quinta-feira, 15 de setembro de 2016

345A - Cruz. A cruz na encruzilhada.





Nasci.

Cresci.

Obedeci.

Aprendi.

Crescendo vieram ao meu encontro,

ou fui ao encontro de encruzilhadas.

No meio das

encruzilhadas

está a cruz;

dois troncos

entrelaçados

meus braços

bem abertos,

abraçando,

e os meus pés,

fincados na terra.



Eu mesmo, e você,

com os braços abertos,

somos como a cruz.

Cabeça para cima,

Pés no chão.

Não foi reto o caminho traçado. Nossos  pés

e nossos passos tinham que ter onde pisar.

Encruzilhadas

aparecem a todo

instante. Não tem como

escolher: para que lado for,

lá estão as encruzilhadas,

e as cruzes em silhuetas definidas.



Ser humano

já é uma cruz.

A felicidade,

tão sonhada  e desejada,

não passa de curtos espaços

de tempo.

Que ridículo seria,

o ser humano,

diferente

da forma

da cruz.



É.

Assim é.

Igual à cruz.



Para cada etapa da vida,

cruzes, lá estão as cruzes,

leves, pesadas, desconfortáveis,

sérias, exigentes, tirando lascas,

esfregões de lixas, afinando,

aperfeiçoando,

lustrando

deixando pronta

a sensibilidade.



Desde pequenos

não gostamos

da disciplina,

das advertências,

orientações,

autoridade, 

submissões,

lições indispensáveis

para a transposição

dos precipícios

que na vida vamos encontrar.





Certa vez

um mestre,

professor, educador,

distribuiu uma cruz

para  cada um

dos seus discípulos

transportarem

até uma determinada localidade,

distante dali,

alguns anos lá na frente.





E disse bem claramente:

Levem esta cruz:



Vocês vão precisar.



Sem ela

não conseguirão ultrapassar

um, apenas um obstáculo.



No começo,

aceitaram as cruzes,

nas dimensões

que cada um

conseguia carregar.



Todos, obedientes

ou revoltados,

pegaram,

cada um a sua

e foram indo.





Com naturalidade,

tudo era normal,

normalidade.



Nenhuma cruz era superior

às próprias forças.



Lá iam os alunos,

discípulos, aprendizes.



Alguns aprendiam logo,

assumiam as dores,

os desconfortos,

e conviviam todos,

 cada um com o peso

ou a leveza da sua cruz.



Mais na frente,

mais conhecimento,

mais experiência,

mais reflexão, mais cultura,

mais encontros com

outros povos, outras nações,

outros costumes.



Criatividade,

o progresso,

as invenções,

a conquista da

facilidade

no transporte das cruzes.



Alguns,

olhando para suas próprias dificuldades,

resolveram dar uns retoques

em sua cruz.



Uns, cortaram,

encurtando o tamanho

da sua cruz.



Menor, mais leve, mais espaço.

 Agora, com reformas, outras coisas

podia levar junto.



Sem perceber,

do peso da cruz repudiada,

outras coisas tomaram seu lugar.



Mais volumosas.



Não era mais uma,

mas muitas outras coisas.



A cruz, sempre ensinando.



As outras coisas,

mais atrapalhando.  



Discípulos bons

aprendem facilmente.



Alunos preguiçosos

procuram outros meios.



A caminhada já ia longe.



Olhando para trás, pouco se via,

A memória porém, só da cruz recordava.



Lá na frente, montanhas se via.

Um longo vale e um enorme precipício.



Do outro lado, a montanha,

o final da estrada.



Agora, somente agora,

quase no final da viagem,

a cruz original, serviria de ponte.



A cruz cortada, diminuída,

já não mais servia.



Não alcançava

O outro lado

da vida.





A cruz, os sofrimentos, 
as angústias, se não servissem para algo, 
nas estradas da vida não estariam.



Quem, como bom discípulo,

quis aprender com as cruzes

certamente é mais forte, mais preparado,

mais sereno, mais maduro.



Perguntar-se

pelo sentido,

pelo significado

das cruzes e sofrimentos e não perceber que foram exatamente estas situações vitais, iguais para todos,

que foram os degraus,

em cima dos quais, fomos

construindo nossa fortaleza,

certamente não foi bom aluno

e cortou as bases da sustentação

da sua própria vida, a cruz vital que é.



Vitorioso

uu revoltado:

assim é, um ou outro,

cada um de nós,

diante da própria

cruz e diante da cruz

dos outros.



 Quem é o louco,

que vê na cruz

o símbolo da vitória?



Mas quem é sábio

se não aceita

a cruz?



Quem és hoje?



Foste alguém que sofreu?

Então está preparado

a ir em frente.



Foste alguém que ainda não sofreu?



Volte lá atrás

e pegue a sua cruz original.



Se a tua visão

da cruz

e sofrimento

foi conquistada

apenas

na direção

horizontal

dos teus braços

estendidos,

significa que não fincastes a sua própria cruz em profundidade suficiente para aprenderes  e firmares

em base sólida,

a dimensão

vertical

da tua cruz

que  agora

se estende

céu acima.



É difícil para nós,

ocidentais aceitarmos

e assimilarmos a pedagogia

da cruz e do sofrimento.



O maior homem do mundo,

aceitou  e usou a sua cruz,

e fez dela a ferramenta mais poderosa

da face da terra.





Nós, humanos

resistimos a esta boa mensagem

e continuamos em busca

da felicidade vazia

nesta vida, sem cruzes.




Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 15/09/2016




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