Sou a pessoa mais
importante
do mundo.
Digo isto, sem
nenhuma carga de egoísmo
ou egocentrismo.
Tenho certeza
que esta também é
a sua opinião
sobre você
mesmo(a).
Se eu não me levo a sério,
estarei me comportando
como alguém que não se dá valor
ou que não tem importância.
Esta atitude me leva ou nos leva
a viver na superficialidade.
Se eu não me valorizo,
meu próprio inconsciente
não trabalhará por mim também.
Se não vejo valor em mim,
não cuidando de mim mesmo
estarei enterrando-me
ou desistindo de ser alguém.
E aí não há outra consequência
a não ser a infeliz convivência
com a depressão.
Eu sou
o meu maior investimento.
Eu sou o maior projeto,
em construção,
que há no mundo.
Sou uma peça rara,
raríssima e única.
Sou um mundo à parte,
perto dos outros mundos.
Se os outros ainda não me conhecem
nem me exploraram
é porque não me conhecem.
Da mesma forma,
não conheço bem os outros
porque não me conheço bem
nem mesmo a mim.
Gostaria de entrar dentro de você,
pelo buraquinho da menina dos teus olhos
e conhecer-te.
Muito mais do que a tua geografia física
e os contornos do teu corpo,
gostaria de conhecer
o teu mundo mental,
teus pensamentos,
teus sonhos
e teus ideais.
Gostaria de viajar lá dentro,
em sua companhia
e talvez assim
eu também me conhecesse
bem melhor.
Parece que às vezes
damos maior importância
ou nos ocupamos mais
com a vida dos outros
do que com a nossa própria vida.
Mas ficamos sempre nas aparências.
O que acontece
dentro de cada um de nós
é estupendo e espetacular.
Quando você me vê
ou quando você diz que me conhece,
conhece mesmo?
Sabes quem eu sou,
além do que me vês?
Aquilo que digo, me revela a você?
Sobre o quê tenho falado contigo?
Aquilo que eu sou,
deveria falar de mim,
com mais clareza
do que as palavras que pronuncio.
Tenha certeza
que as palavras que digo
não dizem muito de mim mesmo,
mas falam mais daquilo que não sou,
o eu desconhecido com o qual convivo.
Aquilo que digo,
revela-me para você?
Ah, como gostaria
que você dissesse ‘sim’.
Aí você poderia me ajudar,
porque eu mesmo,
não me conheço,
como gostaria e deveria me conhecer.
Parece que nunca estou em casa.
Tenho a impressão
de que estou mais fora de mim mesmo
do que deveria estar.
Tenho saído muito
e por isso encontro-me insatisfeito.
Parece
que a minha casa está desarrumada,
desorganizada,
por isso não gosto
de ficar dentro dela.
Até parece
que não gostamos
ou não sabemos conviver
conosco mesmos.
A própria falta de tempo,
para mim mesmo,
está me prejudicando.
Tenho até sentido falta do silêncio.
Parece que o silêncio
é melhor companheiro
do que o barulho
e as atividades constantes.
Se procuro o silêncio,
estou procurando ajustar-me
comigo mesmo.
Se procuro atividades externas,
estou fugindo de mim mesmo.
Muitas e muitas vezes
vemos mais a nossa sombra
do que nós mesmos.
Vemos mais as nossas sombras
quando avaliamos nós
e os outros
com pessimismo.
Faltando luz,
faltando conhecimento,
faltará clareza
para emitirmos avaliações seguras.
Quando olho para você,
não te vejo.
Ou melhor,
te vejo escondido(a)
atrás de muitas máscaras.
Seja sincero(a).
Não me critique.
Compreenda
pelo menos minhas intenções.
Raramente você mostra
quem você realmente é.
E o que é pior:
você mesmo
pode não estar sabendo ver-se,
nem analisar-se.
Para isso
é necessário ter desenvolvido
a consciência
e perceber como o ego falso
atua em nossa personalidade.
Temos dois egos
em constante atividades persuasivas
dentro de nós mesmos:
o ego inferior,
que se manifesta de forma egoísta
e orgulhosa, apegado, medroso ...
e o ego superior,
comandado pela consciência desperta
que se manifesta
com atitudes de aceitação,
compreensão,
tolerância,
suavidade,
discernimento
e paz.
Se você está ou é agressivo,
está sob o comando do ego inferior.
Se você está tranquilo,
em paz,
está sob o comando do ego superior.
O conhecimento
cada vez mais profundo
de nós mesmos
acontecerá
quando adquirirmos conhecimento científico
sobre o ego e suas manifestações
e sobre o despertar
e o ativar a consciência.
Sabendo quem somos,
não haverá necessidade de enfeites,
nem externos, nem internos.
Se tu vens conversar comigo,
venha você mesmo.
Aí nosso diálogo será proveitoso.
Duas interioridades dialogando,
interagindo
e tocando os limites das profundidades,
misteriosas e ricas que somos.
Não venha falar comigo
sobre futebol,
novelas,
política,
religião,
economia,
violência,
segurança,
posses,
coisas lá de fora.
Venha ser e expressar-se, você mesmo,
o que você é, e intercambiaremos valores.
Você é tudo o que você é.
Isso preciso saber.
Venha me dizer quem você é.
Venha falar sobre você,
quem quer ser,
ou tem sido.
Fale-me sobre os teus ideais,
superações e vitórias.
Fale-me sobre a sua filosofia e vida.
Quem você se tornou?
Diga-me em quais projetos
está envolvido.
Você pode vir a ser mais
do que é hoje.
Mas não se olhe
através do que você tem fora de si mesmo.
Isso não conta
quando o que conta
é o que SOU ou o que SOMOS.
Aquilo que você é hoje,
se estiver apegado,
estará te segurando
e impedindo que sejas
o que pode vir a ser.
O apego segura,
amarra e estaciona.
O desapego
te coloca na rampa de lançamento
para o mais além do já conquistado.
Diga-me onde andas
ou com quem andas,
o que lês,
ou que costuma
curtir,
o que admiras,
com o te envolves,
e te direi quem
és.
Podemos correr o
risco
de nos
identificamos
com aquilo com o
que nos relacionamos.
Somos
infinitamente mais do que tudo
o que está ao
redor da cultura
ou do ambiente
em que acabamos
nos
familiarizando.
A rotina tem o poder de ocultar,
ofuscar
e anestesiar
nossa potencialidade.
Saia do teu ambiente
de vez em quando.
Viaje.
Leia.
Dialogue.
Saia do teu costumeiro mundinho.
Por outro lado,
ninguém de nós tem o direito
de julgar ou culpar nossos pais,
parentes,
amigos
ou professores
que tivemos no passado,
justificando o atual estágio
do desenvolvimento da nossa personalidade.
Se tem alguém responsável
pela construção da nossa própria vida
e personalidade,
somos nós mesmos.
E o futuro que nos espera
é aquele que estamos construindo hoje.
Ainda não sou o que devo ser.
Após ter chegado aos 65 anos,
e mesmo depois de chegar aos 90 anos
(se chegar) procuro ser eu mesmo.
Quem eu sou?
Sou um ser em projeção,
em caminho,
em aperfeiçoamento,
em direção ao Criador Perfeito,
do qual sou e somos
uma das suas obras,
uma pálida imagem e semelhança.
Nesta caminhada sou e somos
apenas um humano,
projeto de eternidade.
Você tem andado
e pesquisado esta realidade?
Eu sou
e você também é
os maiores projetos
que estão
em construção,
no mundo.
Não te esqueça:
os outros também
estão
na fase de construção.
E temos que ajudá-los
com nossas
ferramentas.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 03/06/2016.
eneaspb@gmail.com
Leia outros textos:
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