sexta-feira, 3 de julho de 2015

224.- Projeto eterno. Eu sou (nós somos) o maior projeto que há, em construção, no mundo.



   

Sou a pessoa mais importante

do mundo.

 

Digo isto, sem nenhuma carga de egoísmo

ou egocentrismo.  

 

Tenho certeza

que esta também é a sua opinião

sobre você mesmo(a).

 

Se eu não me levo a sério,

estarei me comportando

como alguém que não se dá valor

ou que não tem importância.

 

Esta atitude me leva ou nos leva

a viver na superficialidade.

 

Se eu não me valorizo,

meu próprio inconsciente

não trabalhará por mim também.

 

Se não vejo valor em mim,

não cuidando de mim mesmo

estarei enterrando-me

ou desistindo de ser alguém.

 

E aí não há outra consequência

a não ser a infeliz convivência

com a depressão.

 

Eu sou

o meu maior investimento.

 

Eu sou o maior projeto,

 em construção,

 que há no mundo.

 

Sou uma peça rara,

raríssima e única.

 

Sou um mundo à parte,

perto dos outros mundos.

 

Se os outros ainda não me conhecem

nem me exploraram

é porque não me conhecem.

 

Da mesma forma,

não conheço bem os outros

porque não me conheço bem

nem mesmo a mim.

 

Gostaria de entrar dentro de você,

pelo buraquinho da menina dos teus olhos

e conhecer-te.

 

Muito mais do que a tua geografia física

e os contornos do teu corpo,

gostaria de conhecer

o teu mundo mental,

teus pensamentos,

teus sonhos

e teus ideais.

 

Gostaria de viajar lá dentro,

em sua companhia

e talvez assim

eu também me conhecesse

bem melhor.

 

Parece que às vezes

damos maior importância

ou nos ocupamos mais

com a vida dos outros

do que com a nossa própria vida.

 

Mas ficamos sempre nas aparências.

 

O que acontece

dentro de cada um de nós

é estupendo e espetacular.

 

Quando você me vê

ou quando você diz que me conhece,

conhece mesmo?

Sabes quem eu sou,

além do que me vês?

 

Aquilo que digo, me revela a você?

 

Sobre o quê tenho falado contigo?

 

Aquilo que eu sou,

deveria falar de mim,

com mais clareza

do que as palavras que pronuncio.

 

Tenha certeza

que as palavras que digo

não dizem muito de mim mesmo,

mas falam mais daquilo que não sou,

o eu desconhecido com o qual convivo.

 

Aquilo que digo,

revela-me para você?

 

Ah, como gostaria

que você dissesse ‘sim’.

 

Aí você poderia me ajudar,

porque eu mesmo,

não me conheço,

como gostaria e deveria me conhecer.

 

Parece que nunca estou em casa.

 

Tenho a impressão

de que estou mais fora de mim mesmo

do que deveria estar.

 

Tenho saído muito

e por isso encontro-me insatisfeito.

 

Parece

que a minha casa está desarrumada,

desorganizada,

por isso não gosto

de ficar dentro dela.

 

Até parece

que não gostamos

ou não sabemos conviver

conosco mesmos.

 

A própria falta de tempo,

para mim mesmo,

está me prejudicando.

 

Tenho até sentido falta do silêncio.

 

Parece que o silêncio

é melhor companheiro

do que o barulho

e as atividades constantes.

 

Se procuro o silêncio,

estou procurando ajustar-me

comigo mesmo.

 

Se procuro atividades externas,

estou fugindo de mim mesmo.

 

Muitas e muitas vezes

vemos mais a nossa sombra

do que nós mesmos.

 

 

Vemos mais as nossas sombras

quando avaliamos nós

e os outros

com pessimismo.

 

Faltando luz,

faltando conhecimento,

faltará clareza

para emitirmos avaliações seguras.

 

Quando olho para você,

não te vejo.

 

Ou melhor,

te vejo escondido(a)

atrás de muitas máscaras.

 

Seja sincero(a).

Não me critique.

Compreenda

pelo menos minhas intenções.

 

Raramente você mostra

quem você realmente é.

 

E o que é pior:

você mesmo

pode não estar sabendo ver-se,

nem analisar-se.

 

Para isso

é necessário ter desenvolvido

a consciência

e perceber como o ego falso

atua em nossa personalidade.

 

Temos dois egos

em constante atividades persuasivas

dentro de nós mesmos:

o ego inferior,

que se manifesta de forma egoísta

e orgulhosa, apegado, medroso ...

e o ego superior,

comandado pela consciência desperta

que se manifesta

com atitudes de aceitação,

compreensão,

tolerância,

suavidade,

discernimento

e paz.

 

Se você está ou é agressivo,

está sob o comando do ego inferior.

 

Se você está tranquilo,

em paz,

está sob o comando do ego superior.

 

O conhecimento

cada vez mais profundo

de nós mesmos

acontecerá

quando adquirirmos conhecimento científico

 sobre o ego e suas manifestações

e sobre o despertar

e o ativar a consciência.

 

Sabendo quem somos,

não haverá necessidade de enfeites,

nem externos, nem internos.

 

Se tu vens conversar comigo,

venha você mesmo.

 

Aí nosso diálogo será proveitoso.

 

Duas interioridades dialogando,

interagindo

e tocando os limites das profundidades,

misteriosas e ricas que somos.

 

Não venha falar comigo

sobre futebol,

novelas,

política,

religião,

economia,

violência,

segurança,

posses,

coisas lá de fora.

 

Venha ser e expressar-se, você mesmo,

o que você é, e intercambiaremos valores.

 

Você é tudo o que você é.

 

Isso preciso saber.

 

Venha me dizer quem você é.

 

Venha falar sobre você,

quem quer ser,

ou tem sido.

 

Fale-me sobre os teus ideais,

superações e vitórias.

 

Fale-me sobre a sua filosofia e vida.

Quem você se tornou?

 

Diga-me em quais projetos

está envolvido.

 

Você pode vir a ser mais

do que é hoje.

 

Mas não se olhe

através do que você tem fora de si mesmo.

 

Isso não conta

quando o que conta

é o que SOU ou o que SOMOS.

 

Aquilo que você é hoje,

se estiver apegado,

estará te segurando

e impedindo que sejas

o que pode vir a ser.

 

O apego segura,

amarra e estaciona.

 

O desapego

te coloca na rampa de lançamento

para o mais além do já conquistado.

 

Diga-me onde andas

ou com quem andas,

o que lês,

ou que costuma curtir,

o que admiras,

com o te envolves,

e te direi quem és.

 

Podemos correr o risco

de nos identificamos

com aquilo com o que nos relacionamos.

 

Somos infinitamente mais do que tudo

o que está ao redor da cultura

ou do ambiente

em que acabamos

nos familiarizando.

 

A rotina tem o poder de ocultar,

ofuscar

e anestesiar

nossa potencialidade.

 

Saia do teu ambiente

de vez em quando.

 

Viaje.

Leia.

Dialogue.

Saia do teu costumeiro mundinho.

 

Por outro lado,

ninguém de nós tem o direito

de julgar ou culpar nossos pais,

parentes,

amigos

ou professores

que tivemos no passado,

justificando o atual estágio

do desenvolvimento da nossa personalidade.

 

Se tem alguém responsável

pela construção da nossa própria vida

e personalidade,

somos nós mesmos.

 

E o futuro que nos espera

é aquele que estamos construindo hoje.

 

Ainda não sou o que devo ser.

 

Após ter chegado aos 65 anos,

e mesmo depois de chegar aos 90 anos

(se chegar) procuro ser eu mesmo.

 

Quem eu sou?

Sou um ser em projeção,

em caminho,

em aperfeiçoamento,

em direção ao Criador Perfeito,

do qual sou e somos

uma das suas obras,

uma pálida imagem e semelhança.

 

Nesta caminhada sou e somos

apenas um humano,

projeto de eternidade.

 

Você tem andado

e pesquisado esta realidade?

 

Eu sou

e você também é

os maiores projetos que estão

em construção,

no mundo.

 

Não te esqueça:

os outros também estão

na fase de construção.

 

E temos que ajudá-los

com nossas ferramentas.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 03/06/2016.

eneaspb@gmail.com

Leia outros textos:

http://heiposworld.blogspot.com.br
 



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