terça-feira, 27 de setembro de 2016

350.- Dia. Para onde vai que não me convida?




Para onde vai,

que não me convida?



O que tens pensado,

que não me conta?





O que é que você está procurando?



- Estou é procurando

entender a vida.



Não há nada mais simples que a vida.

Se é de dia, tem sol.

Se é de noite, falta luz.



Está tudo tão claro!

Vives. Está vivendo.

Basta viver.



- Não, não é suficiente. 



Nasceu, cresceu, estudou, se formou.

Tens um trabalho. Manténs a tua vida.

Tens uma família. Vives bem.   



                                                      - Tudo é repetitivo.  



A vida se repete, por isso, é vida.

A vida continua.





Se você não investe tempo

procurando entender a vida,

você perderá mil oportunidades

de usufruí-la.



Dentro da vida

tem aquilo que é vida, que anima.





-  Dentro da vida

tem aquilo

que não é vida,

que desanima.



- De algumas coisas gosto.

De outras não gosto.





- Do que gosto,

tenho que ir atrás,

e custa-me.



- Do que não gosto,

vem atrás

e também tem preço.





- Tenho que entender esta vida.





- Custa-me aceitar

as condições para estar

e manter-me vivo.



- Quero somente alegria.



- Sofrimento vem sem pedir,

sem querer.



- Gosto de risadas,

do bom humor.



- O mau humor se impõe,

traz tristezas.





Pois assim é.

Vida é o que mais tem,

no bem e no ruim.





Lá e cá está a vida.



- E a morte vem,

dizendo não.



- Toda noite morro,

de sono.



Todo dia,

a vida,

de novo, me acorda.





Teimoso, recomeço,

tudo de novo.



- Carregando me vou,

repetindo o velho ontem.



- Disso não gosto: repetir.



Se o dia me traz,

um novo dia,

dele vou viver.





O dia novo,

bem novinho,

tenho em minhas mãos.

Estou com as cartas na manga.

Estou ganhando.



- Um céu eu espero;

e veja o que temos.



Não um inferno,

conto de fadas, talvez.





Veja o cenário,

linda Terra,

rios e mares,

boas pessoas.

                                 

                - Não consigo ver

tão claro.



- Podes me ajudar

a ver melhor?



Talvez os olhos

precisem de remédios.





- Parece que pinto a vida

mais feia do que ela é!



Não é o artista

nem o poeta

que pinta a vida para você.



É o que penso sobre a vida,

que está errado.





- O problema,

está em mim:

a vida virtual

não corresponde

à minha vida real.





- O mundo, a vida,

não responde

 às minhas expectativas.







Talvez prestando atenção

na música,

acerte teus passos.





No salão de baile da vida,

levamos pisão,

não dos malvados,

mas de quem

está aprendendo dançar.





Quando erramos,

aprendemos;

Quando acertamos

nos firmamos.





Mudanças nos hábitos,

produtores de azia,

melhor escolher,

aqueles que trazem alegria.





Costurando a teia da vida,

posso escolher

os bons fios,

recusando cores escuras.





Coisas da vida

que não enxergamos,

preenchem os vazios

de esperanças.





Não nos perguntemos

pelas coisas que acabam,

se são mais, as que principiam.





Não sou eu que tenho a vida;

a vida compartilhamos.



Vivemos todos,

a mesma vida.





Dá para todos.





Todos nós a curtimos.





Poucos, sabemos saboreá-la.

Muitos de nós a carregamos.

Alguns, suportam-na.





A vida não é só para viver.





É para transformá-la em arte.





Se esta vida não me contenta,

outra vida há de ter.




No meu sono da noite

gostaria de plantar um sonho:

acordar, pelo sol,

no alto da montanha,

feito águia,

planejar uma viagem

para muito longe,

levar comigo, tudo que gosto,

que preciso,

e não mais voltar.





Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 27/09/2016




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