Quanta
novidade anda desfilando por aí, fazendo sua função inovadora, avisando a
chegada de novos tempos, antecipando o futuro, trazendo novas oportunidades de
aprendizado, encurtando distancias, favorecendo aproximações.
Quanta
gente sentada, esparramada no sofá do conforto da vida.
Quantas pessoas
percebem tudo isso e assim mesmo mantém-se apegadas ao padrão conquistado no
passado, sujeitando-se a crises pela chegada do futuro, que vem, a principio,
desacomodar.
Percebemos atitudes
de resistência mental diante do novo, em muitas pessoas.
Depois escutamos criticas.
Depois, bem depois,
após muito sofrimento, aceitam a nova tecnologia, incorporando-as, com muito
esforço, ao seu dia a dia.
Não temos força
diante da inovação.
As mudanças acontecem
sem nos pedir licença, felizmente.
Sabemos apenas que a
nossa geração, geração de quem tem mais de cinquenta anos,
não consegue acompanhar a assimilação de
tantas mudanças em tão pouco tempo.
Como humanos,
experimentamos duas dificuldades: temos
dificuldades em aceitar o novo que nos traz melhorias; temos também dificuldade
em desapegar-nos do modo rotineiro como vivemos.
Lá atrás, no texto 160,
já falamos sobre a rotina
e seus efeitos em nossa personalidade.
A rotina
não é temida
porque passa despercebida.
Não a consideramos perigosa
porque ela é tão natural e espontânea
que achamos que ela faz parte
dos animais domésticos.
É natural,
doméstica sim,
mas muito perigosa.
É uma impostora.
É a mais perigosa inimiga
dentro do vasto campo
do mundo humano.
Se não martelarmos
com mais frequência
na cabeça da rotina,
poderemos correr o risco
de não percebermos
as belezas da viagem
as atrações em exposição
na beira das estradas,
a novidade que abre mais portas,
a novidade que proporciona
melhores condições de vida.
A rotina tem o poder
de assassinar a sensibilidade,
destruir o que de mais humano
nos caracteriza
dentro da esfera emotiva e afetiva.
Tudo o que acontece
de maneira costumeira,
se gasta,
cansa,
perde o brilho
e se torna comum.
Tudo o que é comum,
repetitivo,
sem emoção,
perde a característica
da novidade.
O que fazer
para escapar
desta fatalidade natural
da vida?
Rotina
é sinônimo de repetição.
Repetir sempre as mesmas atitudes,
mesmos pensamentos,
mesmas ações, chateia, desgasta,
enfraquece motivações,
obscurece os ideais,
anestesia a força de vontade.
Se a repetição for vazia,
sem sentido,
sem finalidade de construção,
sem visão evolutiva
sem o envolvimento
com o crescimento,
levará à depressão.
Fugir da depressão,
só sentindo-se útil.
Como não deixar
que os efeitos ruins da rotina
desgaste ou enfraqueça
a jovialidade
de cada novo momento?
Cada segundo,
cada minuto,
cada hora,
cada dia
é algo novo
à nossa disposição.
Como é que podemos
nos deixar escravizar
pela repetição
das coisas
que aconteceram
nos momentos
e nos dias
que já se foram?
Como é que podemos
nos deixar aprisionar
pelas ações repetidas
que não agregaram
nenhum valor,
não melhoraram
em nada
minha personalidade
e minha filosofia de vida?
Qual é a sensação que tenho,
ao deitar-me,
perceber que tudo o que aconteceu hoje,
também aconteceu ontem,
antes de ontem,
no mês passado
e no ano que já se foi?
Será que não tenho forças
para mudar esta rotina
despersonalizante?
A rotina
causa estragos na nossa vida
quando não adotamos
uma filosofia de vida
baseada na evolução,
no crescimento constante.
A rotina
é o imposto que pagamos
quando não exercemos
o governo
das nossas escolhas e ações,
quando entregamos
a direção do nosso veículo
para os outros.
A rotina só não é temida
porque passa despercebida.
Se não estamos conscientes,
não damos conta da sua presença.
Ela é a morte
caminhando ao nosso lado.
É a apatia, viva,
disfarçada de morta.
A monotonia cobre tudo
com o pó que se levanta
das nossas atitudes repetitivas,
inconscientes.
Dizem os mestres
que o despertar da consciência,
que lê os desvalores,
comparando,
com os valores e motivações,
sugere mudanças.
O que fazer
para que a monotonia da vida
não ofusque nossos olhos
para o brilho
que as estrelas possuem?
O que fazer
para olhar
e encantar-se
com o voo dos pássaros?
O que fazer
para que a nossa força de vontade acorde
e desperte a consciência
diante dos valores da vida?
A questão é:
acordar,
despertar a consciência.
Já publiquei vários textos sobre a consciência.
Vá até lá e pesquise no Blog Heipo’s World.
Estamos tentando trazer
mais luzes e reforços
sobre a rotina
e seus efeitos
despersonalizantes.
A rotina empobrece
a curtição da vida.
É por isso que temos que conhecê-la
para saber como enfrenta-la
e superar os obstáculos
que ela coloca na estrada
por onde caminhamos.
Quem vive na dimensão da rotina
vive na superfície da vida.
Esta é uma das verdades
sobre a qual você pode
e deve avaliar a sua vida.
E como saber
se você está vivendo só na superfície?
– A mesma moeda responde:
se experimento a vida
como uma contínua repetição vazia,
automática,
sem tempero e sem entusiasmo,
comprovo a tese.
Existe outra chave
para revelar
que estou vivendo na superfície? – Sim.
Verifique se você é egoísta.
O egoísmo
reduz o mundo ao tamanho
dos meus próprios interesses.
O egoísmo
fecha o meu mundo
exatamente lá
onde alcançam as fronteiras
dos meus interesses.
Escapamos das malhas da rotina
e do egoísmo
quando entramos nas profundezas,
nas dimensões vertical e de profundidade,
quando presto atenção
ao mundo
de quem vive ao meu lado,
quase como um estranho,
e, fazendo perguntas,
vou cavocando
descobrindo minas
de ouro.
É aqui que estão as perguntas
e também as respostas
pelo sentido da vida.
É na dimensão de profundidade
que encontramos as razões
para continuar vivendo,
e investindo na melhoria
do estilo de vida,
até chegar
à arte.
Encontramos motivações
para superar obstáculos.
Encontramos as provas
da existência do espírito,
da alma, da eternidade.
A sabedoria
está em escolher
a porta da saída da rotina ruim,
vazia ...
e abrir uma nova porta,
escolhendo as atitudes
que levem à criação
da rotina gostosa,
construtiva, afetiva,
genuinamente humana,
abrindo-se
para o campo
da extraordinária
dimensão espiritual,
divina,
potencialmente escondida
em toda pessoa humana.
Não fomos feitos
para a passividade.
Não estou querendo revelar
teus defeitos.
Minhas intenção é nobre:
quero ser seu amigo,
ajudar-te
a envolver-te com a novidade
que está aí, na tua porta, na tua casa,
na tua vida, todos os dias.
A rotina desaparece da nossa vida
quando decidimos cultivar o Heipo
que dorme em nossa personalidade.
Só há uma maneira
de vencer a rotina ruim ...
é construir rotinas novas,
boas,
educativas,
evolutivas.
É trocar hábitos ruins
por hábitos bons, gratificantes.
Repetir ações
que produzam satisfação,
alegria
e entusiasmo.
Envolva-se em ações
de solidariedade.
Envolva-se em ações
em que você se sinta útil,
necessário(a) para os outros,
e entrarás num outro mundo,
outro reino,
na autêntica política
da fraternidade.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 19/10/2016
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