Diálogo acontece
quando há o encontro
de alguém que está
com o coração aberto
e outro alguém
com a mente aberta.
Como é gostoso dialogar
com pessoas de coração aberto
e mente aberta.
Estamos falando das
pessoas
que mantém a
capacidade
de olhar as coisas e
as pessoas
como se fosse a
primeira vez.
Pessoas que quase não falam.
Querem explorar a
profundidade, o fundo,
o belo, a beleza, o
bem, a bondade,
a dignidade escondida.
Ouvem e prestam
atenção.
E degustam,
curtem cada resposta,
como uma criança
que recebe uma bala,
um sorvete.
E seus olhos brilham.
E seus lábios traduzem
sorrisos.
Esperam ansiosamente
pela resposta verdadeira, coerente, ajustada.
É o ponto de partida
que está sendo
valorizado.
O ponto de chegada,
tomara que demore,
pois está gostoso ir
assim,
ouvindo sons
gostosos, construtivos, educativos,
base sólida para a
construção de vida robusta.
Para alguns,
o conhecimento é uma
carga valiosa,
sobrecarregando o
ego,
dando-lhe uma imagem
de rei,
ou de rainha, um
poder imaginário
que pode causar grande humilhação.
O que fazes com sua
vida
se não tens a
sabedoria de bem vive-la
e de traduzi-la em ternura
e suavidade
no relacionamento com
o seu próximo?
As palavras do sábio
são assim:
não é o conhecimento
que o habita,
mas a maestria que
adquiriu
e que é comunicada.
Diferente é manter um diálogo
com quem é apegado
à sua própria imagem,
aos seus conhecimentos.
E revelam-se resistentes,
defendendo seus pontos de vista,
com exaltada firmeza e convicção.
Se és pesado, impositivo,
persistente, irritante,
o diálogo vira monólogo.
Quem está aberto é humilde,
permite que novos
conhecimentos
entre e estabeleçam
associações,
agregando novos
valores, criatividade,
em vista das mil
possibilidades
que estão sempre por
perto
de quem está
encantado,
admirando, observando
e acolhendo.
No verdadeiro diálogo
o que está em
interação é o ser,
tanto de quem fala
como de quem ouve.
Se o ego se
intrometer
e querer impor-se com
o ter ou aparecer,
o diálogo não
prosperará e a sede vai continuar
e o vazio permanecerá.
Diálogo é interação,
é troca gratuita, conversa
que desliza,
escorrega e cria o
humor,
azeitando a inda
e vinda das palavras.
Diálogo é intercâmbio.
Diferente é a
conversa
que acontece no tom
do ‘dó maior’,
a discussão, onde quem discute
está armado com estratégias de ataque e defesa,
impondo-se pela
imaginária força
da ilusão de ganhar,
de mostrar com
orgulho
seu ponto de vista
fixo, rígido,
mais duro do que o
aço.
Quanta ilusão
o ego prega nos seus
próprios adeptos.
Quanta humilhação
o ego impõe aos seus
súditos.
Ensinar a dialogar
é o que a consciência
faz.
A consciência,
durante o diálogo,
quer levar os dois
para a arena da
colaboração.
A consciência
quer levar os dois lá
para cima,
onde se enxerga mais
longe,
onde se percebe a
pequenez de cada um
diante da distância que
há entre sabedoria e ignorância.
Lá em cima,
não somos maiores.
Percebemos a nossa
real estatura,
diante da grandeza
e enormidade da
natureza,
do universo, dos
espaços infinitos
existente entre uma
estrela e outra,
entre uma galáxia e
outra.
E nós, tão próximo uns dos outros,
e às vezes, tão
distantes.
Entre uma pessoa e
outra,
também há o espaço do
respeito a ser dado.
E nós aqui, tão
pequenos,
impondo nossos
pensamentos,
nossas opiniões
malformadas.
Sim, o diálogo é uma
escolha.
Escolher uma forma
suave, simpática,
terna e carinhosa de
entregar as palavras
para o lado de lá.
As palavras
não precisam ser
jogadas,
atiradas como flechas
na direção do outro.
Se for assim,
o outro tem de buscar
recursos de defesa,
procurar escudos para não ser atingido
na sua sensibilidade,
ferido em sua dignidade.
Se o diálogo quer
aproximar,
quer namorar, a
agressividade
tem que se afastar.
O diálogo
vem até o quintal do
vizinho,
com humildade.
Deixa em casa
todos os seus
preconceitos
e fica atento aos
conceitos que traz junto.
A consciência
fica atenta em
compreender
as razões que a outra
pessoa está trazendo.
De repente
a razão dele casa com
a minha razão
e aí nós dois
lucramos.
A família do bom
humor cresce
e facilita o
andamento nos encontros.
Minha mãe ensinava
para nunca ir sozinho
na casa de alguém.
Dizia: “leve o silêncio junto.
Ele vai te avisar o momento
de calar e escutar atentamente
o que o outro está precisando te dizer”.
O que é mais
maravilhoso neste mundo?
É o encontro entre
duas pessoas educadas:
troca de olhares,
intercâmbios de silêncio,
sorrisos discretos,
olhares brilhantes
e, poucas palavras.
Até parece que as
palavras
atrapalham a
comunicação.
Os orientais estão
mil e quinhentos anos
na frente da nossa
cultura ocidental.
Lá no oriente,
palavras são menos
importantes que aqui.
Lá, o silêncio fala
e todos compreendem
suas mensagens.
Aqui, palavras e
gritos,
vozes e som alto
dificultam as
mensagens da sabedoria
a pousar em nossos
corações.
Já estamos percebendo
que as palavras,
não são tão
importantes
nas interações
amorosas.
O futuro já vem
vindo,
onde as palavras
deixarão de exercer o
seu papel
de integração e
aproximação.
Foi útil
num determinado
período da história.
Amadurecidos,
talhados na ciência
do amor,
os atos amorosos, o
diálogo perfeito
dispensará as
palavras.
Aquele que muito ama,
não fala.
Seus braços abertos
falam,
chama ao acolhimento.
Sua paz e serenidade
fala,
‘aproxime-se’.
Seu semblante alegre
é um tipo de amor.
Quem, sentindo-se
amado(a),
se sente pobre?
Quem, sentindo-se
amado(a),
se sente infeliz?
Sua maneira de falar,
se for amorosa,
me fará feliz.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 25/09/2016
(Publicado
no blog Heipo World
em
25/09/2016. Atualizado em 17/02/2024.
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