Uma das piores
situações na vida,
vive aquele que não
consegue enxergar.
Um dos piores
sentimentos
sofre alguém,
quando sente algo
indefinível,
e nada acontece,
por dentro.
É uma carência,
ver por fora
e não conseguir ir
mais além,
lá dentro,
no sentir,
na alma
das coisas
e das pessoas.
O cego não vê,
não enxerga.
Monta suas ideias
e seu mundo imaginário
e real,
a partir dos sons,
e das mãos que apalpam.
A filosofia de vida do cego,
é formada pelo
acreditar
no que os outros
dizem
e no que escuta.
O cego não vê,
mas suas ações
acontecem de forma
segura,
age com convicção,
com certeza,
com fé.
Quando estão sós,
seus passos,
quase não se ouvem.
Suas risadas,
se ouvem ao longe
quando estão acompanhados,
sentindo-se seguros,
guiados, confiantes,
por algum par de mãos,
solidário.
Os cegos,
não estão em outro
mundo.
Vivem, interagem,
sem que escutemos de
seus lábios,
lamentações, queixas,
ou que existem
dificuldades
instransponíveis.
Os cegos, até mesmo,
e principalmente na
alegria,
ultrapassam de longe,
nas manifestações de alegrias,
de quem enxerga com
nitidez,
sem dar a devida
consciência
ao milagre da visão.
Se
da árvore florida
ou
carregada de frutos
aprendemos
tantas lições,
também
do cego, que nada vê,
e
pouco fala, também temos lições,
para
aplicar em nossa vida.
Para onde ir,
para que lado
direcionar
nossos passos?
Dependemos de quem sabe,
de quem experimentou,
estudou e sofreu,
mais do que nós.
Podemos nos contentar
com nosso pouco
conhecimento,
e como ateus, não
acreditar em nada,
só nas experiências dos
nossos próprios olhos.
Não acreditamos
em muitas coisas
e muitos outros
valores,
muitas vezes,
porque montamos nossa
visão de mundo,
só a partir do que
vemos,
e não a partir do que
ouvimos
ou deixamos de ouvir,
a partir do que
tocamos
ou deixamos de tocar.
Fatalmente,
poucas experiências,
pouco conhecimento,
nos deixam
incompletos,
e por isso pode
faltar
a sensibilidade
interna,
a reflexão,
meditação,
a contemplação e a
admiração,
e a consequência
será,
a fraqueza da fé.
Quando não vemos,
quando não tocamos,
dizemos que não
acreditamos.
Se não estudamos,
se não escutamos
testemunhos de vida,
se não lemos as
biografias de personagens
que se superaram
após ultrapassarem
muitos obstáculos,
nossa própria vida,
estará incompleta,
carente de algumas
peças necessárias,
para completar a
visão de vida
com todas as cores
sabores,
alegrias
e dores.
Ainda vivemos no
espaço e no tempo,
experimentando quase
tudo,
menos o que nos falta.
Faz falta o que nos falta.
Enquanto não conseguimos
o que nos falta,
estão faltando as
peças necessárias:
a fé e as alegrias,
dos cegos.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 19/02/2020

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