De
repente, o poeta
repete a função do profeta,
e
insiste para que a árvore fale.
Nem é preciso tanto, mas se precisar
ela falará, expondo-se,
testemunhando
o que ela é.
O
que há dentro de uma árvore?
Função
ou missão?
Esforço
ou destino?
Doação,
certamente.
O
que é aquela energia interna,
que
a leva a crescer,
a
produzir frutos?
É algo sublime.
Natural para ela.
Sobrenatural para nós.
Ela
quer sentir-se útil.
Ela vive para ser útil.
As
árvores, ensinam.
Toda
natureza é um livro,
professora
silenciosa,
a
ensinar,
pela
maneira de ser,
sem
falar.
Nem
precisa tanto,
uma
árvore falar.
Mas,
se precisar
não
vai se calar.
Basta-nos
percebê-las,
aproximar-se
delas,
tocá-las,
abraçá-las,
com
gratidão
e
ternura,
amá-las.
As
árvores
estão
carregadas
de
energias.
Abrace
uma árvore
e
receba da sua saúde.
Olhe
para elas,
com
olhar de gratidão,
e
sinta o bem que te vem.
Elas
nos ensinam
a
manter
no
chão,
as
raízes,
e
a crescer,
para
os céus.
A
ser humilde,
quieta,
silenciosa,
fecunda
e viçosa.
Se
não dá frutos,
dá
aos ares,
refresco,
aos
pássaros,
acolhida
e proteção.
E
a nós,
dá
sombra,
quando
não é da sua natureza
produzir
frutos.
As
árvores,
diferentes
espécies,
variados
troncos,
galhos
e folhas
todas
se encaixam
no
reino vegetal.
Sem
preconceitos,
convivem,
serenas,
sem
ambições ou invejas,
sem
competições,
ensinando
a riqueza,
de
ser pobre,
dependente
de tudo,
e
rica, de vida.
De
um Reino inferior,
vegetal,
doando-se
servindo
aos reinos superiores,
animal
e humano,
despercebidas,
humildes,
produzindo
oxigênio,
ar,
vida, frescor,
para
que possamos viver.
Uma
árvore,
uma
floresta,
não
existe para si.
Não
é a árvore
que
come dos seus próprios frutos.
Se
ninguém come os frutos,
apodrece,
desaparece,
ou
cai no chão,
e
como semente,
de
novo cresce,
teimando,
em
se tornar de novo,
sombra,
oxigênio ou alimento.
Também
as árvores
sentem
sede.
Gostam
da chuva
e
do sereno das noites.
O
ser das árvores,
a
essência da natureza
é
dar condições
para
que a vida aconteça.
E
a nossa missão,
aprendemos
delas,
das
silenciosas professoras,
com
suas raízes abaixo,
na
terra,
esparramando
seus galhos,
braços
robustos,
e
o tronco,
crescendo
para cima,
em
direção aos céus.
E
foi uma árvore
que
se ofereceu ao Zaqueu
para
que nela subisse
e
permitisse
ver
o Jesus.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 14/02/2020

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