terça-feira, 27 de setembro de 2016

349.- Unidade. Em busca da unidade, da autêntica unidade.





E se tu encontrar quem tu és,

saberás quem eu sou.

Pierre Weil





Olho-me no espelho e me vejo uma pessoa.

Aqui está o início da minha resposta

à pergunta: Quem sou eu?





Da convicção nesta verdade

fundo a consciência

da minha identidade,

sou uma personalidade.

Sou um.





O que acontece comigo

e com cada uma das pessoas

é que somos constantemente levados

a esparramar-nos

entre tantos convites externos

que vão esvaziando nossa unidade

com algo que se chama multiplicidade

de outras tantas atrações.





Para cada uma das coisas

que nos solicitam, cedendo,

enfraquecemos nossa estrutura personal,
autônoma,

digna de autoestima valorativa.





De tanto ceder sem raciocinar,

sem avaliar,

sem posicionamento estruturado

em valores permanentes,

acabamos nos acostumando

com os convites claros, sutis,

velados ou estratégicos

de quem quer sugar nossas energias,

nossas economias, nosso tempo.





Estressando-nos ou irritando-nos

estamos nos prejudicando.





Cedendo a convites

e atrações sem valor,

vamos perdendo o sentido

e o significado da vida.





Sou livre, sim,

posso fazer tudo,

mas nem tudo me convém.





Sou livre, sim,

mas existem princípios vitais,

morais, religiosos e civis

aos quais devo obedecer

para manter a ordem,

ordem pessoal, ordem familiar,

ordem social.





Desobediências causam divisões.





Infidelidades causam divisões.





De tanto ver filmes e novelas
fomos aprendendo a usar máscaras.





E hoje já não sei mais

se sou eu mesmo que vivo em mim

ou se vivo do jeito que esperam

e querem que eu viva.





Meus pais e meus professores foram egoístas.

Os autores de muitos livros que li,

pessoas com quem interagi,

revelaram muito mais os seus egos

do que suas autenticas

e profundas personalidades.





E hoje sou um técnico na arte de atuar.



Sou ator.





Sou ator

quando me comporto

como todo mundo se comporta.





Sou ator

quando não policio

minhas preferenciais,

meu comportamento, minhas escolhas.





Sou ator,

experimento-me como ator

quando não sinto alegria

em minha maneira de ser.





Sou ator

quando me sinto angustiado

e nada faça para descobrir

as causas destas angústias.





Sou ator

quando não sou eu,

por isso, as oscilações

em meu bom e mau humor.





Primeiro saiba quem você é,

depois, enfeite-se de acordo.

Epicteto.





Nossos esforços são,

em grande parte,

fazer com que nossas máscaras

projetem mais,

muito mais do que somos de fato.





Este é um sintoma

de que não gosto de quem sou,

e nem quero conhecer-me mais,

pois me deixa inquieto.





Não suporto meus defeitos

e minhas imperfeições.



Não suporto

e fico até irritado comigo mesmo,

porque, até quero mudar,

mas não sei como.

Então, preciso das máscaras

para esconder quem eu sou de fato.





Quem eu sou,

o que eu penso,

o que estou sentido,

consigo esconder dos outros,

não de mim mesmo.





E continuo

nesta insatisfação vital.





Alguém pergunta: ‘tudo bem’?,

e você responde: ‘tudo’,

encerrando o assunto.





Mentira. Mentira.

Preguiça de dar explicações.

Medo e receio de expor-se.





Vamos vivendo,

 ampliando o repertório de máscaras,
alimentando cada vez mais

a ilusão que estas máscaras criam.





Como sofremos

quando tiram nossas máscaras,

ou quando a própria vida

se encarrega de desmascarar-nos.





Tão poucas pessoas

estão esvaziadas dos seus egos

e suas imagens perfeitas.



E isso contamina todos

com quem convivemos.





Não mintas para mim,

com tuas palavras.

Leio-te

pelo teu semblante

amargurado.





Em poucos momentos, raros momentos,

somos autenticamente, nós mesmos.





Raramente somos nós mesmos.





Qual é a experiências que temos,

ou quando é que nos sentimos

realmente nós mesmos?





Autenticidade

é o nome que damos

para a pessoa que se sente unificada,

coerente, senhora de si mesma.





Para que possamos nos conhecer

cada vez mais,

convém ter coragem

para enfrentar uma viagem

onde o objetivo é tornar consciente

o observador, que sou eu,

observando o observado,

que também sou eu.





Para que esta experiência aconteça,

é necessário a calma, muita calma,

para conduzir um diálogo

com alguma pessoa conhecida

ou desconhecida

e ir observando

as nossas próprias atitudes,

pensamentos, posição do corpo,

pensamentos de defesa,

de ataque

ou vontade de afirmar-se.





Depois de várias destas experiências

você começará a escolher mais o silêncio

e as atitudes silenciosas,

isto é, falar menos

e escutar mais.





Ao falar menos,

vai prestar mais atenção

na outra pessoa

e começará ou continuará

a análise de si mesmo

através das atitudes

de quem está interagindo com você.





Nesta interação

você vai perceber

como somos superficiais

em nossos assuntos, interesses,

conhecimentos gerais e,

principalmente

como temos poucas virtudes,

poucos valores referenciais.





Como é difícil criar o clima

para o estabelecimento

de diálogos profundos,

verdadeiros, consistentes,

que deixam marcas gostosas.





Como é difícil,

mas como é gostoso

fazer a experiência de unicidade.





Como é gostoso sentir-se pleno,

completo,

dizer: EU SOU EU.





Um ponto de partida para harmonizar,
unificar todo nosso ser,

é sentir-se UNO.



Não é pensar, mas sentir-se.





Sentir a sensibilidade.



Falar em voz alta para si mesmo,

e ouvir a sua própria voz dizendo:

eu, eu sou, eu sou único, eu sou unidade.





Saiba quem você é

e faça questão

que os outros também o saibam.





Dentro da visão teológica,

o mais firme ensinamento da igreja,

cada pessoa humana

é imagem e semelhança

com o seu Criador.



Então somos imagem e semelhança

com o nosso Pai do céu, com o Pai nosso.



Por isso, por esta filiação transcendental,

temos uma dignidade sagrada,

importante, infinita e eterna.



Aqui está nossa dignidade maior

de humanos e divinos.



Esta convicção

carrega nossas baterias

de alegria e entusiasmo,

motivações e forças

para vencermos
qualquer dificuldade.





Não encontrareis

nenhum outro argumento

ou fundamento

para a solidez da sua estrutura pessoal

ou personal (personalidade)

a não ser aqui,

nesta visão transcendental,

resposta definitiva para sua vida.





Só com esta convicção escaparás

de possíveis crises de identidade

ou tendências para a depressão.





Sou um

com o Deus Uno e Trino.





Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 27/09/2016




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