sábado, 24 de setembro de 2016

347.- Rotina. Escapando do rotineiro, do repetitivo, do sem sabor.




É impressionante

como nos acostumamos facilmente

com o sem sentido.



É impressionante

observar como todos,

noventa por cento da humanidade 

acostumou-se com o mundo

no qual vive

e se adaptou

a todos os condicionamentos

sugeridos pelas propagandas,

pelos meios de comunicação social,

pela filosofia de vida do conforto,

das diversões, jogos, passatempos,

novelas, filmes.



Noventa por cento da humanidade

é escrava

das velhas formas repetitivas

e condicionadas de pensar e viver.



E vivem nesta realidade mentirosa

como se fosse a verdadeira.



Atrofiaram os ideais.



Enterraram todos os talentos.



Segundo os videntes atuais,

apenas três por cento da humanidade

está antenada com as mudanças,

com as sutis mudanças

que estão acontecendo.



O primeiro argumento

que coloco para provar-te isso

é o desconhecimento

da função da consciência

na sua vida.



Alguns desconhecem a consciência.

Outros abafaram a sua consciência.

Outros trocaram-na por outros termos,

confundindo-a com interesses egoísticos.





O segundo argumento

é que você está condicionado

a viver sob o comando do ego

e você nem sabe

como o ego está encarnado

e ditando o seu estilo de vida para você,

e o que é pior, você acha que está certo.



O terceiro argumento

é o pouco caso que você faz

da sua própria vida,

não se importando nem um pouco

com as respostas às três perguntas sérias

que todo ser humano tem de responder

a si mesmo: donde vim, para onde vou,

qual o sentido da minha vida.



O quarto argumento

é a sua total apatia

pelo conceito de evolução

e as implicações de responsabilidade

pelo seu futuro.



O quinto argumento

é a sua total resistência

aos temas ligados à religião

onde são propostos

dois tipos de comportamento:

um filial,

diante do Deus Pai Criador

e o outro de irmão,

diante de todas as outras pessoas.



Outro argumento

é o seu comodismo,

em se sujeitar

a todos as formas de limitações,

lamentações e desistências,

diante das dificuldades

que se apresentam.



Poucas pessoas estão interessadas

em que você esteja

no comando da sua própria vida.



Pouca gente lembra-te

dos recursos que você tem.



Você mesmo nem dá valor

para a fonte de criatividade

que você é.



Você mesmo não se vê

como uma usina,

fonte de energias

e motivações ilimitadas.



É deveras assustador

perceber como uma grande parte

da população

se adapta

em viver a vida de qualquer jeito,

assim, desestimulada,

desmotivada, acanhada,

entregue ao que está acontecendo

no momento, apenas reagindo.



Todo o dia, a mesma rotina ...

tv, novela, telejornais, entrevistas,

futebol, filmes, programas de humor, reportagens ...



A cultura

ou a visão de mundo

que bebemos todos os dias

não valoriza o valor da beleza,

das artes, da bondade.



Só valoriza a beleza comercial,

a moda,

a que dá lucro,

aquela que é explorada.



O que é que bebemos

nas fontes de informação?

Violência, tragédias, brigas, separações,

mediocridade, superficialidade,

mentiras e enganações. 



Pão e circo estão nos dando.



As propagandas

que os meios de comunicação

lançam no ar

para que nos tornemos pessoas consumistas,

levam-nos, sutilmente

para a acomodação

da nossa força de vontade,

para a acomodação mental,

para o comodismo no diálogo,

no intercâmbio de valores

que só existem na profundidade

da nossa personalidade.



Fomos ensinamos a cultivar o ego,

alimentados pelo orgulho,

pela afirmação de si, pelas posses,

pela ganancia, pela vaidade,

pela formosura externa.



Não fomos educados

a formar o nosso senso crítico.



Por quê?

- Porque a base da nossa personalidade

é formada por valores morais,

verdade, coerência, transparência,

autenticidade, humildade ...



E isso deixou de ser valorizado

no mundo da permissividade,

do ‘tudo é permitido’.



Não querendo estar subordinado

às leis da moral e da religião,

escolhemos a escravidão,

sujeitos às leis do instinto animal,

da livre escolha, do prazer,

das festas e alegrias

para preencher um vazio.



E vejam onde estamos?


Em que condições estamos:
escravos inconscientes.



Escravos acorrentados

com algemas de conforto.

Êta mundo bão!



O critério

para se avaliar qualquer coisa

não é mais o valor intrínseco,

mas a fama, o poder,

as articulações possíveis,

as coligações de poder.



As últimas gerações foram domesticadas.



E agora?



O princípio maior das ciências

é o de buscar a evolução constantemente.



O princípio maior das religiões é o de avisar

às pessoas que elas necessitam de conversão,

trocar os hábitos ruins por bons,

adquirir virtudes,

aperfeiçoar-se na arte

das manifestações amorosas,

praticar o perdão e ajudar até os inimigos.



Onde estão os poetas,

despertadores e ressuscitadores

da sensibilidade,

avisando-nos que estamos mortos?



Onde os artistas escultores,

que tiram lascas das pedras mortas,

construindo ou reconstruindo estátuas vivas,

que respiram?



Onde estão os trabalhadores

do exercício da literatura séria, comprometida

com o que o povo precisa ler

para deixar renascer o brio,

a fortaleza,

a robustez das grandes personalidades

que o mundo está esperando.



Qual é o conteúdo

daquilo que coloca nas páginas

dos teus livros? Serve para alguma coisa?



Escritores,

não estejam preocupados

apenas com o consumo,

com a venda dos seus produtos comerciais.



 Profetizem.

Alertem.

Indiquem caminhos.



Se temos sensibilidade,

visão clara,

auxiliemos aqueles que estão envolvidos

no nevoeiro, sem norte e sem sul,

sem leste e oeste.



Onde estão os escritores místicos,

que, como profetas,

 devem alertar-nos,

acordar-nos da sonolência,

da anestesia que o mundo nos aplica?



E vocês, leitores,

abram-se e leiam outros escritores,

de outras culturas, outras religiões,

outras visões de mundo,

se trazem aberturas, revelações,

experiências de libertação.



Chequem suas crenças.



Renovem-se.



Entrem no novo mundo da sintonia fina,

das dimensões superiores,

dos valores do mundo invisível, transcendental.



Há tanta literatura boa disponível.



Abandone o teu barquinho.



Arrisque-se desembarcar

numa ilha deserta e verás

como conseguirá sobreviver.





Convém formar um novo tipo de gente

para viver neste mundo novo

que estamos percebendo

ser possível construir.



A classe política

não visa mais o bem comum,

só o bem deles.



Vejam suas mordomias.



Para quem legislaram?



E estão no poder

e tudo farão para manter

o status quo conquistado.



E se nós nada fizermos,

continuaremos financiando suas festas.





Uma classe nova de pessoas deve surgir,

comprometida apenas com valores,

valores da paz, da justiça,

da vida fraterna

partilhada em todas as suas carências

e possibilidades.



Será necessário o martírio

para que esta classe se multiplique

e produza os efeitos necessários

às urgentes mudanças transformadoras.



Faça coligações.

Convide amigos

a construir juntos,

 projetos de renovação.



Monte equipes.



Desperte, motive, construa.



Saia da vida inútil,

improdutiva.



Rebente suas simpáticas

e deliciosas cadeias.



Mude o tempero da sua vida.



Persiga ideais nobres,

com alegria.



Renove-se.



Evolua.



Avalie-se. Defina e escreva metas.

Ponha em ação suas capacidades.





Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 24/09/2016




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