domingo, 8 de junho de 2014

121.- Inteligência é ler o lado de dentro das coisas.


Atenção: mudou o conceito de inteligente. 
Com a evolução das ciências, inteligente hoje, 
é aquele que aprende a ler 
o lado de dentro das coisas 
e das pessoas. 

Olhando apenas o lado de fora,
permanecemos com a compreensão parcial,
pois estaremos vendo e analisando
somente um lado da realidade.

Não vemos o todo.

Queremos conquistar
uma nova ciência,
mais completa.

Uma ciência nova
que nos possibilite
olhar o interior,
o lado de dentro das coisas,
o lado misterioso da vida
que ainda guarda segredos.

A visão
que o Heipo procura aprender
e vivenciar
supõe penetrar na interioridade
e na profundidade,
nas origens,
razões e finalidades
das coisas.

Há o mundo visível
e há o mundo do invisível.

É, portanto,
de fundamental importância,
conhecer também
o lado de dentro das coisas.

Parece-nos ser tão importante
a ponto de fornecer elementos
mais completos
para a avaliação
e conceituação da parte externa,
que aparece.

Nós, humanos,
estamos dotados
com a capacidade
conhecida com o nome
de inteligência.

Inteligência
é uma palavra composta
de duas raízes latinas:
in que significa interior
legere que significa ler.

Assim, inteligência é a capacidade
que temos de ler por dentro,
penetrar o interior do objeto.

Nós estamos acostumados
a ver e a avaliar
tudo o que cai sobre o nosso olhar.

Sobre o que não vemos,
nos aventuramos
ou nos arriscamos
quando falamos.

Existem atualmente
muitas ciências
que estudam o exterior
para entender sobre o interior.

Por exemplo, os médicos,
através de estudos e pesquisas,
sabem muito sobre nossas doenças
quando analisam nossa face,
tomam nossa temperatura,
observam a pupila
dos nossos olhos
e a cor da nossa pele.

Os psicólogos
avaliam nosso grau de estresse
pelas rugas da nossa face
ou pela agressividade
das nossas palavras.

Nossa maneira de ser,
nossa postura,
nossos atos,
às vezes,
falam mais claramente
de nós do que nossas próprias palavras.

Há um universo quase infinito
dentro das coisas e, muitas vezes,
ainda desconhecido.

O lado de dentro das coisas
é outro mundo
a ser pesquisado e conhecido.

Não há pessoa
que tenha autoridade
para afirmar
que não há nada lá dentro
só porque não se vê.

O único obstáculo
para a aquisição
desta ciência
é a rapidez
e a superficialidade.

Estes dois elementos modernos
dificultam o cultivo da ciência
do lado de dentro das coisas.

A cultura
na qual estamos envolvidos
quase só ensina
a cultivar a aparência,
isto é, só o que aparece,
o que brilha e o que atrai.

Pouca importância
se dá aos poetas,
artistas,
filósofos e teólogos,
que procuram,
teimosamente,
penetrar por este caminho,
a leitura do interior das coisas.

Você já ficou maravilhado,
diante da grandeza escondida,
na pequenez de uma criança?

Quando escutou
o canto dos passarinhos,
percebeu que aquela melodia
vinha de dentro do pássaro?

Quando ouviu
o ruído suave
dos pequenos riachos
e quedas de água,
percebeu
que o riacho estava vivo,
expressando-se?

Quando olhastes
para um entardecer colorido,
viste algum pintor escondido?

Quando percebestes
o barulho do vento
nas árvores,
movimentando-as,
percebestes ali
um elemento real
e invisível?

Quando o vento
veio visitar-te,
balançando seus cabelos,
aceitaste sem medo,
as carícias deste fantasma?

Como é fácil
ignorar as belezas
que nos envolvem.

Um beliscão
na nossa sensibilidade
seria bem-vindo
para nos acordar
e percebermos
que estamos prejudicados.

Perdemos
alguns elementos
da nossa personalidade
que inflacionaram
ou até arruinaram
nossa percepção.

O que é que existe em nós,
que reduz nosso potencial,
tampa nossos ouvidos,
bloqueia nossa sensibilidade,
entorpece nossos sensores
impedindo-nos de curtir
as coisas boas e belas da vida?

Por que alguns curtem tudo isso?

Por que outros não sentem nada?

Para muita gente,
o que há de bom,
de bonito,
harmonioso e suave
nesta natureza toda,
funciona como despertador
e acorda nossas potencialidades
de admiração, raciocínio e curtição,
e até nos leva mais adiante.

O que há na raiz de todas as coisas?

O que há
por dentro de cada elemento,
cada pessoa,
cada realidade,
seja visível ou invisível?


Talvez exista ali
uma mensagem
a ser decifrada,
talvez um mapa
de um tesouro,
talvez um fórmula
de um remédio,
talvez algo de que estamos precisando
e esteja no nosso nariz
e não 'vemos'.

Quando fazemos para nós mesmos
estas perguntas,
as respostas
começam a aparecer.

As respostas
não estão sempre prontas.

Quando nos colocamos
em posição de alerta
e acionamos
nossas próprias potencialidades internas,

aí, vamos entrando
e penetrando
além das aparências,
para além dos rostos humanos,
e descobrimos a dignidade,
a fonte do valor.

Aí, mais em frente,
vamos para além
das fronteiras da pele
e descobrimos o sangue quente
a vivificar as criaturas humanas.

E aí vamos mais fundo
perguntando-nos
pelo espírito que anima
e que dá vida
à nossa massa corporal.

Que coisa é isso?
Agora começa ficar difícil
a fala e as letras.

Do que é que estamos falando
e escrevendo?

Estamos tentando
nos entreter com o espírito.

Como deixar
de se perguntar
pelas expressões da vida?

Como não perceber
um espírito
por trás dos movimentos
e ventos?

Como não entender
a seiva que caminha
pelas raízee circula no interior dos troncos,
até a ponta dos galhos,
até as folhas,
frutos e sementes,
trazendo vida
e alimento.


Na árvore, isto é espetacular.
Na pessoa humana, é estupendo.
No campo visível, é belo, maravilhoso.
Na dimensão invisível, não vislumbramos,
para não explodir, antecipadamente. 

Algum tipo de ferramenta,
inato em nós, invisível,
já nos permite antever
além de qualquer paisagem.

Mas, ainda não arriscamos.

Estamos ajustando nossa vista
para além dos horizontes da compreensão,
além das fronteiras do normal e aceitável.

Teremos de usar algum tipo de binóculo 
que aproxima virtualmente
os objetos focados?

O que viria a ser
este binóculo?

Sim, já somos capazes.
Somos capazes de enxergar
a mensagem que o mundo carrega.

Cada coisa é um Sacramento,
um sinal
ou um código
a ser decifrado.


No efêmero que passa,
podemos perceber
o eterno que não passa.

Não é o tempo que voa;
voamos nós e o tempo fica.

No tempo,
já conseguimos ler
a mensagem daquilo que é eterno.

Na bondade humana,
nas criaturas todas,
lemos nas entrelinhas
o Criador de todas as coisas.

Tudo o que está ao nosso dispor,
tanto na natureza
como na nossa própria natureza humana,
nossas capacidades e talentos,
são ferramentas disponibilizadas
pelo nosso Pai dos céus, nosso Criador.

Você não vê assim?

Não tenha receio, use os binóculos
ou trinóculos que você tem, aí dentro.

 O mundo todo,
a natureza imensa
e profunda, funciona
como um vidro transparente
no qual conseguimos ler
dentro das coisas,
sinais, literatura,
romance e a paixão
de um Pai que ama seus filhos
e lhes entrega um jardim
para ser cultivado.

Consegue interpretar desta forma?
Lá dentro do dentro tem coisa ...
 
Eneas Paulo Budel Bogucheski                    

Atualizado em 25/03/2016
Atualizado em 26/10/2026

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