segunda-feira, 29 de junho de 2015

223.- Vida. Um exame de consciência sobre a vida Real e a vida virtual.




       Em que mundo vivemos?
       No mundo virtual ou no mundo real?
       Um aliena, o outro, ensina viver. 

Nos dias de hoje, 
saturado de meios visuais, 
de comunicação e entretenimentos, 
exige-se de cada um de nós, 
discernir, para distinguir
a vida a partir do mundo virtual 
e as experiências da vida
diante das exigências 
e reclamos da realidade. 

     Eis aqui uma reflexão 
     sobre a vida e o viver
     para que ativemos nossa consciência
     e percebamos em que mundo 
     estamos vivendo. 

Tenho a vida em mim.

- Viver é degustar esta vida,
e tudo aquilo que ela é e carrega.

Estou vivo.
- Está ativo meu desejo de viver.

Então curto, degusto, admiro,
sinto, inebrio-me,
comunico-me
alegre e livremente
com meus iguais.

Estou vivo.
- Recomeço a viver todos os dias.

Nasce, de novo, minhas chances,
meus sabores, meus significados,
nossos ideais de fraternidade.

De que adianta ter a vida
e não estar sentindo a realidade,

a dinâmica do viver?

O coração bate,
as pernas se movimentam,
as mãos gesticulam;
o corpo físico respira
e está quente.

Pensamentos tagarelam 
no meu cérebro.

Perguntas fervilham
em minha cabeça.

Olho para todos os lados.
Escuto todos os sons.
Pessoas mexem com os lábios.

Tudo está se agitando
dentro do liquidificador.

Uns vão, outros vem.
Todos estão indo, para onde?

Professores e alunos interagem.

Patrões e funcionários
procuram se entender:

     Uns exploram.

     Outros são explorados.

     Uns saciados, 
          outros, famintos.

Fugimos todos. Vivemos fugindo.
Vamos aos jogos, todos os jogos,
futebol e samba,
diversões e desgastes inúteis,
escapes... se forem fugas
das responsabilidades.

“Preciso divertir-me”
é sintoma
de que estou vivo, apenas.

“Preciso divertir-me” 
pode ser um aviso
de que não estou vivendo
dentro da realidade real. 

A vida pode até ser passiva,
mas viver é algo ativo.

Políticos e povo
não conciliam seus interesses.

Ganancia e egoísmo
cegam os poderosos e atrasam tudo.

Injustiças, corrupções e mentiras
tomaram as rédeas
da justiça e da verdade.

Transformaram a vida
numa carga pesada.

A vida pode estar 
dentro dos muros, fechada.

Viver supõe fazer a vida
vibrar em tudo e em todos.

Muitos não sabem viver.
Apenas possuem a vida.

Alguns assassinaram nossos ideais
e nossas nobres razões de viver.

Alguns de nós
aceitamos passivamente
as algemas de pelúcias,
as correntes do conforto 
e do consumismo.

Consumimos nosso nobre tempo
com atividades despersonalizantes.

A vida é passiva, mas,
viver é algo ativo.

E todos perdem,
não apenas os pobres.

Os ricos perdem a simplicidade
e a alegria de viver soltos.

Se estão apegados aos seus bens, 
vivem presos. 

Com a vida estão presos
aos interesses pequenos,
individuais ou de grupos.

Os pobres possuem a riqueza da vida,
mas apenas sobrevivem?

Não. Os pobres degustam viver
mesmo que a vida se apresente a eles, 
difícil, árdua, salgada demais. 

Já não nos ocupamos com o amor,
com a bondade, com a beleza.

Não estamos no prejuízo,
afastados das razões do viver?

De novo, pergunto,
não está a vida 
separada do viver?

Há ainda o desejo ardente,
de viver?

Se já não há mais esperanças
dentro da vida,
que valores sobraram
para viver?

Quais personagens
estão demonstrando nobreza no agir,
na sociedade
e nas estruturas das igrejas,
na literatura, na economia,
na saúde ou no esporte?

Quem está testemunhando
vivência de valores permanentes?

Será que a vida vive,
sem palpitar?

A vida é passiva.
Mas não só passiva. 
Porque viver é verbo, ativo.

Interpretar papéis,
emprestados ou impostos,
não é nada original.

Se ganhamos a vida de presente,
o que estamos fazendo com ela?

A vida é apenas um talento.
Não o enterre. Faça-o frutificar.

Viver é muito mais
do que apenas ter vida.

Estar vivo é muito pouco
dentro da Ecologia
e da Cosmologia Universal.

A vida é algo fechado,
mas também está sempre aberta. 

Viver é abrir as portas da vida
e expressar-se, aventurar-se,
revoltar-se com as barreiras,
contra os limites,
contra as fronteiras.

A vida é algo fechado.
Mas, viver também é 
abrir-se para a novidade.

Viver é extrair a energia
de dentro da vida.

Viver é fazer a energia da vida
produzir projetos e emoções.

A vida é algo pronto, 
bruto, acabado. Mas também 
está sempre em construção. 

Viver
é fazer arte, e, aperfeiçoá-la
continuamente.

A vida é algo pessoal,
isolado, coisa de cada um,
junto, com outros uns. 

Viver é interligar-se,
relacionar-se com tudo e com todos.

Enquanto não estiver vivendo com alegria,
não estás vivendo a riqueza
que é a sua vida;
não estás gastando
o enorme potencial
da sua própria vida.

Com a vida,
podes multiplar, triplicar
as razões para o teu viver
frutuoso e saboroso.

Você é uma pessoa alegre?

Avalie-se se estás vivo(a).
Avalie-se se estás vivendo.

 
"Ensinam-nos a viver
quando a vida já passou". 

Michael Eyquem de Montaigne 28/02/1533-13/09/1592. 
Foi filósofo, escritor, ensaista e fabulista francês. 
Nasceu e morreu em Saint-Michel-de-Montaigne, França.
 

Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 03/06/2016.
Atualizado em 26/04/2026



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