sábado, 29 de novembro de 2014

163.- Verdade. Procurando a verdade aprisionada, lá dentro das palavras.







Escrever? Para quê, se já há tanta escrita.

 

E ler? Quem ainda lê?

 

A escrita já está quase perdendo o encanto.

 

Tantas palavras dizem tão pouco.

 

Já estamos quase saturados.

 

Gostaríamos sim, de ler,

e assimilar centenas de páginas

com um simples olhar

que todo conteúdo absorvesse.

 

O poeta, com frases curtas,

diz mais, com muito menos.

 

Tantos assuntos dissecados,

tanta beleza

desnudada pelas palavras

nem sempre profundas e coerentes.

 

Tragédias, dramas e comedias

procuram despertar nossas emoções

sacudindo o sono no dia claro.

 

Há que despertar ainda,

e acordar o mito,

pesquisar o mistério,

cavar mais no profundo,

acordar o eu despersonalizado,

sufocado pela poeira fina da rotina.

 

Há que se buscar a verdade

ainda aprisionada,

lá dentro das palavras.

 

Ainda há tanto a descobrir

e a dizer.

 

Cientistas estão trabalhando

pesquisando verdades escondidas.

 

Os filósofos

estão cavando,

decifrando mensagens

guardadas

dentro de cada ser não lido,

não percebido,

que como amante e amado,

desejam ser explorados,

ansiando a liberação das emoções,

o palpitar da vida.

 

Escritores, todos,

querendo colaborar

para que o futuro

chegue depressa.

 

Há tesouros enterrados

quase na superfície.

 

Homens e mulheres: cavem.

 

Homens e mulheres: prestem atenção e

sejam mais cientistas.

 

A pressa,

a indiferença e a apatia

resistem aos esforços necessários

para cavar, olhar demoradamente,

contemplar, perguntar-se pelas origens e finalidades.

 

 

Criativos, prestai atenção:

não se recusem

a usar as ferramentas próprias

para cavar.

 

Poetas, artistas,

deixemos que o sereno caia de novo

na nossa cabeça.

 

Aceitemos de novo,

andar na chuva e molhar-nos.

 

Que o olhar se volte para cima

e o pescoço exercite mover-se

para o lado

onde as luzes se mostram

e para o outro lado,

onde as sombras constroem

outras figuras.

 

Não há razões dignas

para procurar

e revelar as luzes da vida

se não houver as responsabilidade

para  aceitar, enfrentar, decodificar

e solucionar as sombras

que as luzes provocam.

 

Que os pés descalços

recuperem a sensibilidade

ao sentir a terra seca ,

a grama macia ,

a umidade do barro,

o queimar da areia

e as pedras pontiagudas.

 

Que os olhos evoluam,

e promovam–se para a contemplação.

 

Dentro das palavras

há silêncios grávidos,

querendo dar à luz,

às verdades, quase abortadas.

 

No silêncio,

existem palavras excepcionais,

iguais às pessoas mudas,

que não conseguem contar

os segredos íntimos,

com as palavras.

 

Dentro das palavras

há filhos e filhas

que querem vir à vida.

 

Que os ideais da escrita

sejam direcionados

para esta sede

que, mesmo saciada,

continua sempre sedenta.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizada em 15/05/2016.
 
 

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