Tenho conversado com muitos jovens e pessoas de todas as
idades.
Após
cada conversa, fico decepcionado pela dificuldade que encontro em levar adiante
um diálogo que logo é interrompido por falta de assunto que seja comum a nós
dois.
Aí
eu me pergunto, por quê o diálogo não deslancha?
Sou
de uma geração diferente. Nasci em 1950 e a história destes anos encarnou em
mim de tal forma que sou identificado pelos outros como alguém que nasceu na
década de 50.
Avalio-me
e vejo que eu estou numa órbita totalmente diferente daquela do meu
interlocutor.
Como
é difícil conversar com alguém que nasceu na década de 80 em diante.
Gosto
de fazer perguntas.
Perguntas
levam ao diálogo.
Neste
texto
optei
por fazer
um
caminhão de perguntas.
Perguntas
incomodam.
Perguntas
desinstalam.
E me
pergunto:
estou
certo ou estou errado?
Se
estou errado, onde errei?
E
fui procurar as respostas.
As
respostas me mostraram
o
foco dos meus interesses
e a
minha filosofia de vida.
Avaliei-me
após
ter respondido
as
perguntas abaixo.
E
agora passo o problema para você.
Vamos
fazer um teste.
Pergunte-se:
O
passado me marcou negativa
ou
positivamente?
Estou
arrastando algum fardo pesado,
que
deveria ter esquecido e deixado lá,
há
muito tempo?
Estou
vivendo sabiamente
o
momento presente?
É
este o valor que tenho neste momento,
em
minhas mãos, em minha vida:
um
presente.
Estou
preocupado com meu futuro?
É para
lá que vou.
Sei
para onde estou indo?
Quem
são os meus guias,
meus
professores, meus mestres?
Pessoas
equilibradas, vencedoras?
Você
gosta de ler livros?
Por
curiosidade, passatempo
ou
método para abrir perspectivas
e
portas para o futuro?
Meu
senso crítico da vida
e
das pessoas
foi
construído sobre que bases
ou
critério educativos?
Sou
educado?
Eu
estou certo?
As outras
pessoas estão erradas?
Sou
uma pessoa original
ou
as crenças e ‘modus vivendi’
das
pessoas
é
que formataram
minha
maneira de ver e viver?
Vivo
realmente minha vida
ou
vivo reagindo
ao
que acontece à minha volta?
Vivo
consciente
ou
inconscientemente?
Como
tenho certeza de que sou eu,
minha
consciência verdadeira,
que
está no comando
ou é
o ‘meu’ ego?
Sou
original ou deformado?
Quem
quer originalidade
e
verdade?
Quem
quer saber a verdade
sobre
si mesmo?
Quem
possuía e transmitia
a
Verdade e a Justiça?
Alguém
escondeu a verdade
e
ensinou mentiras?
Qual
escola frequentei?
Por
que damos demasiada importância
a
coisas supérfluas
e
não levamos a sério
as
questões importantes da vida?
Já
me interessei pelas questões
que
a religião trabalha?
Deus
existe?
Se
existe,
que
influência comportamental
exerce
em minha vida?
Que
valor dou à paz?
Estou
acostumado
e
conformado
com
as situações de violência
que
acontecem ao meu redor
e no
mundo?
Até
que ponto
sou
apegado às minhas ideias,
opiniões
e pensamentos?
Quais
as razões
que
me levam a irritar-me
com
tanta facilidade?
Quais
são as bases
que
dão apoio e sustento à sua vida?
O
que te mantém em pé?
Você
prefere viver sozinho?
Por
quê?
Você
se acha uma pessoa egoísta?
Ou
solidária?
Você
gosta de viver junto com outros?
Por
quê?
Quando
é que você se sente mais feliz,
de
verdade?
Você
sabe viver na natureza?
Sem
som?
Sem
levar os problemas
e as
coisas da cidade
para
lá?
Você
gosta do silêncio?
Sabe
por quê?
Você
se conhece, profundamente?
Você
acha certo
discutir
para defender uma ideia
ou
uma pessoa,
ou
um político ou partido político?
Você
sabe respeitar,
acolher
e conversar amigavelmente
com
alguém que pensa diferente
de
você?
E
você, tem vergonha
de
fazer perguntas?
Tem
coragem
de
fazer perguntas?
Pergunte.
Concluindo o teste:
Quantas
destas questões você já se empenhou para respondê-las, por iniciativa própria?
Você
já se olhou por dentro da imagem que aparece no teu espelho?
Quando
você se olha no espelho, quem aparece na tua frente não é você, é tua imagem. É
uma imagem virtual. É pensamento. É a imagem mental que você tem de si mesmo.
A
verdadeira pessoa que não aparece no espelho é aquela que respondeu com
sinceridade às perguntas acima.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 13/09/2016
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