quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

713.- Cegos. Faz falta, o que nos falta.



Uma das piores situações na vida,

vive aquele que não consegue enxergar.



Um dos piores sentimentos

sofre alguém,

quando sente algo indefinível,

e nada acontece,

por dentro.



É uma carência,

ver por fora

e não conseguir ir mais além,

lá dentro,

no sentir,

na alma

das coisas

e das pessoas.



O cego não vê,

não enxerga.


Monta suas ideias

 e seu mundo imaginário

e real, 

a partir dos sons,


e das mãos que apalpam.



A filosofia de vida do cego,

é formada pelo acreditar

no que os outros dizem

e no que escuta.



O cego não vê,

mas suas ações

acontecem de forma segura,

age com convicção,

com certeza,

com fé.



Quando estão sós,

seus passos,

quase não se ouvem.



Suas risadas,

se ouvem ao longe

quando estão acompanhados,

sentindo-se seguros,

guiados, confiantes,

por algum par de mãos,

solidário.



Os cegos,

não estão em outro mundo.



Vivem, interagem,

sem que escutemos de seus lábios,

lamentações, queixas,

ou que existem dificuldades

instransponíveis.



Os cegos, até mesmo,

e principalmente na alegria,

ultrapassam de longe,

nas manifestações de alegrias,

de quem enxerga com nitidez,

sem dar a devida consciência

ao milagre da visão.



Se da árvore florida

ou carregada de frutos

aprendemos tantas lições,

também do cego, que nada vê,

e pouco fala, também temos lições,

para aplicar em nossa vida.



Para onde ir,

para que lado direcionar

nossos passos?



Dependemos de quem sabe,

de quem experimentou,

estudou e sofreu,

 mais do que nós.



Podemos nos contentar

com nosso pouco conhecimento,

e como ateus, não acreditar em nada,

só nas experiências dos nossos próprios olhos.



Não acreditamos

em muitas coisas

e muitos outros valores,

muitas vezes,

porque montamos nossa visão de mundo,

só a partir do que vemos,

e não a partir do que ouvimos

ou deixamos de ouvir,

a partir do que tocamos

ou deixamos de tocar.



Fatalmente,

poucas experiências,

pouco conhecimento,

nos deixam incompletos,

e por isso pode faltar

a sensibilidade interna,

a reflexão, meditação,

a contemplação e a admiração,

e a consequência será,

a fraqueza da fé.



Quando não vemos,

quando não tocamos,

dizemos que não acreditamos.



Se não estudamos,

se não escutamos testemunhos de vida,

se não lemos as biografias de personagens

que se superaram

após ultrapassarem

muitos obstáculos,

nossa própria vida,

estará incompleta,

carente de algumas peças necessárias,

para completar a visão de vida

com todas as cores

sabores,

alegrias

e dores.



Ainda vivemos no espaço e no tempo,

experimentando quase tudo,

menos o que nos falta.


Faz falta o que nos falta. 



Enquanto não conseguimos o que nos falta,

estão faltando as peças necessárias:

a fé e as alegrias,

dos cegos.





Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 19/02/2020

eneaspb@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário