domingo, 25 de setembro de 2016

348.- Diálogo. Coração aberto e mente aberta.


Diálogo acontece 

             quando há o encontro

     de alguém que está 

com o coração aberto 

     e outro alguém

             com a mente aberta.


Como é gostoso dialogar 

com pessoas de coração aberto 

e mente aberta. 


Estamos falando das pessoas

que mantém a capacidade

de olhar as coisas e as pessoas

como se fosse a primeira vez.

 

 Pessoas que quase não falam.

 

Querem explorar a profundidade, o fundo,

o belo, a beleza, o bem, a bondade,

a dignidade escondida. 



Ouvem e prestam atenção.

 

E degustam,

curtem cada resposta,

como uma criança

que recebe uma bala, um sorvete.

 

E seus olhos brilham.

 

E seus lábios traduzem sorrisos.

 

Esperam ansiosamente

pela resposta verdadeira, coerente, ajustada.


É o ponto de partida

que está sendo valorizado.

 

O ponto de chegada,

tomara que demore,

pois está gostoso ir assim,

ouvindo sons gostosos, construtivos, educativos,

base sólida para a construção de vida robusta.


 

Para alguns,

o conhecimento é uma carga valiosa,

sobrecarregando o ego,

dando-lhe uma imagem de rei,

ou de rainha, um poder imaginário

que pode causar grande humilhação. 


 

O que fazes com sua vida

se não tens a sabedoria de bem vive-la

e de traduzi-la em ternura e suavidade

no relacionamento com o seu próximo?

 

As palavras do sábio são assim:

não é o conhecimento que o habita,

mas a maestria que adquiriu

e que é comunicada.



Diferente é manter um diálogo 

com quem é apegado

à sua própria imagem, 

aos seus conhecimentos.

 

E revelam-se resistentes,

defendendo seus pontos de vista,

com exaltada firmeza e convicção.

 

Se és pesado, impositivo,

persistente, irritante,

o diálogo vira monólogo.



Quem está aberto é humilde,

permite que novos conhecimentos

entre e estabeleçam associações,

agregando novos valores, criatividade,

em vista das mil possibilidades

que estão sempre por perto

de quem está encantado,

admirando, observando e acolhendo.

 

No verdadeiro diálogo

o que está em interação é o ser,

tanto de quem fala como de quem ouve.

 

Se o ego se intrometer

e querer impor-se com o ter ou aparecer,

o diálogo não prosperará e a sede vai continuar

e o vazio permanecerá.

 

Diálogo é interação,

é troca gratuita, conversa que desliza,

escorrega e cria o humor,

azeitando a inda

e vinda das palavras.

 

 Diálogo é intercâmbio.

 

Diferente é a conversa

que acontece no tom do ‘dó maior’,

a discussão, onde quem discute 

está armado com estratégias de ataque e defesa,

impondo-se pela imaginária força

da ilusão de ganhar,

de mostrar com orgulho

seu ponto de vista fixo, rígido,

mais duro do que o aço.

 

Quanta ilusão

o ego prega nos seus próprios adeptos.

 

Quanta humilhação

o ego impõe aos seus súditos.

 

Ensinar a dialogar

é o que a consciência faz.

 

A consciência,

durante o diálogo,

quer levar os dois

para a arena da colaboração.

 

A consciência

quer levar os dois lá para cima,

onde se enxerga mais longe,

onde se percebe a pequenez de cada um

diante da distância que há entre sabedoria e ignorância.

 

Lá em cima,

não somos maiores.

 

Percebemos a nossa real estatura,

diante da grandeza

e enormidade da natureza,

do universo, dos espaços infinitos

existente entre uma estrela e outra,

entre uma galáxia e outra.

 

 E nós, tão próximo uns dos outros,

e às vezes, tão distantes.

 

Entre uma pessoa e outra,

também há o espaço do respeito a ser dado.

 

E nós aqui, tão pequenos,

impondo nossos pensamentos,

nossas opiniões malformadas.

 

Sim, o diálogo é uma escolha.

 

Escolher uma forma suave, simpática,

terna e carinhosa de entregar as palavras

para o lado de lá.

 

As palavras

não precisam ser jogadas,

atiradas como flechas

na direção do outro.

 

Se for assim,

o outro tem de buscar recursos de defesa,

 procurar escudos para não ser atingido

na sua sensibilidade, ferido em sua dignidade.

 

Se o diálogo quer aproximar,

quer namorar, a agressividade

tem que se afastar.

 

O diálogo

vem até o quintal do vizinho,

com humildade.

 

Deixa em casa

todos os seus preconceitos

e fica atento aos conceitos que traz junto.

 

A consciência

fica atenta em compreender

as razões que a outra pessoa está trazendo.

 

De repente

a razão dele casa com a minha razão

e aí nós dois lucramos.

 

A família do bom humor cresce

e facilita o andamento nos encontros.

 

Minha mãe ensinava

para nunca ir sozinho na casa de alguém.

Dizia: “leve o silêncio junto.

Ele vai te avisar o momento

de calar e escutar atentamente

o que o outro está precisando te dizer”.

 

O que é mais maravilhoso neste mundo?

 

É o encontro entre duas pessoas educadas:

troca de olhares, intercâmbios de silêncio,

sorrisos discretos, olhares brilhantes

e, poucas palavras.

 

Até parece que as palavras

atrapalham a comunicação.

 

Os orientais estão mil e quinhentos anos

na frente da nossa cultura ocidental.

 

Lá no oriente,

palavras são menos importantes que aqui.

 

Lá, o silêncio fala

e todos compreendem suas mensagens.

 

Aqui, palavras e gritos,

vozes e som alto

dificultam as mensagens da sabedoria

a pousar em nossos corações.

 

Já estamos percebendo

que as palavras,

não são tão importantes

nas interações amorosas.

 

O futuro já vem vindo,

onde as palavras

deixarão de exercer o seu papel

de integração e aproximação.

 

Foi útil

num determinado período da história.

 

Amadurecidos,

talhados na ciência do amor,

os atos amorosos, o diálogo perfeito

dispensará as palavras.

 

Aquele que muito ama, não fala.

Seus braços abertos falam,

chama ao acolhimento.

 

Sua paz e serenidade fala,

‘aproxime-se’.

 

Seu semblante alegre é um tipo de amor.

 

Quem, sentindo-se amado(a),

se sente pobre?

 

Quem, sentindo-se amado(a),

se sente infeliz?

 

Sua maneira de falar,

se for amorosa,

me fará feliz.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 25/09/2016

eneaspb@gmail.com

(Publicado no blog Heipo World

em 25/09/2016. Atualizado em 17/02/2024.

 

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