quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

714.- Sabedoria. Nada está bem feito. Há algo a melhorar.



Do pouco conhecer
podemos conhecer
um pouco mais.

Do pouco amar,
podemos amar mais,
muito mais.

Do pouco fazer,
dá para fazer
um pouco mais.

Nossos recursos
são pouco utilizados,
e são inesgotáveis.

Falta-nos cultivar a arte,
de subir ao mais alto
de nós mesmos,
e de conhecer os três mundos:
o meu mundo,
o mundo do outro,
e o mundo do Deus pai Criador,
todos eles,
inesgotáveis e infinitos
com surpresas, 
lições, 
mensagens 
e recompensas.

Sempre há alguma coisa
a ser feita,
de forma mais perfeita.

A sabedoria
aperfeiçoa a inteligência,
a consciência e a razão,
capacitando-as
para novas dimensões.

Não há que permanecer
só no que vemos.

Não fomos feitos
para coisas pequenas.

Tem algo mais a aprender,
ver, ler, traduzir e entender.

Além do mundo visível,
há também,
o mundo invisível.

As respostas que desejamos
não são observáveis,
palpáveis,
expostas,
nos painéis de propaganda.

Estão mais ali,
na próxima dimensão,
do espiritual.

Não somos só carnais,
materialistas, 
insaciáveis consumistas.

Nossas escolas,
a TV, 
os meios de comunicação,
só nos ensinam
as matérias para este mundo,
da economia, do ter e do fazer.

É lá para diante,
para onde vamos,
que devemos nos preparar
para não termos surpresas
e estarmos incapacitados
de olhar e compreender.

Se não dermos
os primeiros passos,
já,
depois não conseguiremos saber
se estaremos no caminho certo.

É de sabedoria
que estamos falando.

De prever,
prevenir,
prudência,
discernimento,
escolhas certas,
lucidez e serenidade.

Não de cobiça,
ganância,
vazio.

As perguntas derradeiras
nascem de um vazio profundo
que existe em nosso íntimo.

E se as respostas
não preenchem 
esse vazio interno,
tentamos enchê-lo de coisas,
passatempos e barulhos externos.

Não é questão de ter,
ou fazer. É de ser,
ser sábio(a).

Estamos estudando,
pesquisando,
conversando com os outros,
companheiros de viagem,
destinatários,
do mesmo fim?

As capacidades
de observação,
reflexão,
meditação,
silêncio,
contemplação
e admiração
é que levam
ao desenvolvimento
da sabedoria.

A sabedoria
não é inteligência,
esperteza,
exploração.

Sabedoria
está alguns degraus acima,
na esfera do espírito,
da nobreza,
da profundidade,
nas respostas verdadeiras,
que são eternas.

A sabedoria
vale mais que a força
é mais preciosa do que o dinheiro,
e mais eficaz que o poder dos poderosos.

Cultivar o espírito
é cultivar todos os valores,
imateriais,
transparentes,
invisíveis
de tal forma que desenvolvam
as faculdades de admirar,
penetrar,
o íntimo das coisas,
contemplar,
a alma
de tudo o que existe.

A sabedoria
atrai a mente
à procura e ao amor,
da verdade e de todo bem.

Com a sabedoria,
damos um passo além.

Passamos das coisas visíveis,
que não respondem,
às invisíveis,
que preenchem
o vazio,
que cutuca a consciência,
exigindo seriedade,
resposta pessoal,
decisão,
e envolvimento
nas causas pertinentes.

Com as atitudes
decorrentes da sabedoria,
somos promovidos,
de gente, para humanos,
de humanos para divinos.

A sabedoria organiza a vida.
Lista as coisas prioritárias.
Escolhe os valores absolutos.
Recompensa esforços.
Exige paradas,
e silêncio.

A pressa,
é inimiga da perfeição.

O silêncio é amigo
da paz, lucidez,
serenidade,
boas maneiras,
bom humor,
paciência,
e sabedoria.

Quer ser sábio(a)?
Matricule-se
na escola do espírito,
e nas ciências
do amor.

Primeiro passo
é reconhecer
nossa ilustre ignorância,
vestir a batina da humildade,
descer dos padrões do ego ilusório,
e pisar no chão da realidade convocativa,
dizendo
“presente,
Professora”.

Eis o que escreveu Salomão sobre a Sabedoria:

 “A Sabedoria,
artífice do mundo, me ensinou.
Pois há nela um espírito inteligente,
 santo, único, múltiplo, sutil, ágil, penetrante,
sem manchas, lúcido, invulnerável,
 amante do bem,
agudo, incoercível, benfazejo,
amigo do homem, firme, seguro,
sereno, tudo podendo,
tudo abrangendo,
que penetra todos os espíritos,
os inteligentes, os puros,
os mais sutis.
Porque a Sabedoria
supera em mobilidade
todo movimento,
tudo atravessando
e penetrando
em virtude
da sua pureza”.

Salomão, Livro da Sabedoria, Capítulo 7,21-24.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 20/02/2020


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