E se tu encontrar
quem tu és,
saberás quem eu sou.
Pierre Weil
Olho-me no espelho e
me vejo uma pessoa.
Aqui está o início da
minha resposta
à pergunta: Quem sou
eu?
Da convicção nesta
verdade
fundo a consciência
da minha identidade,
sou uma
personalidade.
Sou um.
O que acontece comigo
e com cada uma das
pessoas
é que somos
constantemente levados
a esparramar-nos
entre tantos convites
externos
que vão esvaziando
nossa unidade
com algo que se chama
multiplicidade
de outras tantas
atrações.
Para cada uma das
coisas
que nos solicitam,
cedendo,
enfraquecemos nossa
estrutura personal,
autônoma,
digna de autoestima
valorativa.
De tanto ceder sem raciocinar,
sem avaliar,
sem posicionamento estruturado
em valores permanentes,
acabamos nos acostumando
com os convites claros, sutis,
velados ou estratégicos
de quem quer sugar nossas energias,
nossas economias, nosso tempo.
Estressando-nos ou irritando-nos
estamos nos prejudicando.
Cedendo a convites
e atrações sem valor,
vamos perdendo o sentido
e o significado da vida.
Sou
livre, sim,
posso
fazer tudo,
mas
nem tudo me convém.
Sou
livre, sim,
mas
existem princípios vitais,
morais,
religiosos e civis
aos
quais devo obedecer
para
manter a ordem,
ordem
pessoal, ordem familiar,
ordem
social.
Desobediências
causam divisões.
Infidelidades
causam divisões.
De
tanto ver filmes e novelas
fomos aprendendo a usar máscaras.
E
hoje já não sei mais
se
sou eu mesmo que vivo em mim
ou
se vivo do jeito que esperam
e
querem que eu viva.
Meus
pais e meus professores foram egoístas.
Os
autores de muitos livros que li,
pessoas
com quem interagi,
revelaram
muito mais os seus egos
do
que suas autenticas
e
profundas personalidades.
E
hoje sou um técnico na arte de atuar.
Sou
ator.
Sou
ator
quando
me comporto
como
todo mundo se comporta.
Sou
ator
quando
não policio
minhas
preferenciais,
meu
comportamento, minhas escolhas.
Sou
ator,
experimento-me
como ator
quando
não sinto alegria
em
minha maneira de ser.
Sou
ator
quando
me sinto angustiado
e
nada faça para descobrir
as
causas destas angústias.
Sou
ator
quando
não sou eu,
por
isso, as oscilações
em
meu bom e mau humor.
Primeiro saiba quem
você é,
depois, enfeite-se de
acordo.
Epicteto.
Nossos
esforços são,
em
grande parte,
fazer
com que nossas máscaras
projetem
mais,
muito
mais do que somos de fato.
Este
é um sintoma
de
que não gosto de quem sou,
e
nem quero conhecer-me mais,
pois
me deixa inquieto.
Não
suporto meus defeitos
e
minhas imperfeições.
Não suporto
e
fico até irritado comigo mesmo,
porque,
até quero mudar,
mas
não sei como.
Então,
preciso das máscaras
para
esconder quem eu sou de fato.
Quem
eu sou,
o
que eu penso,
o
que estou sentido,
consigo
esconder dos outros,
não
de mim mesmo.
E
continuo
nesta
insatisfação vital.
Alguém
pergunta: ‘tudo bem’?,
e
você responde: ‘tudo’,
encerrando
o assunto.
Mentira.
Mentira.
Preguiça
de dar explicações.
Medo
e receio de expor-se.
Vamos
vivendo,
ampliando o repertório de máscaras,
alimentando cada vez mais
a
ilusão que estas máscaras criam.
Como
sofremos
quando
tiram nossas máscaras,
ou
quando a própria vida
se
encarrega de desmascarar-nos.
Tão
poucas pessoas
estão
esvaziadas dos seus egos
e
suas imagens perfeitas.
E
isso contamina todos
com
quem convivemos.
Não
mintas para mim,
com
tuas palavras.
Leio-te
pelo
teu semblante
amargurado.
Em
poucos momentos, raros momentos,
somos
autenticamente, nós mesmos.
Raramente
somos nós mesmos.
Qual
é a experiências que temos,
ou
quando é que nos sentimos
realmente
nós mesmos?
Autenticidade
é o
nome que damos
para
a pessoa que se sente unificada,
coerente,
senhora de si mesma.
Para
que possamos nos conhecer
cada
vez mais,
convém
ter coragem
para
enfrentar uma viagem
onde
o objetivo é tornar consciente
o observador,
que sou eu,
observando
o observado,
que
também sou eu.
Para
que esta experiência aconteça,
é
necessário a calma, muita calma,
para
conduzir um diálogo
com
alguma pessoa conhecida
ou
desconhecida
e ir
observando
as nossas
próprias atitudes,
pensamentos,
posição do corpo,
pensamentos
de defesa,
de
ataque
ou
vontade de afirmar-se.
Depois
de várias destas experiências
você
começará a escolher mais o silêncio
e as
atitudes silenciosas,
isto
é, falar menos
e
escutar mais.
Ao
falar menos,
vai
prestar mais atenção
na
outra pessoa
e
começará ou continuará
a
análise de si mesmo
através
das atitudes
de
quem está interagindo com você.
Nesta
interação
você
vai perceber
como
somos superficiais
em
nossos assuntos, interesses,
conhecimentos
gerais e,
principalmente
como
temos poucas virtudes,
poucos
valores referenciais.
Como
é difícil criar o clima
para
o estabelecimento
de
diálogos profundos,
verdadeiros,
consistentes,
que
deixam marcas gostosas.
Como
é difícil,
mas
como é gostoso
fazer
a experiência de unicidade.
Como
é gostoso sentir-se pleno,
completo,
dizer:
EU SOU EU.
Um
ponto de partida para harmonizar,
unificar todo nosso ser,
é
sentir-se UNO.
Não
é pensar, mas sentir-se.
Sentir
a sensibilidade.
Falar
em voz alta para si mesmo,
e
ouvir a sua própria voz dizendo:
eu,
eu sou, eu sou único, eu sou unidade.
Saiba
quem você é
e
faça questão
que
os outros também o saibam.
Dentro
da visão teológica,
o
mais firme ensinamento da igreja,
cada
pessoa humana
é
imagem e semelhança
com
o seu Criador.
Então
somos imagem e semelhança
com
o nosso Pai do céu, com o Pai nosso.
Por
isso, por esta filiação transcendental,
temos
uma dignidade sagrada,
importante,
infinita e eterna.
Aqui
está nossa dignidade maior
de
humanos e divinos.
Esta
convicção
carrega
nossas baterias
de
alegria e entusiasmo,
motivações
e forças
para
vencermos
qualquer dificuldade.
Não
encontrareis
nenhum
outro argumento
ou
fundamento
para
a solidez da sua estrutura pessoal
ou
personal (personalidade)
a
não ser aqui,
nesta
visão transcendental,
resposta
definitiva para sua vida.
Só com
esta convicção escaparás
de
possíveis crises de identidade
ou tendências
para a depressão.
Sou
um
com
o Deus Uno e Trino.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 27/09/2016
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