quinta-feira, 1 de maio de 2014

109.- Origem. No passado fomos crianças e felizes; no presente, perdemos nossa origem.



O passado se foi
e nós permanecemos 
por aqui.

O passado
deixou marcas
em cada um de nós,
por isso não somos originais.

Não, 
não somos originais.

Nem um ser humano
é totalmente original.

Todos temos certeza 
dessa afirmação.

Nós somos frutos do passado.
Somos o que foram 
nossos antecessores.

Herdamos a influência
e as consequências da história.

Fomos o que conseguimos assimilar 
das leituras e exemplos 
dos pequenos e grandes personagens da história, 
os homens e as mulheres.

Parece que mais aprendemos com os erros do que com as ideias revolucionárias de alguns escritores, poetas e profetas. Parece que a tragédia ensina mais do que a moral e a própria filosofia da educação.

Se nos deixamos influenciar
pelas boas obras,
melhoramos a nós mesmos e,
por consequência
deixaremos melhor
o mundo.

Todos nós admiramos
esta ou aquela pessoa.

É por isso que
buscamos identificações.

Procuramos e buscamos
nos homens e mulheres melhores,
os valores maiores.

Na altura em que nos encontramos
uma pergunta nos provoca a pensar:

Não deveríamos estar vivendo
de uma forma ideal,
fraterna, justa, solidária,
atenciosa e dedicada aos outros,
considerando todo o tempo
que já vivemos?

O nosso passado
já não nos ensinou as lições
que deveríamos ter apreendido?

Falta-nos ainda
algum ingrediente
para recuperarmos
a nossa originalidade?

De novo,
estamos à procura
deste elemento.

Quando o encontrarmos
haverá a definitiva alteração
no nosso estilo de vida.

Nossa maneira de ser
será transformada
em filosofia
e amadurecida para ciência
especial de vida.

Isto já devia ter acontecido.

No entanto, devido ao que somos,
ainda falta-nos algum elemento
nesta conquista.

Tentamos primeiro ver onde erramos e depois nos colocaremos de novo a caminho, com a meta de reconquistar a inocência original ou o espírito de infância.

Sonhamos, desejamos e queremos insistentemente, reconquistar, de novo, a nossa originalidade.

Antes de sermos o que hoje somos,
fomos Adão e Eva, nús.

A gente se via sem roupas
e não havia nada de extraordinário nisso.

Era natural.

Depois que fizemos alguma coisa errada,
tivemos que vestir, cobrir
e esconder a personalidade fraca.

A estrutura e a personalidade fraca
fizeram a história do jeito que foi feita.

A história dos homens
está cheia de sangue e erros,
provocados pelas atitudes egoístas
e orgulhosas,
desfocadas da filiação divina.

Dá para perceber
onde erramos,
no passado?

Está dando para perceber que não somos ainda ‘deusinhos’, e que necessitamos dos ensinamentos e da sabedoria divina? 

Dá tempo para aprender que a História que vivemos só será história da salvação quando escutarmos e reatarmos a amizade com o Deus Criador?

Falta pouco,
acreditem.

Quando estamos diante das crianças,
as olhamos com um alto grau de inveja.

Como desejamos de novo,
ser simples como as crianças.

Percebemos o quanto
esta característica
é facilmente perdida
e difícil de ser reconquistada.

Se não conseguimos ainda,
pelo menos tentamos
descobrir e cultivar o Heipo
que vive em cada um de nós.

Este é o projeto Heipo:
reconquistar a inocência original.

Do passado,
as boas lembranças
foram do tempo
em que éramos crianças.

Será
que foi
quando deixamos de ser crianças
que perdemos o rumo
do processo evolutivo
no caminho do ideal
da realização
da nossa autêntica personalidade?

O Heipo
é este personagem
que existe em nós
e que quer,
teimosamente,
reconquistar a simplicidade
e recuperar
a inocência perdida.

Como era gostoso ser criança.

Será que a simplicidade
e a inocência original
não pode ser uma qualidade
do adulto?

Se sim,
vamos em busca.

Se não,
ser adulto,
quase diria,
é uma deformação
da autêntica personalidade.

Alguns adultos
do passado
que nos desculpem,
mas não foram modelos.

Outros,
adultos do passado,
perceberam
e cultivaram
alguns valores
que perpassam gerações.


A estes queremos pesquisar,
admirar e transcrever
seus exemplos e testemunhos.



Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 25/03/2016.
eneaspb@gmail.com

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