vivemos

dentro de um mundo

com mais de sete bilhões de pessoas.

Esse é o mundo real.

 

Convivemos

com um número incalculável

de elementos diferentes,

palavras, sons, imagens,

sinais, símbolos, códigos,

alfabetos e línguas.

 

Devido ao grande volume

de palavras faladas e escritas,

criou-se a expressão 

“Mundo Virtual”.

 

Vivemos no mundo real,

quando estamos trabalhando,

estudando,

desempenhando

alguma responsabilidade pessoal,

familiar ou social,

e quando estamos

com algum tipo de problema concreto,

alguma dor, sofrimento ou doença.

 

Quando saímos do mundo real,

entramos no mundo virtual.

 

E hoje, o que está causando desequilíbrios

e doenças nas pessoas,

é a dificuldade em discernir,

avaliar, separar,

escolher e decidir

entre os valores

do mundo real

e as ilusões

do mundo virtual.

 

Não gostamos

do mundo real.

 

A todo momento

fugimos para o mundo virtual.

 

O mundo real

é o campo das exigências,

compromissos, trabalhos, renúncias,

cobranças, decisões e ações,

que provocam amadurecimento.

 

O mundo virtual

é o mundo das fantasias,

das ilusões, da imaginação,

apatia, fingimento, máscaras,

das fugas e omissões,

das leituras, das conversas,

do celular e da televisão,

que provocam despersonalização,

fraquezas, apatias e doenças.

 

O mundo real,

é o mundo dos pés e das mãos,

do suor e dos calos.

 

O mundo virtual

está na boca e na cabeça,

no falar, imaginar e pensar.

 

Gostaríamos de viver como pensamos,

mas acabamos vivendo como podemos.

 

Por mais que queiramos,

desejemos ou sonhemos,

nada acontece se não

usarmos os pés

e as mãos.

 

E grande parte

das nossas frustrações,

decepções,

e sofrimentos inúteis,

decorrem

de não colocarmos em ação

os pés e as mãos.

 

Observe como, em tudo,

é o pensamento

que vem primeiro.

É espontâneo, natural,

e não custa esforço.  

 

Passamos a maior parte do dia

no mundo da cabeça,

pensando,

imaginando,

observando,

analisando,

comparando,

julgando,

voando,

‘viajando na maionese’.

 

E vamos nos acostumando

a só assistir,

no sofá ou nas arquibancadas,

os jogos do poder,

os jogos das propagandas,

os jogos das trocas de favores,

os noticiários,

do mundo pegando fogo,

ou alagado,

tragédias, violências,

politicagens,

traições e corrupções.

 

Assistimos,

acomodados,

o mundo inquieto,

agitado,

explodindo,

  e queimando. 

 

Com a cabeça, assistimos,

e dizemos: não é comigo.

 

Depois pensamos,

repensamos

e vemos

que a realidade

é exigente,

atraente ou repugnante,

nua, crua, dura.

 

E a nossa cabeça

resiste não deixando

que os pés e as mãos

se envolvam na massa.

 

E fomos nos acostumando,

percebendo o que pensamos,

diante da realidade muda,

calada, sofrida,

observada,

com profissional apatia.

 

O mundo real

é que está vivo,

castiga, pulsa,

chama a atenção

da nossa sensibilidade,

acorda-nos dos sonhos

que acontecem de dia.

 

Como é fácil

ajudar os outros,

com palavras,

com pensamentos,

com promessas,

e com intenções.

 

O que dizemos

pode até ser verdade.

 

Faça um esforço

e separe-se,

da sua máscara de ator.

 

Retire-se de si mesmo,

suba a um lugar alto.

 

Sente-se

e diga para seu corpo

e sua personalidade sair por aí,

e permaneça observando,

onde ele vai

e como se comporta,

o que ele diz,

o que sente

e o que faz.

 

Só existe a realidade,

visível, palpável,

com peso, forma, tamanho,

cores,

localização.

 

Palavras e pensamentos,

não existem.

 

Porém,

parece que só existem

os pensamentos

e as palavras.

 

O mundo externo,

o mundo das coisas,

não tem mais

importância nenhuma.

 

Acostumados a viver

no mundo virtual

dos pensamentos e palavras,

não percebemos

que está faltando a experiência,

o contato com a realidade.

 

É exatamente

a falta de experiência

que causa em nós

o sentimento de tédio

e frustração,

e até de depressão.

 

O mundo virtual

dos pensamentos

e das palavras

transporta-nos

para um mundo imaginário,

de expectativas,

que a realidade

não tem como prover,

por falta dos passos,

dados no chão da vida,

um após o outro,

cumpridas

as exigências

que só o esforço

e a ação,

providenciarão.

 

É a realidade

que dá as mãos

para a verdade.

 

É a verdade

que atende à realidade.

 

Tudo o que não se encaixa

dentro do que se compreende

por verdade,

é mentira,

enganação,

ilusão,

alienação conduzida.

 

Se não é verdade,

então não é sério,

não é real.

 

Pisando no chão

sinto a verdade,

sacudindo

o coração.

 

O coração,

batendo,

suplicando,

das mãos,

atenção.

 

Cuide deles.

Somos todos

irmãos.




Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 11/02/2020

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