segunda-feira, 17 de setembro de 2018

128.- Arte. Obra de arte, inacabada.





Experimentamos
em nossa maneira de ser,
sentir ou pressentir,
que temos algo,
que não é daqui,
que nunca se sacia,
sempre com fome e sede,
como obra de arte
desejando os retoques finais,
obra inacabada,
quase pronta,
quase sim,
ainda não.


   É de lá
a melhor parte,
a mais duradoura.


   É de lá
a natureza
definitiva.


Temos esperanças
de que somos herdeiros
e que temos
uma herança eterna
a cultivar.


Durante minha vida
procurei sempre
as pegadas do espírito,
sutil,
despercebidas
pelo olhar corporal.


       No blog Heipo’s World
estão registradas
as impressões digitais
de um personagem
feito aqui,
para chegar mais além,
no lado de lá.


O espírito
que sou
me manterá
para sempre.


O que não é espírito
ajudou o espírito
a buscar a unidade,
a unificação.


Há algo mais
que nossas capacidades mentais
possibilitam conhecer.


Há algo mais
além do que nossos olhos veem.


Há algo mais
para lá
do que nossos sentimentos
experimentam.


Há algo mais
que a fé diz existir
e que ainda nos escapa.


Há algo em nós
que é sobrenatural,
e que nos ultrapassa
e que esconde ‘algo’.


Há algo mais,
que nos provoca,
atraindo-nos,
e nos chama,
e nos deixa,
ansiosos.


O que é desconhecido
quer se fazer conhecido.


O que nos mantém limitados,
e inseguros,
é a sensação
do despreparo,
da ausência invisível,
presente.


Se nos sentimos despreparados
é porque
não nos conhecemos
suficientemente.


Receamos conhecer
o desconhecido
que promete mais,
e nos acostumamos
com o conhecido
que não nos realiza.


Em cada um de nós
existem possibilidades
desconhecidas,
ainda dormindo.


Abrir-se
ou aventurar-se
no campo do infinito
é a maior
de todas as ambições.


É uma aventura,
quase um escape,
um querer fugir
do mundo pequeno.


É uma revolta
contra tudo aquilo
que não preenche,
não completa,
não realiza
e deixa um sutil sentimento
de frustração.


Querer escutar o infinito,
é quase um absurdo
para os ouvidos.


É isso exatamente
que queremos,
que precisamos,
aprender,
a escutar o céu.


Abrir-se,
para o infinito,
é romper as fronteiras
e os limites.


É teimar
contra todas
as visões de mundo,
contra tudo e contra todos.


Mas é também,
vivenciar os maiores
e melhores valores
que temos à disposição:
eternos, eternizados.


Estes valores,
      vivenciados,
          provam a existência
             do céu. 


                   O infinito
                       faz cócegas no finito.


             Desperta
                  a curiosidade.


                  Abre as portas
                       para esperanças novas.


                 Sou o mais completo,
              complexo
            e complicado ser
         da criação.


            Mas experimento também
     a força da limitação.


    Mas esta limitação,
       é apenas um detalhe,
          um componente do todo.
              Não é um obstáculo
                  intransponível.


   Tenho ideais
        mais altos
            e mais fortes
                 do que sou.


Tenho sonhos infinitos
         que querem alargar
             os limites do que sei
                  e experimento.


                   Minha fragilidade humana
               limita
       o que de eterno
há em mim.


        O que há de finito em mim,
              serve de copo
                    para recepcionar
                         o infinito.


                         Cabe?
                  Cabe sim,
          vazando,
escapando,
      segurando as sobras
              que satisfazem.

                         
Quão pequeno sou,
    quase incapaz,
       mas teimoso e esperançoso,
          tento fazer caber
              dentro das minhas limitações,
                   “o maior”, o imenso,
                        o infinito. 


 Há de caber
    o que não posso conter?


         Se não couber todo,
              há de vazar.


                 Mais mérito há de ser assim,
              do que manter vazio
           um espaço criado
        para recepcionar
    o infinito.


Está para acontecer,
   a qualquer momento,
      se não me arrebento,
         coisa grande vai acontecer.


  Será que estamos à porta?
      ou à beira, do fim? 

         
     Ou de um novo
         grande evento?
              Um recomeço?


                        Vamos continuar.


                  É melhor arriscar,
          do que ficar por aqui,           
  estacionado.


      Aqui, a ‘coisa’ vai acabar.
            Lá, a ‘coisa’ está sempre
                a começar.


                     Essa inquietação
                         atrai e convida,
                            se expõe,
                                e se impõe.

               
É uma atração.
  Espera um sim.
       Exige uma resposta.


                   Não há como resistir.


                   Não é algo comum.


                   Não faz parte
                   da rotina.


            Escapa
                das nossas mãos
                      e visões.



                      Será um dom,
              a teimosia
       ou a procura
pela última coisa? 


       Um desequilíbrio
             da natureza?
                 
    
        Violência, contra
                      o que é natural?


                            Ou o sobrenatural
                         é a natureza,
                    a realidade mesma,              
                a última realidade?


Na grande síntese da vida
     apenas três realidades existem:
          o mundo, o homem
              e o nosso Pai Criador.


    Destas três
      a que menos conhecemos
        é o nosso próprio Pai Criador.


         O que sei
               e o que não sei,
                  do Deus Uno e Trino,
                     merece
                         maior investimento.


          O mundo visível,
             já o conhecemos,
               mesmo que superficialmente,
                    pois que somos barro
                      da terra.


        O mundo invisível
           esconde códigos e senhas
              e estamos começando
                 a decifrá-los.


      Do homem
          temos um razoável conhecimento
              pela História e pela lida,
                 no dia a dia.


Estamos continuamente,
uns ao lado dos outros.


E muitos de nós,
causamos espanto
e surpresas.


Na natureza humana
surgem algumas interrogações.


As definições filosóficas e científicas
não esgotaram a intimidade,
o conteúdo e as promessas
feitas às criaturas humanas,
imagem e semelhança
do Pai Criador.


Há ansiedades,
insatisfeitas.


Há profundidade infinita
na natureza humana
que só o infinito
pode suavizar,
que só o infinito
pode ‘encher’.

                                                
Do Deus Pai
e do Deus Filho
e do Deus Espírito Santo,
as fontes de pesquisas
são infinitas.


E é por aqui
que agora havemos de pisar,
pesquisar
envolver-nos,
fazer parte,
complementar-nos.


Esta parceria,
promover para aliança,
é a mais acertada tacada
do nosso último empreendimento
na escalada da pirâmide da perfeição.


Devemos desistir?


Mas por quê,
 deixar como está?


Na escuridão?


Ignorando a fonte da Luz
que nos faz enxergar
do lado lá
e um pouco mais
 acima?


Quero morar lá,
onde mora o Infinito.


Algo em mim impulsiona,
    energiza e anima
        o que tenho de humano,
           em direção a algo mais,
               além deste mundo,
                     além do que vejo,
                        sinto e percebo.


                               Algo condiciona
                             e impulsiona
                           meu frágil ser,
                        a expressar-se
                      mais do que posso.


               Algo me anima
                    a querer e poder
                           mais do que sou.


Não ao não.
Mas, sim ao sim.

                                 
Sinto cócegas.
         Preciso me coçar.


Numa hora
   quero ser mais livre,
     quero voar,
       mas não consigo,
         não tenho asas.


    Noutra hora
       quero transportar-me
          para o alto da montanha,
              sem dar os passos
                    por entre as pedras.


Querendo ser mais
   experimento as barreiras,
      as cadeias,
         as cordas,
             as correntes,
                 as carências,
                     as impotências,
                         e a paralisia.


Eis que ainda sou
    uma mistura de massas,
        composta pela síntese mineral,
            vegetal, animal e humana,
                habitado
                    por migalhas de infinito.

                        
Quero devolver-me,
      ao infinito
           mesmo sendo massa pesada.


Sei que minha alma é leve
  e transparente.


Estou na terra,
     mas não sou terráqueo.


     Se daqui eu fosse,
         seria muito mais sossegado.


           Mas tem coisa dentro de mim
                que cutuca o bicho preguiça,
                    que desperta outro bicho,
                         escondido,
                  atrás desta natureza humana,
            projetada para novos horizontes,
       novos espaços,
           novo jeito de ser,
                ainda desconhecido.


       De repente,
            de novo,
               experimento-me
                 curtindo uma expectativa
                   uma esperança,
                       ou uma ânsia,
                         uma saudade...
                que parece não ser minha.
          Uma sensação,
    de que não sou daqui.


Não me acostumo
com minhas limitações.


Meus limites temporários
   fazem-me esquecer
       que sou humano,
           limitado pelos dois pés.


E me fazem sentir
      o que é ser já,
          eterno,
              sem ser.


       E aí o tempo passa,
           e eu não percebo,
                o tempo passar.


Será esta a sensação
     de sentir,
           que não sou daqui?


       Eis que sou e estou
             morando no tempo.


No Céu, fora do tempo,
  o meu e nosso Pai,
     o Artista que nos criou,
        o Perfeito
            está sempre a chamar:
               Vem’.


   Existe uma ânsia,
      uma vontade ou um sonho
          que arde
            dentro de cada um de nós,
               pessoas humanas realmente,
                 e divinas potencialmente.


O que há de humano em nós,
      contenta-nos ou nos humilha.


O que há de divino em nós
      manifesta-se como sede
                que não sacia,
                       como obra de arte
                                 inacabada.


Eneas Paulo Budel Bogucheski  
Atualizado em 31/03/2016
Atualizado em 17/09/2018
Atualizado em 08/05/2026

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