quinta-feira, 8 de outubro de 2015

251.- Saudades. A saudade leva-nos para o passado, e esquece de devolver-nos para o presente.



 
Saudades

são aquelas lembranças

que despertam sentimentos bons

e nos fazem sentir que ainda estamos vivos.

 

A saudade

leva-nos a viajar para o passado,

lá onde tivemos aquelas boas experiências,

boas andanças e festanças,

bons tempos de crianças.

 

Até parece que não gostamos muito dos tempos de hoje, porque poucas coisas boas e gostosas nos acontecem, ou talvez desaprendemos de ir atrás do que nos agrada.

 

A saudade é ...

é quase um ato

de querer fugir do presente,

de fininho,

sem que percebam

para onde fomos,

para não despertar neles

a inveja,

porque fomos

para onde nos sentimos contentes,

em paz,

em harmonia

com o universo todo.

 

E esta geração na qual nos encontramos, não nos compreende, porque vivemos tanto no passado.

 

Gosto de voltar para o passado

porque lá havia mais tempo

para tudo.

 

 

O tempo

ainda estava nas nossas mãos.

 

Hoje já não está.

 

Parece que perdemos a liberdade

ou algo da essência de nós mesmos.

 

Parece que me perdi

em algum lugar do caminho.

 

Já não sei mais onde estou,

ou se sei, já não é com tanta certeza.

 

Tantas encruzilhadas.

 

Tantos convites

em painéis de propaganda.

 

Quase tudo tenta me distrair

do caminho

para o qual fui feito,

e entro em atalhos,

e me esqueço

para onde vou indo.

 

Neste sonho

ou nesta viagem da saudade,

tento me reencontrar,

procurando pedaços estraçalhados

do meu ser,

que ficaram esparramados

pelos becos das cidades

em que entrei.

 

Saí de casa,

do aconchego do meu lar,

lugar seguro,

quente e cheio de vitalidade,

risos, e comilanças,

olhares afetivos,

silêncios compreensivos,

compromissos cumpridos,

ideal conjugal,

tudo no seu lugar,

aqueles projetos de realizações.

 

 

Assim foi o meu e o nosso passado.

 

Este é o conteúdo,

o prato da saudade.

 

No hoje no qual estamos pisando,

a saudade

não nos acompanha os passos.

 

Nossa companhia hoje

            tem outro nome.

 

Já fora da porta da casa,

as coisas começam a faltar

e a insegurança segue-nos

como uma guarda-costas.

 

A saudade

fica sendo a coisa boa da vida.

 

A vida no mundo presente

se apresenta como algo

que promete também,

coisas boas,

e ficamos esperando

que as promessas

se concretizarem.

 

Poucos, poucos de nós se empenham

para que as coisas boas

sejam de fato,

consequências

do nosso agir.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski.

Atualizado em 06/06/2016


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